Aqui, não!

O anúncio da possibilidade do continente asiático receber jogos da Premier League Inglesa caiu como um asteróide no maior continente do mundo. O Presidente da Confederação Asiática, Mohamed Bin-Hammam, foi taxativo ao responder negativamente a essa inusitada hipótese. Outros, como Junji Ogura, vice-presidente da Associação Japonesa de Futebol, seguem a mesma linha e são drasticamente contrários a idéia.

O plano ainda estava sendo esboçado nos bastidores, mas deixaram vazar e ganhar grande dimensão, aborrecendo até mesmo o técnico Alex Ferguson, do Manchester United. ‘Sir’ Alex é totalmente favorável a realização, no futuro, de uma rodada extra da EPL no exterior.

Nisso tudo, existe algo óbvio. É prejudicial para o futebol asiático!

Afetaria profundamente a reputação das ligas nacionais, que já sofrem por não conseguir enchentes nos estádios na maioria dos jogos. Além de outras facetas que se pormenorizarmos teríamos que escrever uns 80 mil caracteres para descrevê-las.

Quando entrevistamos Bin-Hammam, recentemente, ele deixou claro sua preocupação com o sucesso estrondoso das transmissões das ligas européias em solo asiático.

“Entendemos as tendências do mercado, mas temos que trabalhar as ligas asiáticas para torná-las mais atraentes e revelar nomes em nivel doméstico” nos disse.

Como fazer isso?

Atualmente, as grandes estrelas das principais ligas asiáticas são, na média, brasileiros de nivel técnico mediano e pouco midiáticos. Como é extremamente difícil competir com a ‘invasão’ das ligas européias na mídia, uma das soluções para alavancar a popularidade dos campeonatos locais seria voltar a importar futebolistas populares e em final de carreira na Europa.

Algo que vinha sendo feito no ‘Boom’ da J-League, nos anos 90, quando Gary Lineker, Totó Schillaci, Dunga, entre outros, aterrissaram na Terra do Sol Nascente.

Hoje, seria difícil seduzir, por exemplo, Andy Cole, Makelele ou Robbie Fowler?

O grande problema foi que a competitividade aumentou muito na Ásia.

Por essa razão, ninguém quer apostar num ‘figurão’ que apenas passeia em campo. É mais lucrativo trazer um jovem brasileiro, cheio de vitalidade, que marcou 10 gols pelo Brasiliense na Série B e está sedento por sucesso e dinheiro. Ou um prodígio que subiu para os profissionais do Figueirense e fez cinco jogos na reta final de um Brasileirão com média 6 no diário Lance…

O homem forte da Confederação Asiática de Futebol, Bin Hammam, alega que uma de suas prioridades é popularizar os campeonatos nacionais na Ásia, mas isso ele só vai conseguir agregando a presença de figuras provenientes das ligas européias. Caso contrário estará dando murro em ponta de faca.