Santa Marta é uma cidade histórica para o futebol da Colômbia. Por lá, nasceram alguns ícones da seleção cafetera, como Anthony de Ávila e Radamel Falcao García. Nenhum deles, porém, possui o nível de adoração experimentado por Carlos Valderrama. Seu pai atuou profissionalmente na região, enquanto o Pibe desabrochou com a camisa do Unión Magdalena. Não jogou por tanto tempo no clube, mas sempre fez questão de exibir o orgulho local por toda a carreira. Não à toa, ganhou uma estátua bem em frente ao Estádio Eduardo Santos, o mais tradicional da cidade. E toda essa cultura boleira estará valorizada a partir da próxima edição do Campeonato Colombiano. O Unión Magdalena demorou 13 anos, mas retornou à elite da liga local.

A história do Unión Magdalena, afinal, possui momentos históricos anteriores à ascensão de seus filhos queridos. O clube começou a disputar o Campeonato Colombiano nos anos 1950 e, na década seguinte, se tornaria o primeiro representante da região do Caribe a erguer a taça. O histórico time de 1968 misturava jogadores locais e paraguaios, dirigidos pelo técnico guarani Vicente Sánchez. O Ciclón Bananero derrotou o Deportivo Cali na decisão. E mesmo que os anos seguintes não tenham sido tão gloriosos, a equipe seguiu figurando na primeira divisão. Ainda fez boa campanha em 1989, chegando ao quadrangular final, embora aquela edição da liga tenha sido cancelada pelo assassinato do árbitro Álvaro Ortega – a mando do Cartel de Medellín.

Os problemas do clube começaram a se evidenciar nos anos 1990. Na virada do século, o Unión Magdalena sofreu o seu primeiro rebaixamento. Retornou em 2001, mas voltou a cair em 2005, atravessando uma década de penúrias. O time encarou sérias dificuldades financeiras e até cogitou-se uma mudança de cidade, enquanto passou um período atuando em Riohacha durante a reforma de seu estádio. Todavia, no gargalo que é o acesso colombiano, não havia muitas alternativas além de lutar por uma ou duas vagas na elite. O empenho finalmente deu resultado nesta temporada, com a promoção confirmada nesta quarta.

Após terminar com a segunda colocação na fase de classificação, o Unión Magdalena triunfou no quadrangular semifinal. Sobrou em um grupo que também possuía Deportivo Pereira, Deportes Quindío e Valledupar. A promoção aconteceu com uma rodada de antecedência, no Estádio Sierra Nevada. Já na outra chave, quem festejou foi mais um clube histórico: o Cúcuta Deportivo. Campeões nacionais na década passada, os rubro-negros não disputavam a elite desde 2015. Puderam celebrar o retorno diante do Estádio General Santander lotado, ao baterem o Llaneros.

Agora, Unión Magdalena e Cúcuta disputarão o título da segunda divisão. E dá para imaginar que o Ciclón Bananero possa ter bases mais duradouras para se manter na elite. Um dos trunfos é o recém-inaugurado Sierra Nevada, um estádio para 18 mil pessoas que oferece uma boa estrutura aos anfitriões. Além disso, há o investimento em jogadores rodados. A história mais bacana é a de David Ferreira, meio-campista com passagens pelo Atlético Paranaense e pela seleção. Nascido na cidade, o veterano de 39 anos capitaneou o retorno do Ciclón Bananero à primeira divisão. Terão a chance de fazer o clássico contra o Junior de Barranquilla, seu tradicional rival, que vem em uma fase muito mais prolífica. Quem sabe, para que a rivalidade ajude a impulsionar o futebol caribenho.