Faz pouco menos de um ano que o Tottenham, treinado por Mauricio Pochettino, era vice-campeão europeu e a imprensa dava como certo que contrataria Paulo Dybala. É o que os torcedores dos Spurs chamam de “bons e velhos tempos”. Muita coisa mudou desde então, e não apenas para o clube inglês. A Juventus não conseguiu negociar sua mais valiosa moeda de troca, e Dybala acabou ficando. Não apenas ficou como teve grande contribuição ao nono scudetto consecutivo da Velha Senhora, possivelmente a sua maior desde que trocou Palermo por Turim.

A Juventus queria vender Dybala porque ele era o jogador que poderia levantar a maior quantia de dinheiro de uma vez só que não era completamente essencial ao seu planejamento. Embora imensamente talentoso, alternava demais bons e maus momentos e talvez seja o melhor jogador do mundo que ninguém sabe em que posição joga: ponta direita? Esquerda? Meia-atacante? Centroavante? Segundo atacante?

As negociações do Tottenham foram abortadas porque não houve tempo de resolver detalhes da negociação, como os direitos de imagem de Dybala, antes do fechamento da janela da Premier League, mais cedo que a de outras grandes ligas. O jogador também disse que a Juventus tentou negociá-lo com o Manchester United e o Paris Saint-Germain. Sem sucesso, ele acabou ficando, o que não pareceu ser um problema para Maurizio Sarri, que o vinha elogiando desde que assumira a campeã italiana.

Encaixá-lo no time foi outra história. Tentou uma formação com dois atacantes, com Dybala ao lado de Cristiano Ronaldo. Tentou abrir o argentino nas duas pontas. No fim, sua melhor sequência, foi como atacante pelo meio, com Ronaldo mais aberto à esquerda. Fez gol em cinco rodadas seguidas entre o último jogo antes da paralisação e os primeiros da retomada.

Dybala atuou 2.165 minutos pela Serie A, mais ou menos em média com suas outras quatro temporadas (variação de 2,1 mil a 2,3 mil), foi titular 25 vezes, também não muito diferente de campanhas passadas, e fez 11 gols. Houve campeonatos em que foi mais artilheiro. Marcou 19 vezes em 2015/16 e 22 em 2017/18, mas impressionou a quantidade de coelhos que tirou da cartola nesta edição do Italiano.

Não importa apenas a quantidade de gols, mas como eles foram e em que momento do jogo. Por exemplo, seis dos 11 gols de Dybala foram aqueles considerados os mais difíceis no futebol de hoje em dia: os primeiros, os que abrem o placar. Ele também garantiu três pontos praticamente sozinho com uma jogada individual na vitória por 1 a 0 sobre o Milan.

Mais do que concluir ou participar de jogadas coletivas, muitos dos gols importantes de Dybala surgiram do nada, um momento de inspiração de um jogador muito talentoso que resolveu ou facilitou a partida para a Juventus. Foi assim, por exemplo, na vitória contra a Internazionale, quando a briga entre os dois rivais pelo título estava próxima. Ele estava bem marcado e no bico esquerdo da grande área, posição de baixa probabilidade de gol e com um marcador à frente, mas encontrou um chute cruzado para abrir o placar.

Contra a Sampdoria, foi outro belo chute cruzado, agora do outro lado, também de alta dificuldade. Contra o Brescia, foi um gol de falta. Contra o Lecce, no segundo turno, uma batida de fora da área. Contra o Genoa, uma jogada individual driblando da direita para dentro até bater com a sua letal canhota.

Em um futebol que cada vez busca maneiras de furar defesas fechadas, fazer o 1 a 0 para obrigar o adversário a se abrir um pouco mais, Dybala foi um fator de desequilíbrio para a Juventus – nos 11 jogos em que marcou, foram 10 vitórias e um empate -, nesse quesito, até mais do que Cristiano Ronaldo, extremamente decisivo e artilheiro do time na liga, com 31 gols.

E foi por pouco que ele não fez tudo isso pelo Tottenham.

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