Em meados de agosto, o Partizan Belgrado conquistou a classificação contra o Yeni Malatyaspor nas preliminares da Liga Europa, mas terminou punido pelo comportamento de sua torcida. A Uefa ordenou que os sérvios atuassem por dois jogos com portões fechados, diante de cânticos racistas entoados por seus espectadores. O clube, que já havia condenado publicamente atos discriminatórios de sua torcida neste ano, solicitou uma pena alternativa à confederação europeia. Assim, a estreia na fase de grupos da Liga Europa contou com uma atmosfera diferente em Belgrado: 20 mil crianças assistiram ao empate por 2 a 2 com o AZ.

O Partizan já tinha cumprido o primeiro jogo da punição na última fase preliminar, quando venceu o Molde por 2 a 1. Na ocasião, cerca de 6 mil crianças estiveram presentes, todas com entradas gratuitas. Já nesta quinta-feira, o número de jovens foi ainda mais expressivo. Segundo a imprensa sérvia, 20 mil espectadores mirins empurraram a equipe, todos com 14 anos ou menos, acompanhados por seus professores. A garotada veio de diferentes cantos do país e, no fim, pôde ver uma partida movimentada. Depois que Calvin Stengs abriu o placar para o AZ, o veterano Bibras Natcho virou com dois gols ao Partizan, mas Myron Boadu conseguiu buscar o empate aos holandeses.

A mudança da pena, nestes casos, costuma gerar discussão. Há quem veja como uma maneira de atenuar uma questão seríssima como o racismo – que, na realidade, deveria gerar ações mais incisivas na esfera criminal ou também mais efetivas na esfera esportiva. Além do mais, não existem garantias de que as crianças irão se comportar bem – e isso ocorreu certa vez em jogo da Juventus, quando os portões antes fechados foram abertos só a jovens torcedores que, se não repetiram o racismo, incomodaram a federação por seus palavrões. De qualquer maneira, não deixa de ser uma imagem singular e impactante. Fica a esperança de que a “pureza infantil” prevaleça e aconteça realmente um clima festivo. Neste sentido, as imagens de Belgrado são bem legais.