Pela segunda vez no mesmo ano, o Atlético Nacional disputará uma decisão continental. A torcida verdolaga estava preparada para uma grande festa no Atanásio Girardot e promoveu um recebimento incrível. Fervor correspondido pelo clube, ainda que de uma maneira não tão tranquila. O clube de Medellín não foi além do empate por 0 a 0 contra o Cerro Porteño, e tomou pressão em certos momentos. Precisou contar com uma defesa monstruosa de Franco Armani para garantir o placar zerado. Herói também na Libertadores, que agora coloca os colombianos na final da Copa Sul-Americana contra a Chapecoense. Como havia empatado por 1 a 1 em Assunção, o resultado foi suficiente aos comandados de Reinaldo Rueda graças ao gol marcado fora de casa.

O Atlético Nacional foi melhor durante os 90 minutos. Tinha mais intensidade e levava perigo no ataque de maneira mais constante. A aceleração de sua linha de frente incomodava muito o Cerro. O problema é que faltava precisão nos arremates. A equipe da casa sentiu falta de Miguel Borja, suspenso. Rescaldani não deu conta do recado como homem de referência, enquanto Berrío e Ibargüen desperdiçavam lances demais.

Do outro lado, o Ciclón cresceu a partir dos 10 minutos do segundo tempo. Mas esbarrou em Armani. O goleiro estava inspiradíssimo e realizou ao menos três grandes defesas. Na maior delas, desviou uma bomba à queima-roupa de Beltrán, que parecia pronto para abrir o placar. Compete com Danilo pela alcunha de “defesa da competição” – não tão no fim quanto o brasileiro, mas mais espetacular. A pressão paraguaia, porém, perderia vigor na reta final. Riveros precisou matar um contra-ataque verdolaga e foi expulso. Com um a menos, os visitantes se limitaram às bolas alçadas na área, sem sucesso.

Aos 30 anos, Franco Armani se estabelece como o melhor goleiro da América do Sul em 2016. De carreira modesta em seu país, o argentino evoluiu muito desde que chegou a Medellín, há seis anos. Já nesta temporada, ele vem sendo simplesmente fantástico. Na Libertadores já tinha sido importantíssimo na conquista, especialmente pela inacreditável defesa tripla diante do Rosário Central – ainda melhor que a desta quinta. E, na Sul-Americana, sua agilidade valeu a vaga na decisão.

Ao Cerro Porteño, resta o lamento de bater na trave mais uma vez, em sua oitava queda em semifinais continentais – seis pela Libertadores e duas pela Sul-Americana. Já o Atlético Nacional precisará lidar com a maratona. Neste final de semana, o clube enfrenta o Millonarios pelas quartas de final do Campeonato Colombiano. Terá que conciliar não só com a competição continental, mas também com o Mundial de Clubes. Caso avance à decisão da liga nacional, se não mudarem as datas, precisará jogar com reservas por causa da viagem ao Japão. Um problema difícil de lidar, mas só possível a uma equipe que vem arrasando com o continente.

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