Memórias do cárcere

Ao invés de gols e vibração da torcida, tortura psicológica e desespero. Conheça o lado mais sombrio da história do Caio Martins

Por Eduardo Zobaran

Sob a mira de metralhadoras, 400 homens viam o sol pela primeira vez depois de um mês de reclusão. Alguns olhavam para o céu e derramavam lágrimas. Outros aproveitavam de forma diferente a liberdade: tiravam a camisa e rolavam na grama. Cinco semanas após o golpe militar de 1964, que depôs o presidente João Goulart, o estádio Caio Martins era palco de cenas muito diferentes de um jogo de futebol.

Casa do Botafogo em várias partidas da conquista do Brasileirão de 1995 e na campanha da segunda divisão de 2003, o complexo esportivo niteroiense foi, também, testemunha de gritos, ameaças e o encarceramento de presos políticos. Foram aproximadamente 1,2 mil, de acordo com as contas do advogado trabalhista Manoel Martins.

Aos 84 anos, o hoje pacato morador de Niterói guarda tristes lembranças do estádio. Ele foi um dos primeiros presos a chegar a Caio Martins. Depois do golpe, realizado na madrugada de 1º de abril, e de uma série de prisões no dia seguinte, Manoel fugiu com outras sete pessoas para uma casa de pau-a-pique em Tribobó, bairro de São Gonçalo. Seu trabalho em sindicatos e suas convicções comunistas o condenavam, mas, em 9 de abril – depois de um recado enviado por um membro do Partido Comunista do Brasil –, Manoel e seus companheiros abandonaram o esconderijo com a sensação de que o pior já passara. Ledo engado.

Leia o texto completo, originalmente publicado na edição de fevereiro de 2009 da Revista Trivela.