A notícia que o torcida do Newcastle tanto esperava chegou em meados de abril. Finalmente alguém apareceu para tirar o clube das mãos de Mike Ashley. O interesse do governo da Arábia Saudita levantou justos questionamentos sobre o autoritarismo do país e seu histórico de violação de direitos humanos, mas apenas quando ele passou a representar um risco financeiro para a Premier League que a aprovação do negócio foi colocada sob risco.

A beIn Sports, emissora de televisão do Catar que detém os direitos de transmissão internacionais da liga inglesa em diversos países, começou a exercer pressão contra a venda por causa de uma rede de transmissões piratas da Arábia Saudita, a pouco sutil beoutQ, que estaria operando, no mínimo, sob vista grossa do governo, principal acionista do fundo que deseja controlar o Newcastle.

A Arábia Saudita naturalmente negou as acusações, mas um relatório de Organização Mundial do Comércio identificou que o país agiu de maneira “inconsistente” com as leis internacionais que protegem os direitos intelectuais das partidas.

Uma semana depois da divulgação do relatório, a Arábia Saudita resolveu se mexer. Por enquanto, ainda está na etapa das promessas. A Autoridade Saudita de Propriedade Intelectual disse que buscará bloquear 231 sites que violam regras e direitos, “ incluindo o bloqueio de páginas que retransmitem diretamente canais de esporte”.

A Federação Saudita de Futebol, segundo a BBC, escreveu para autoridades esportivas admitindo sua “responsabilidade” de enfrentar a pirataria das transmissões e que “entende que precisa respeitar os direitos intelectuais de propriedade”.

“Os direitos esportivos são o sangue que alimenta o futuro não apenas dos clubes da elite, mas de toda a pirâmide esportiva. Com nossa ambição esportiva, vem a responsabilidade de enfrentar a pirataria e, como nação, já temos parâmetros rigorosos para fazer isso”, disse o presidente da entidade Yasser Hassan Almisehal, segundo a BBC.

Agora, a questão é se o aparente recuo da Arábia Saudita será suficiente para apaziguar as preocupações da Premier League e se o negócio do Newcastle, dois meses depois de ser anunciado, será finalmente confirmado pela liga inglesa.

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