Que torcedor do Liverpool não se deliciou com a campanha trágica de David Moyes no comando do Manchester United? Pegar o atual campeão e deixá-lo em sétimo lugar na temporada seguinte foi uma façanha que deixará o técnico escocês para sempre estigmatizado no futebol inglês. E, ainda assim, Brendan Rodgers consegue ter um trabalho menos eficaz. Pelo menos nos números. Segundo o Mirror, o aproveitamento do técnico dos Reds é inferior ao do ex-treinador do United, que neste fim de semana estreou no comando da Real Sociedad.

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De acordo com o jornal, David Moyes teve aproveitamento de 52,9%, horrível, mas um pouco superior aos 52,6% de Rodgers. É claro que é preciso contextualizar as coisas. Não dá para dizer que o inglês tenha feito trabalho pior no Liverpool que o escocês no United. Para começar, esta é a terceira temporada de Rodgers nos Reds, enquanto Moyes não durou sequer uma inteira. O treinador do Liverpool também assumiu após o time terminar em 8º na Premier League de 2011/12, enquanto o ex-comandante do United chegou para o time que era então detentor do título.

Embora não faça trabalho tão ruim quanto o que o escocês fez, não dá para aliviar muito para Rodgers. Um aproveitamento tão baixo – e numericamente inferior ao de Moyes no arquirrival – não passa despercebido em um time como o Liverpool. O que dá sobrevida ao inglês é, na campanha passada, ter chegado tão perto de levar os Reds à sua primeira conquista na era da Premier League, que teve início em 1992. Foram mais de cem gols marcados, e o aproveitamento de 73,6% foi impressionante, sobretudo para um time com elenco tão reduzido, competindo com planteis estrelados. Sob as circunstâncias em que se encontrou entre a temporada passada e a atual, a única crítica que cabe ao trabalho de Rodgers é o fato de não buscar mais jogadores comprovadamente eficientes.

Ao perder Suárez, o craque que carregou o time nas costas em 2013/14, o técnico aproveitou a injeção de dinheiro que a venda do uruguaio ao Barça gerou, e buscou justamente atenuar a fraqueza da falta de profundidade do plantel. Trouxe uma porção de atletas de muito potencial, que podem se tornar grandes jogadores e precisarão de tempo para isso. Infelizmente para o treinador, o aproveitamento pífio de 38,9%, o pior início dos Reds nas 12 rodadas iniciais de uma Premier League, não torna a torcida mais paciente.