O futebol inglês anunciou a contratação de duas promessas do futebol italiano em uma semana. Após o Wolverhampton confirmar a chegada de Patrick Cutrone, 21 anos, do Milan, por € 17,5 milhões, o Everton concretizou a transferência de Moise Kean, 19, ex-Juventus, por um valor inicial de € 32 milhões, com variáveis que podem fazê-lo chegar a € 40 milhões.

Dois negócios não representam uma tendência, nem confirmam hipóteses, mas, aparecendo juntos, é inevitável se perguntar porque continuarão suas carreiras em clubes de meio de tabela da Inglaterra do que em gigantes da Itália. Ao montar uma de suas convocações, em setembro do ano passado, Roberto Mancini, selecionador italiano, inseriu uma série de jovens e justificou que precisava observá-los de perto porque os clubes do país não estavam tendo coragem de colocá-los em campo.

“A utilização de jogadores italianos nunca esteve tão baixa e, portanto, precisamos inventar alguma coisa. Por essa razão, chamei certos jogadores. Porque acredito que são italianos muito bons, certamente melhores do que muitos estrangeiros que estão jogando no lugar deles”, afirmou. Um deles era Nicolò Zaniolo, enviado pela Internazionale à Roma e que faria seu primeiro jogo entre os adultos alguns dias depois.

“No passado, vários de seus semelhantes já atuavam por grandes clubes e isso precisa acontecer hoje em dia também. Acontece em outros países. Ele fez parte do time que chegou à final do Europeu sub-19. Então por que não pode jogar na primeira divisão?”, questionou Mancini. Dados da agência Ansa publicados pelo New York Times mostravam que, àquela altura, apenas 30% dos jogadores da Serie A eram elegíveis para a Itália, contra 60% doze anos antes.

Cutrone apresentado pelo Wolverhampton (Foto: Getty Images)

Cutrone estreou pelo Milan atuando cinco minutos contra o Bologna, no fim da temporada 2016/17. Nos dois anos seguintes, entrou bastante em campo, um total de 86 partidas por todas as competições, mas muitas delas como reserva. Foram 4.590 minutos, o que dá 51 partidas completas. Fez 27 gols, uma média bem razoável. No Wolverhampton, a boa notícia é que Nuno Espírito Santo costuma usar dois atacantes e o time mostrou na última temporada, apesar da boa campanha, que precisa de gols. Disputará posição com Diogo Jota e Raúl Jiménez.

E não passou despercebido pela torcida do Milan o fato de a diretoria ter vendido uma prata da casa, por um valor relativamente baixo, para contratar outro moleque que por enquanto apenas promete, quase pelo dobro. Com problemas no Fair Play Financeiro, a quantia recebida por Cutrone ajudou a equilibrar a compra de Rafael Leão, do Lille, mais jovem que Cutrone e com menos experiência ainda no profissional – 31 jogos pelos franceses e pelo Sporting.

Moise Kean, mais jovem, colecionou seus primeiros minutos pela Juventus também na temporada 2016/17. Foi emprestado ao Verona na seguinte e uma lesão encerrou o seu ano mais cedo. Na última campanha, fez apenas 17 jogos pela Velha Senhora, sendo 13 na Serie A e apenas seis como titular. Marcou 7 gols. Chega para ser um dos atacantes que o Everton estava procurando. Pode formar a dupla de pontas com Richarlison ou mesmo atuar no comando de ataque.

“Eu me convenci a assinar com o Everton porque é um clube olhando para o futuro, e eu também. Eu conheço o tamanho do clube. Tem muita ambição e trabalharei muito duro para ajudá-lo a cumprir o que queremos alcançar. Estou acostumado a vencer e quero trazer essa atitude vencedora para o time”, afirmou o garoto de 19 anos que participou marginalmente dos sucessos da Juventus nos últimos anos.

Foi a quinta contratação do Everton nesta temporada. Depois de Jonas Lössl, André Gomes e Fabian Delph, Jean Philippe-Gbamin foi trazido do Mainz para substituir Idrissa Gueye.