Nabil Fékir está, sem dúvida, entre as principais revelações da Ligue 1 nesta temporada. O meia-atacante do Lyon já marcou nove gols e deu sete assistências na competição e, aos 21 anos, virou uma das atrações do time. Nas palavras de Jean-Michel Aulas, presidente do OL, o jovem é o “Messi do Lyon”. Exageros à parte, Fékir mal despontou para os holofotes e já está no centro de uma polêmica.

LEIA MAIS: A maior surpresa das oitavas da Champions

Durante os últimos dias, vários veículos de comunicação da Argélia cravaram: Fékir escolheu defender a Argélia. Nascido em Lyon, mas com ascendência argelina, o jogador tem todas as condições necessárias para vestir a camisa dos Fenecos. Seu pai já manifestou publicamente seu desejo de ver o filho defender as cores da seleção africana. O jogador tratou de dar um basta em tanta pressão e disse que ainda não havia tomado uma decisão.

Christian Gourcuff, treinador da seleção argelina, disse esperar a resposta de Fékir “há seis meses”, mas que não vai aguardar “eternamente”. Tanto o técnico como Mohamed Raouraoua, presidente da federação local, ajudaram a alimentar os últimos rumores ao jurarem que meia-atacante já havia até comunicado sua opção de atuar pela Argélia. Isso apenas serviu para irritar ainda mais o jovem.

Fékir confirmou a conversa por telefone com Gourcuff, mas disse que sua decisão final será dada até o fim de março. O treinador nem quis saber e o incluiu em uma lista de 37 jogadores convocados para um estágio de treinos no Qatar, de olho em dois amistosos contra a seleção local e Omã ainda neste mês. Precipitação ou uma certeza condicionada a um mise-en-scène dos mais chatos?

Uma das pistas sobre qual será o destino de Fékir deve ser dada no próximo dia 19. Nesta data, Didider Deschamps anuncia a lista de convocados para os próximos dois amistosos da seleção francesa, contra Brasil e Dinamarca. Não seria exagero algum imaginar a presença do jogador do Lyon, que já tem passagem pelas seleções de base da França, dado seu desempenho nesta temporada.

Para Hubert Fournier, treinador do Lyon, a indefinição de Fékir já afetou seu rendimento nas últimas partidas da equipe. O treinador, que não gostou tanta das atuações do meia-atacante como de Alexandre Lacazette na derrota por 2 a 1 de virada para o Lille, cobrou tanto Fékir como seu entourage para que o jovem se concentre apenas em jogar bola, e não com o que vai falar para a imprensa.

Enquanto houver esta novela em torno de Fékir, o jogador dá margem a interpretações como as feitas por Fournier – e fazer crescer os questionamentos em torno do jovem. O mais sensato seria o jogador anunciar logo de uma vez por qual seleção gostaria de atuar e dar um ponto final nesta história. Arrastá-la somente trará prejuízos a todas as partes envolvidas. Ou ele terá que conviver com a velha crítica de que não está concentrado como deveria para jogar bola.

Consolação

O Paris Saint-Germain tenta preparar o terreno para reduzir o impacto de uma provável eliminação prematura na Liga dos Campeões. Se a queda diante do Chelsea nas oitavas de final da LC parece apenas uma questão de tempo, esta queda deve ser curada o mais depressa possível com a inédita possibilidade de uma tríplice coroa nacional. A classificação para as semifinais da Copa da França manteve o sonho de pé.

Diante de um adversário que se mostrou bem mais complicado três dias antes no Louis II, pela Ligue 1, desta vez o Monaco não conseguiu segurar os donos da casa. O 0 a 0 no fim de semana no principado foi rapidamente esquecido pelo clube da capital, com amplo domínio das ações e uma vontade das mais ferrenhas de fazer bonito nas competições nacionais. Nada mais natural, dada a situação do PSG na Champions.

Claro, o ASM que entrou em campo na Copa da França pouco tinha a ver com aquele que ficou no empate sem gols no Louis II. Apenas quatro titulares daquele jogo (Touré, Kondogbia, Fabinho e Toulalan) atuaram no Parc des Princes. Tanto que o miolo da zaga do PSG foi pouco incomodado e Marquinhos teve liberdade para descer ao taque, quase como um lateral direito.

Finalista da Copa da Liga da França e na briga pela taça da Ligue 1, o Paris Saint-Germain tem em suas mãos a chance de transformar uma tempestade em uma chuva sem maiores consequências. O que poderia ser uma catástrofe com mais um fracasso na LC (não pelo Chelsea, mas sim pela enésima tentativa frustrada de conquistar a Europa) seria amenizada com tantas taças em um curto período de tempo.

Laurent Blanc sente o peso da cobrança feita pelos catarianos donos do clube e sabe mais do que ninguém como sua cabeça está a prêmio. O treinador tem total consciência de que, para salvar sua pele, precisa ter um contrapeso. O discurso do “olha, não deu na Liga dos Campeões, mas pelo menos conquistamos várias taças e um feito inédito” aliviaria demais sua barra e a de alguns jogadores.

Se a tal tríplice coroa não vier… Bom, Blanc já deve pensar qual será seu destino para a próxima temporada. E o PSG certamente conhecerá uma profunda reformulação em seu elenco, principalmente com os crescentes questionamentos em torno de medalhões com custo-benefício aquém do esperado. Cavani e Pastore, dois dos mais criticados, ao menos têm se esforçado para fugir desta barca. A conferir.