Paris tem 2,2 milhões de habitantes, em um total de 12,1 milhões em toda a sua região metropolitana. Quem gosta de futebol na capital francesa, entretanto, possui pouquíssimas opções para torcer. O Paris Saint-Germain é o caminho óbvio. Principal símbolo do esporte na cidade desde a década de 1970, a massa de simpatizantes ganhou combustível com o sucesso desfrutado nas últimas temporadas. Porém, aqueles que não aprovam o financiamento dos xeiques do Catar não têm muito para onde fugir. Ou melhor, não tinham. A partir de 2015/16, o futebol parisiense ganha força, com dois clubes conquistando acesso à Ligue 2.

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A região metropolitana até conta com o Créteil-Lusitanos, time da região metropolitana que viveu caindo e subindo à segunda divisão nas últimas décadas. Só que o apelo dos carneiros é parco, com média de público de apenas 2,3 mil pessoas nesta temporada. O verdadeiro coração de Paris não contava com um time na segundona desde 1999, quando o Red Star caiu. Já na primeira, a última opção além do PSG era o Racing Paris, rebaixado em 1989/90 e em espiral desde então, com o fim dos altos investimentos do grupo Matra. Durante 16 anos, restou aos parisienses “alternativos” se contentarem no máximo com a terceira divisão. Nesta temporada, para comemorarem as campanhas de Red Star e Paris FC.

Dono de uma excelente campanha, o Red Star garantiu o acesso com duas rodadas de antecedência e também ficou com a taça. O tradicional clube fundado por Jules Rimet foi uma das primeiras potências do futebol, cinco vezes campeão francês e fundador da Ligue 1. Todavia, os problemas financeiros relegaram os alviverdes ao semiprofissionalismo a partir da década de 1970, em contrapartida à ascensão do Paris Saint-Germain. Poucas gerações de torcedores sobreviveram a partir de então, mesmo com as aparições constantes na segundona até os anos 1990. Tanto que a média de público, embora tenha sido a quarta maior da terceirona, não chegou a dois mil espectadores por partida.

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O Paris FC, por sua vez, surgiu a partir de uma cisão do próprio PSG em 1971 e chegou a disputar a primeira divisão em seus primeiros anos, sem nunca engrenar. Relegado aos níveis menores, também não conseguiu atrair tantos simpatizantes. Mas cumpriu bem seu papel nesta edição da terceira divisão, voltando à Ligue 2 após 32 anos de ausência: com um empate, garantiu na última rodada a terceira vaga do acesso neste final de semana, uma posição à frente do tradicional Strasbourg. Por mais que as arquibancadas permanecessem vazias, com mil pessoas por rodada, em média.

O recorde de público da dupla aconteceu justamente no dérbi: mais de cinco mil espectadores viram a vitória do Paris no primeiro turno, em um jogo que também contou com algumas brigas do lado de fora do Estádio Charléty. Pensando no tamanho de Paris, os números são baixos. Ainda assim, o acesso em conjunto, prometendo dois grandes clássicos na Ligue 2, pode aumentar a repercussão. Especialmente com as possibilidades comerciais que o nível plenamente profissional pode trazer aos dois pequenos.

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Obviamente, o objetivo primordial tanto de Red Star quanto de Paris FC é se estabilizar na segunda divisão. No entanto, dá para tentar aproveitar o grande potencial que ambos possuem. Por mais que a repercussão nem se aproxime do PSG, a alternativa ganha força. Para quem sabe, com trabalhos consistentes e contas em dia, render um novo dérbi parisiense na primeira divisão após mais de 25 anos. Há um mercado enorme a se explorar, e especialmente a tradição do Red Star pode ajudar bastante.