Timidamente favorito, o Manchester City ficou sob desconfiança depois dos sustos sofridos em Gelsenkirchen. Era preciso encantar para estabelecer um fato: os Citizens são favoritos a vencer a Liga dos Campeões. Ao natural, o City promoveu um atropelo frente a um Schalke completamente dominado. A maturação do time inglês parece estar chegando ao ponto ideal, e a definição da classificação às quartas foi a primeira prova concluída rumo a consagração plena do projeto inglês.

Em relação ao jogo da primeira perna, o City veio com algumas alterações pontuais. Sem Otamendi, suspenso, e Fernandinho, lesionado, Guardiola optou por utilizar Danilo e Laporte no miolo de zaga, promoveu o recuo de Bernardo Silva para o meio, no lugar de Kevin de Bruyne, também fora por lesão, e premiou Sané com a titularidade após ter sido o responsável direto pela vitória por 3 a 2 na Alemanha. Além disso, com o deslocamento de Laporte, Oleksander Zinchenko, de 22 anos, assumiu a lateral esquerda. Enquanto isso, o Schalke comandado por Domenico Tedesco manteve a linha de cinco na fase defensiva.

 

O resultado da ida forçava o Schalke a marcar ao menos dois gols, sem ser vazado. O problema é que o City não ficava sem marcar gols no Etihad Stadium desde maio de 2018, no empate a zero com o Huddersfield, quando já era campeão inglês. O natural domínio da posse de bola por parte dos Citizens aconteceu desde os primeiros minutos e transformou a partida em um jogo de gato e rato.

Com total controle da partida, os ingleses não precisaram sequer exercer pressão. As tentativas de infiltração dos pontas na primeira metade da etapa foram anuladas pela defesa do Schalke, mas mostraram o caminho da vitória. Explorando os lados, o City definiu a eliminatória em pouco mais de dez minutos. Aos 31, em bola levantada na área pelo lado esquerdo, Bruma derrubou Bernardo Silva sem qualquer pudor e o pênalti foi marcado sem cerimônias pelo árbitro. Aguero cobrou com uma fria cavadinha, aumentando ainda mais a vantagem já existente e ampliando a sequência goleadora, com 12 gols em 12 jogos.

Na sequência, o City marcou dois gols em jogadas bastante similares, explorando o posicionamento falho do adversário. Primeiramente pela direita, aos 38. Sterling recebeu por cima da defesa e invadiu a área até a linha de fundo. O jogador sofreu o combate, segurou e deu um passe de calcanhar milimétrico para Aguero, que dominou em espaço reduzido e finalizou entre as pernas do goleiro Fahrmann. Aos 43, a jogada correu pelo lado esquerdo. O ucraniano Zinchenko deu um passe rasteiro em velocidade para Leroy Sané, que definiu com precisão na saída de Fahrmann, liquidando a fatura já nos primeiros 45 minutos e evidenciando a má fase do Schalke. Apenas quatro pontos acima da zona de play-offs de rebaixamento na Bundesliga, a equipe do Vale do Ruhr já vinha de seis jogos sem vencer, sendo  cinco derrotas sofrendo três ou mais gols.

Apesar das limitações, esperava-se ao menos que o Schalke tentasse buscar algo. Atuação do City à parte, o time alemão não fez qualquer esforço e ainda desmoronou defensivamente com extrema facilidade. Tedesco manteve o onze inicial e aparentemente não promoveu qualquer mudança tática no intervalo, talvez pensando apenas em tentar não sofrer um placar ainda mais elástico. Não adiantou. O Manchester City abriu ainda mais o raio de atuação, e desorganizou de vez o Schalke. Aos 9, Sané marcou, mas estava em posição de impedimento, confirmada pelo VAR. Aos 12, porém, o vídeo ajudou a confirmar o gol de Sterling, que recebeu na direita um passe espetacular vindo da esquerda dos pés de Sané.

A omissão por parte da comissão técnica alemã ficou tão clara, que Guardiola realizou mudanças antes de Tedesco, se permitindo dar um descanso necessário para Aguero e David Silva, já pensando na dura sequência que o City tem pela frente nas competições domésticas. E ainda havia muito tempo para mais. Aos 25, uma obra prima da coletividade, que terminou com Sané servindo Bernardo Silva vindo de trás e finalizando sem problemas. O sexto gol veio aos 32 minutos, com um dos suplentes. Novamente Sané faz o que quis com a defesa do Schalke e serviu Foden, que driblou o goleiro e empurrou para a rede. Outro suplente, Gabriel Jesus, completou a vitória de 7 a 0 aos 39 minutos, ao emendar chute de primeira após passe de Bernardo Silva. Foi a maior goleada da história das oitavas de final da Champions League da fase moderna, igualando o feito do Bayern de Munique, que aplicou por duas vezes o mesmo placar: em 2012, contra o Basel, e em 2015 contra o Shakhtar Donetsk.

O massacre aplicado no Etihad Stadium foi contra um adversário de nível questionável, sem dúvidas. Mas foi uma vitória com a marca de Pep Guardiola. 92% de efetividade nos passes, 72% de posse de bola e 7 gols em 11 finalizações certas. E deixa uma pulga atrás da orelha dos demais concorrentes ao título da Champions League. Até onde o City de Guardiola pode chegar? Pelo demonstrado semana após semana, o destino pode ser Madrid.