O zagueiro Guram Kashia expôs a homofobia da Geórgia, ano passado, quando entrou em campo para enfrentar o Heracles, pelo Campeonato Holandês, com uma braçadeira de capitão pintada com as cores do arco-íris. No país que tem muita resistência à comunidade LGBT, colegas de profissão e membros da imprensa criticaram o gesto do então jogador do Vitesse e houve até pedidos para que ele renunciasse à seleção. A coragem que demonstrou durante o caso fez com que a Uefa decidisse concedê-lo seu primeiro prêmio #JogoIgual, que será entregue na cerimônia de gala da entidade europeia, em Monaco, no próximo dia 30.

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Naquele fim de semana da Eredivisie, os capitães de todos os clubes das duas primeiras divisões da Holanda e da liga feminina usaram a braçadeira com a bandeira da comunidade LGBT em uma ação idealizada em conjunto pelo Conselho Central dos Jogadores e pela Fundação Johan Blakenstein, batizada em homenagem ao ex-árbitro holandês e ativista dos direitos homossexuais, que morreu em 2006. Foi um ato de apoio e de conscientização.

Mesmo diante das críticas que recebeu, Kashia não fugiu da controvérsia e manteve a sua posição a favor da igualdade e da diversidade. “Não me arrependo do que fiz. Era minha responsabilidade. Não importa quem você é ou o que você faz: se você não machuca os outros, pode ser quem quiser. Essa é minha visão, e é assim na Holanda”, disse, na ocasião. Outros jogadores, a federação nacional de futebol e o Movimento Pela Igualdade, que luta por direitos LGBT dentro da Geórgia, colocaram-se ao lado do jogador, que altamente defende o San Jose Earthquakes, da MLS.

O prêmio da Uefa, segundo seu site oficial, revela o conceito por trás da campanha #JogoIgual, “que todo mundo tem o direito de aproveitar o futebol, independentemente de etnia, idade, gênero, orientação sexual, bagagem social e crenças religiosas”. O comunicado da entidade afirma que Kashia o receberá por “tomar uma posição corajosa em público a favor da igualidade” e por, diante das críticas e das ameaças que recebeu, “insistir que não se arrependeu de usar a braçadeira de capitão e sublinhar seu total apoio à diversidade e a inclusão”.

“Dou os parabéns para Guram pelo seu forte caráter e sua coragem. Guram tomou uma posição importante de apoio à comunidade LGBT e igualdade em geral e merece o prêmio”, disse o presidente da Uefa, Aleksander Ceferin. “Apesar de suas ações terem motivado ameaças e abusos de muitos grupos, ele pregou tolerância e aceitação e ajudou a mudar percepções dessa minoria no seu país natal da Geórgia”.

O jogador de 31 anos, que continuou atuando normalmente na seleção da Geórgia, ficou feliz com a homenagem que receberá. “Estou honrado pela Uefa ter me escolhido para receber o prêmio. Eu acredito em igualdade para todo mundo, independentemente do que você acredita, quem você ama ou quem você é”, afirmou. “Eu sempre defenderei a igualdade e direitos iguais para todo mundo, onde eu estiver jogando”.