Após semanas conturbadas, o Manchester United viveu uma noite tranquila nesta quarta-feira. A equipe de José Mourinho não encontrou dificuldades para golear o West Ham por 4 a 1 e avançar na Copa da Liga Inglesa. Entretanto, nenhum dos gols moveu mais os torcedores do que o evento ocorrido aos 41 do segundo tempo, quando o placar estava praticamente definido: depois de quase nove meses e pela primeira vez com o treinador português, Bastian Schweinsteiger entrou em campo. Não teve tempo de fazer muito. Mesmo assim, recebeu longos aplausos pelo recomeço, superando meses difíceis.

Schweinsteiger teve uma postura exemplar. E até difícil de se manter, diante de todo o panorama. Em vários momentos, o meio-campista foi deixado de lado no elenco, como se não servisse mais ao United – especialmente, quando precisou se juntar ao elenco sub-23. Nem por isso deixou de fazer o seu trabalho nos treinamentos. Nem por isso saiu a falar mal de Mourinho ou da gestão do clube. Pelo contrário, sempre que possível, demonstrou o seu compromisso com os companheiros e o seu carinho com a torcida, que continuava o apoiando. Não abandonou Old Trafford, como muitos sugeriram. Até ter a chance do recomeço.

Neste intervalo tão longo, Schweinsteiger enfrentou dificuldades. Teve que lidar com as lesões, cada vez mais comuns nos anos recentes de sua carreira. Teve que lidar com os rumores que persistiram até o final da janela de transferências – e, em menor intensidade, mesmo depois disso. Teve que lidar com as desconfianças, ainda seguiu servindo a seleção alemã. Teve os seus lampejos na Eurocopa, mas pouco fez na partida em que o Nationalelf acabou eliminado pela França. Depois, também se despediu de sua equipe nacional, em emotivo amistoso em agosto. A partir de então, passou a se dedicar ao United. Abnegação que veio a surtir efeito. O meio-campista teve ‘sangue de barata’, o que só ressaltou a sua grandeza.

Não, o Manchester United não irá contar com o Schweinsteiger de 2012/13, sua melhor versão, provavelmente o melhor segundo volante do mundo naquela temporada. A queda do alemão desde então é evidente. De qualquer forma, é impossível pensar que, hoje, ele não seja útil dentro do elenco. Para entradas esporádicas, já que sua posição é a mais bem servida de toda a equipe. Para liderar nos treinamentos. Ídolo inquestionável do Bayern de Munique e ex-capitão de sua seleção, certamente tem algo a acrescentar aos seus companheiros. Sobretudo caráter.

Para a sua carreira, talvez fosse melhor buscar uma liga menos competitiva. Para o Manchester United, talvez fosse melhor enxugar a folha de pagamentos. Mas Schweinsteiger já demonstrou que deseja seguir em frente em Old Trafford. Que deseja ser importante, ainda que deva ter consciência que o protagonismo dificilmente voltará a ser seu. O que ele quer é trabalhar. A torcida dos Red Devils compreendeu isso e demonstrou esse reconhecimento com aplausos. Carinho devidamente respondido pelo veterano nas redes sociais. E que ele espera corresponder também em campo.