A passagem de Claudio Bravo pelo Manchester City não deixará boas lembranças. O chileno chegou ao Estádio Etihad respaldado por Pep Guardiola graças à qualidade com os pés e viu o ídolo Joe Hart ser dispensado pelo treinador, mas nunca correspondeu e logo seria reserva de Ederson. Isso não quer dizer, porém, que o veterano fosse um mau goleiro. E, aos 37 anos, ele terá uma boa chance de deixar uma impressão positiva ao final de sua carreira: neste domingo, Bravo acabou anunciado como reforço do Betis. Chega sem custos ao Benito Villamarín, com contrato de uma temporada com os verdiblancos.

Bravo tem seus méritos para ser considerado o maior goleiro chileno de todos os tempos, e não apenas por seus feitos com a seleção – que já seriam grandiosos por si, capitão e decisivo na conquista de duas edições da Copa América. Indo além da Roja, o camisa 1 também consolidou sua história por clubes. Surgiu bem no Colo-Colo, integrando uma geração promissora do Cacique. Depois, juntou-se à Real Sociedad ainda na segunda divisão e participou da reconstrução dos bascos, tornando-se referência na posição em La Liga. E teria respaldo ao assinar com o Barcelona em um momento de transição dos blaugranas, no qual Víctor Valdés deixava a posição em aberto. Bravo seria titular em duas edições do Campeonato Espanhol, deixando Marc-André ter Stegen no banco e vencendo até o Troféu Zamora – pela segunda vez, num feito registrado já antes com os txuri-urdin.

A troca pelo Manchester City parecia um bom negócio a Bravo, diante da natural ascensão de Ter Stegen e do moral dado por Guardiola. O problema seria mesmo o atrito que o movimento gerava, com Joe Hart escanteado. Havia uma pressão maior para que o chileno correspondesse e isso não aconteceu, com falhas frequentes. Ao mesmo tempo, o capitão do Chile também perdia moral na seleção, com problemas de relacionamento com outros medalhões do elenco. Depois de meia temporada como titular nos Citizens, perdendo a posição para Willy Caballero, o veterano passou três anos de ostracismo no Etihad após a chegada de Ederson, também por méritos do novo contratado. Acabou limitado a aparições nas copas nacionais.

Sem ter seu contrato renovado com o Manchester City, Bravo virou opção no mercado nesta janela. Acabou acertando um encontro com Manuel Pellegrini, seu compatriota, mas que não chegou a treiná-lo anteriormente. A experiência do capitão da seleção chilena será válida no elenco do Betis, embora a concorrência pela titularidade com Joel Robles não seja tão simples, considerando também a rodagem e a idade do titular. De qualquer forma, é na Espanha onde Bravo atravessou os momentos mais reconhecidos de sua carreira por clubes.

O contrato de um ano indica a transitoriedade e também o risco diluído ao Betis. Mas, diante do que Bravo pode representar, parece um negócio interessante aos verdiblancos. Após temporadas em que o clube rendeu abaixo do esperado, mesmo contando com bons nomes no elenco, a expectativa é que Pellegrini realmente promova um salto. O goleiro vem para dar um empurrão, num mercado por enquanto modesto dos béticos – que só inclui, além dos que voltam de empréstimo, a vinda do lateral Martín Montoya sem custos. Ainda é pouco para cravar uma evolução no Benito Villamarín. Mas a Bravo, sem dúvidas, é uma porta que se abre para recuperar um pouco do prestígio de outrora.