O empate do Arsenal contra o Crystal Palace no final de semana, entre tantos tumultos, acabou marcado pela cena intempestiva de Granit Xhaka ao ser substituído. O capitão se irritou com as vaias da torcida, provocou as arquibancadas e saiu direto para os vestiários, jogando a camisa do clube. Sua reação exagerada provocou mais insatisfação e, nesta quinta, o suíço escreveu uma carta (pouco convincente) se justificando. No entanto, ele ganhará um descanso a mais, após se ausentar no empate por 5 a 5 contra o Liverpool na Copa da Liga. Unai Emery declarou que Xhaka não atuará no duelo contra o Wolverhampton, neste sábado, no próprio Emirates.

“Primeiro pensamos na pessoa, no humano. Como todo mundo, Xhaka sente seus problemas e precisa de tempo para recuperar a normalidade. Ele pediu desculpas aos torcedores e a todo mundo. Agora, o foco é na partida. Ele está treinando normalmente com o time. Não está em minha mente que ele irá jogar. Precisamos estar focados 100% apenas na partida. Quero falar sobre os jogadores que atuarão”, afirmou Emery.

O treinador também ressaltou como é importante aumentar a conexão do Arsenal com sua torcida nos jogos dentro do Estádio Emirates. Emery preferiu refutar as impressões do que se vive nas redes sociais e valorizar as respostas nas arquibancadas, mesmo com as vaias recentes. Os Gunners somam seis vitórias e dois empates como mandantes neste início de temporada, mas deixam a desejar pelas dificuldades apresentadas em seus últimos duelos.

“Todos os jogadores aparecerão nas redes sociais. Precisamos usar isso de maneira inteligente. Podemos respeitar as pessoas por lá, mas temos que separar o quanto disso é realidade. Temos que transmitir uma mensagem a todos os torcedores, inclusive os que não nos seguem nas redes sociais. Para mim, o mais importante é a forma como os torcedores respondem no estádio. Temos muitos torcedores ao redor do mundo, e respeitamos isso, mas a resposta real está dentro do estádio. No estádio, é normal que os torcedores respondam com críticas ao técnico e aos jogadores. Dentro de campo, os jogadores lidam com as críticas, mas quando se recuperam com uma boa atuação, os torcedores esquecem e os aplaudem. Esse é o objetivo”, disse.

“Queremos conectar com as pessoas e vencer. Essa é nossa meta. Sabemos que será difícil. Não me lembro de perdermos em casa nesta temporada. Estamos nos sentindo fortes, mas os resultados não são tão bons. No último ano, nos sentimos muito fortes com o apoio dos torcedores no Emirates. Desta vez, a relação não começa com a mesma força. Acredito que nosso trabalho está em processo. Amanhã é uma boa oportunidade de mostrar isso, depois do que aconteceu na última partida”, arrematou.

Emery apontou que Xhaka estava “triste” e “devastado” antes do jogo pela Copa da Liga Inglesa. Entretanto, a carta publicada nas redes sociais do Arsenal nesta quinta não parece cumprir o objetivo de se conectar com os torcedores. As linhas parecem ditas da boca para fora, mais a mando do clube do que por vontade do volante, que não deu sua cara a tapa. A própria continuidade do suíço na equipe é posta em xeque. A demora em se manifestar teria se dado por uma divergência do capitão com os seus superiores, diante da forma como gostariam que ele se portasse. Xhaka permanece insatisfeito.

“Depois de dedicar algum tempo à reflexão sobre o que aconteceu, gostaria de dar uma explicação, em vez de uma resposta rápida. As cenas que ocorreram ao redor da minha substituição mexeram comigo profundamente. Amo este clube e sempre dou 100%, dentro ou fora de campo. Meu sentimento de não ser compreendido pela torcida e ver repetidos comentários abusivos nas últimas semanas me machucaram profundamente. Pessoas disseram coisas como ‘quebrarei suas pernas’, matarei sua esposa’ e ‘desejo que sua filha morra de câncer’. Isso mexeu comigo e cheguei ao ponto de ebulição quando senti a rejeição do estádio no domingo”, escreveu Xhaka.

“Nessa situação, me deixei levar e reagi de uma forma que desrespeitei o grupo de torcedores que apoia nosso clube, nosso time e eu mesmo. Não foi minha intenção e me desculpe se as pessoas pensaram assim. Meu desejo é que voltemos a um lugar de respeito mútuo, relembrando por que nos apaixonamos por esse esporte. Vamos seguir em frente positivamente juntos”, finalizou o meio-campista.

Por enquanto, Emery não definiu se Xhaka permanecerá como capitão do Arsenal. A resposta deverá vir na próxima semana, conforme o comandante. O suíço ganhou a braçadeira após uma votação organizada pelos próprios jogadores. No entanto, os relatos da imprensa inglesa apontam para um clima ruim nos bastidores do Arsenal. Segundo o Independent, o treinador está perdendo o vestiário. Sua melhor resposta precisa ser mesmo em campo, e o primeiro passo se dará contra o Wolverhampton, sem o capitão.