A cada rodada do futebol europeu, novos casos repugnantes de racismo acontecem ao redor do continente, em uma visível escalada. Nesta quarta-feira, Romelu Lukaku mais uma vez foi vítima. O atacante da Internazionale ouviu insultos preconceituosos durante o duelo contra o Slavia Praga, pela Champions League, e reagiu. Primeiro, ao colocar as mãos sobre a orelha, na comemoração de um tento que acabaria anulado. Depois, ao comandar a vitória dos nerazzurri por 3 a 1, com um gol e uma soberba assistência de trivela. Mas, independentemente da resposta em campo, o belga cobra uma atitude contundente da Uefa.

Em entrevista à agência Ansa, Lukaku exigiu da Uefa punições realmente efetivas. Cada vez mais, fica claro que as multas e os fechamentos parciais dos estádios propostos pela entidade pouco adiantam. O centroavante indicou seu enfado com a inação dos dirigentes, diante da recorrência dos episódios, especialmente nas competições continentais de clubes e seleções.

“Disse isso na última vez em que estive com a seleção: a Uefa precisa fazer algo a respeito. Não é certo que isso aconteça nos estádios. Hoje aconteceu comigo duas vezes. Ninguém precisa enfrentar isso. Estamos em 2019, há jogadores com diversas nacionalidades em cada time. Essas pessoas nas arquibancadas são ruins, não são bons exemplos para as crianças”, afirmou Lukaku, na saída de campo.

Segundo Lukaku, os insultos aconteceram logo após o primeiro gol de Lautaro Martínez, que abriu o placar. Por isso, teria respondido quando ampliou logo depois, apesar da anulação do lance: “Espero que a Uefa faça algo sobre, porque o estádio inteiro se comportou assim quando Lautaro marcou o primeiro gol. Isso não é bom também para as pessoas que estão assistindo à partida”. Entre as principais figuras do Slavia Praga estão Peter Olayinka e Ibrahim Traoré, dois negros. Também compõe o elenco o brasileiro João Felipe, de 18 anos, levado do Ituano.

Nesta temporada, Lukaku se tornou alvo de diferentes manifestações racistas na Serie A. O episódio mais divulgado aconteceu na visita ao Cagliari, no início de setembro, quando os ataques vieram das arquibancadas. Além disso, também ouviu de um comentarista que “a única maneira de pará-lo é jogando bananas”, em comparação absurda realizada semanas depois.

Em novembro, Lukaku declarou que sabia que o racismo aconteceria na Itália e se disse preparado para isso. Enquanto ele enfrenta os racistas e os encara com seus gols, os dirigentes se provam extremamente despreparados para lidar com o tema, numa permissividade inacreditável e que parece distante de um clima mais aberto.