Às vésperas de se completar 33 anos, o desejo de ser convocado à Seleção certamente já se diluiu na cabeça de qualquer jogador brasileiro. As listas tantas vezes são regidas pelo futuro e a idade elevada serve de contraindicação. Mesmo a outras equipes nacionais, não é comum apostar em estreantes tão veteranos. A seleção russa, porém, realiza o sonho de Ari. O rodado atacante do Krasnodar recebeu sua primeira convocação nesta segunda-feira. Vai integrar o elenco de Stanislav Cherchesov na Data Fifa, durante o amistoso contra a Alemanha e no duelo com a Suécia pela Liga das Nações.

Nascido em Fortaleza, Ari teve pouco tempo para se exibir no futebol brasileiro. O atacante foi revelado pelo Fortaleza, mas já aos 20 anos acabou vendido ao Kalmar, da Suécia. Passou uma temporada no clube escandinavo, terminando como artilheiro na Allsvenskan, até estourar com a camisa do AZ. Idolatrado em Alkmaar, teve participação fundamental na conquista do Campeonato Holandês em 2008/09, sob as ordens de Louis van Gaal. Mas se nem nos tempos de Afonso Alves ele chamou a atenção da Seleção, ficaria mais difícil depois, quando começou a rodar pelo futebol russo.

O primeiro clube de Ari no país foi o Spartak Moscou, que o levou em 2010. O cearense teve algumas ótimas campanhas com os alvirrubros, acumulando gols e assistências. Depois, seguiu ao Krasnodar e permaneceu como protagonista. Jogaria ainda uma temporada e meia no Lokomotiv, com o qual foi campeão nacional em 2017/18, apesar do longo período no estaleiro por uma lesão no menisco. Por fim, de volta ao Krasnodar neste semestre, colhe os frutos pela fase espetacular na Premier League Russa.

Ari recebeu a cidadania russa após a Copa do Mundo, no final de julho. Logo passou a ser cogitado à seleção. E a temporada com o Krasnodar contribui bastante para referendá-lo. O veterano anotou seis gols e serviu três assistências nas últimas seis aparições com o time. Nesta segunda, diante da notícia de que Artem Dzyuba se lesionou, o cearense foi listado por Stanislav Cherchesov. Reconhecimento ao momento do veterano, assim como ao seu talento e à sua dedicação no futebol russo. A um país que se acostumou a ver brasileiros vestindo suas cores, incluindo aí a seleção de futsal, o espaço ao artilheiro é natural.

Depois de Mario Fernandes e Guilherme Marinato, Ari será o terceiro brasileiro naturalizado russo a atuar pela seleção. Como os dois antecessores, construiu uma carreira sólida no futebol local. E agora ganha o direito de ambicionar também a Euro 2020. Neste caso, a idade talvez não seja empecilho suficiente ao cearense. Considerando as oscilações de Artem Dzyuba, as lambanças de Fedor Smolov e até mesmo a prisão de Aleksandr Kokorin, há espaço. Cabe ao novato mostrar serviço nesta primeira chance. Considerando o histórico de sua carreira, sempre de muito empenho e dedicação, o camisa 9 pode deixar sua marca na equipe nacional.