A cidade de Mosul voltou a poder ter seus moradores jogando futebol, sem restrições. A cidade iraquiana estava sob domínio do Estado Islâmico e uma quadra de futebol na parte leste da cidade sofria com várias restrições impostas pelo grupo radical. Sem os militantes do grupo, a quadra foi reaberta normalmente.

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A quadra estava fechada por quase quatro meses enquanto as forças iraquianas e militantes lutavam pelo domínio da cidade. A cidade tem cicatrizes da guerra, com marcas de tiros, muros destruídos e janelas quebradas. Em volta do campo, o cenário é de guerra. Mas a alegria de poder retornar ao campo é grande, segundo relato de Bram Janssen e Salar Salim no site Talking Points Memo.

Segundo o relato, a quadra era autorizada a abrir, mas havia regras bastante rígidas. Por exemplo, era proibido jogar com camisas de clubes. Para entrar na quadra, era preciso recortar os escudos das camisas. Os militantes do EI consideravam que usar esses símbolos era idolatria. O mesmo valia para marcas de roupas e marcas esportivas.

Outra restrição era do apito dos árbitros. O som emitido pelo instrumento, segundo os militantes do EI, “faria os demônios se reunirem”. Quem fosse jogar também não podia usar calções, só calças. E não podia ser qualquer tipo de calça. Não podiam ser apertadas, e sim ser bem largas, como as vestimentas típicas árabes.

Não eram permitidos troféus nem medalhas, porque isso encorajaria a ganância. Não podiam ser organizados torneios também. Segundo um dos jogadores habituais da quadra entrevistado pelos repórteres, as partidas disputadas sob o domínio do EI não tinham tempo. Um jogo comum dura 90 minutos, mas com eles, as partidas normalmente eram abandonadas depois de 15 minutos, quando os integrantes do EI não queriam mais jogar.

Além disso, os jogos tinham que ser paralisados para que as pessoas fizessem rezas. “Tive que trazer tapetes de oração para os jogadores e colocá-los no campo de futebol e liderar a oração para eles”, conta Mohamed Sadiq, que trabalha no campo de futebol.

Os integrantes do Estado Islâmico ainda mandaram tirar o símbolo olímpico que havia no local, porque era, na concepção deles, “um símbolo dos infiéis”. Nem as tentativas de explicar que os cinco anéis representavam os cinco continentes foram suficientes. Foi preciso contratar um ferreiro para tirar o símbolo que havia em metal.

Passado esse domínio do Estado Islâmico, o futebol voltou a ser praticado na quadra, sem restrições. Os iraquianos são apaixonados por futebol e acompanham muito o futebol europeu. É comum ter simpatizantes de times como Real Madrid, Barcelona, Chelsea ou Manchester United no país. Por isso, camisas destes clubes são comuns também, mas eram proibidas. O futebol voltou a ser praticado sem restrições, sem medo e com a diversão do jogo, que tinha sido tirada pelos militantes radicais.