Já tinham sido 14 cobranças de pênaltis nas redes quando Luciano Narsingh carimbou o travessão. Não estremeceu apenas a meta, assim como todo o Vicente Calderón. Para quem considera a paixão uma condição inegociável, Diego Simeone fez jus às suas crenças: chamou a torcida para vibrar junto com o seu time. E coube a Juanfran converter o chute derradeiro, que garantiu a vitória do Atlético de Madrid por 8×7 nas penalidades, após 210 minutos de placar zerado. Finalizou com emoção um duelo que, apesar da falta de gols, havia sido bastante intenso em Madri. Uma noite digna de Liga dos Campeões.

Se a vaga nas quartas de final acabou definida nos pênaltis, muito se deve à grande atuação de ambos os goleiros. Jeroen Zoet já tinha sido o protagonista em Eindhoven, e suportou o bombardeio no Calderón. Enquanto isso, do outro lado, Jan Oblak precisou trabalhar menos. Mas também se fez vital diante das claras oportunidades criadas pelo PSV ao longo dos 120 minutos. Foram brilhantes diante da garra de ambos os times com a bola rolando.

Pela escalação, poderia se esperar um PSV defensivo, com Phillip Cocu indicando a cautela. No entanto, os holandeses tentaram buscar um gol logo nos primeiros minutos. O tento que garantiria maior tranquilidade após o 0 a 0 na Holanda. O retorno de Luuk de Jong ao comando do ataque aumentava a confiança dos Boeren, com um homem de referência com qualidade técnica e faro de gol. Mas, apesar dos apuros, o Atlético conseguiu se safar dos perigos criados inicialmente pelos visitantes.

 

Além disso, o PSV se recompunha muito bem na defesa. Por mais que insistisse, o Atleti tinha poucos espaços para conseguir finalizar. E quando as brechas se abriam, Zoet aparecia para salvar. Aos 15 minutos, o camisa 1 operou um grande milagre no mano a mano com Antoine Griezmann. O lance pareceu fortalecer os colchoneros, dominando a posse de bola. Ainda assim, os Boeren aguardavam os contra-ataques e assustavam bem mais quando chegavam, explorando a velocidade pelos lados. Quando precisou intervir, Oblak foi perfeito para interceptar um cruzamento que se sugeria mortal.

Já no segundo tempo, quando Simeone mandou Fernando Torres a campo e tentou imprimir uma postura mais agressiva no Atlético, o PSV criou a oportunidade mais clara do jogo. Oblak voou para espalmar o arremate de Jürgen Locadia, que ainda tocou no poste, antes de Filipe Luís salvar na pequena área, quando De Jong tentou aproveitar o rebote. O lance evidenciava o jogo dos holandeses e deixou o Atlético um pouco menos exposto aos ataques rápidos. Ainda assim, quando o time insistia, Zoet atrapalhava.

O tempo causava a apreensão do Atleti. Afinal, o PSV complicaria muito se marcasse não só no tempo normal, como também na prorrogação, já que o placar agregado se estende ao tempo extra nas regras da Uefa. Era buscar o gol, mas não se abrir demais. Tanto que Yannick Ferreira Carrasco saiu para Matías Kranevitter dar um pouco mais de equilíbrio ao meio.  Na base da insistência, quando teve um pouco mais de abertura, Fernando Torres quase fez o gol da classificação aos 40, em chute forte que parou em Zoet. Já do outro lado de campo, os holandeses tentavam sufocar na troca de passes quando pegavam a bola, mas demoraram a chutar e não acertavam o alvo.

 

Na prorrogação, o ritmo do jogo caiu um pouco. O Atlético precisava se resguardar, ainda mais depois que Diego Godín saiu mancando para a entrada do novato Lucas Hernández, em seu décimo jogo pela equipe principal. Phillip Cocu esperava um espaço que fosse fatal, especialmente após a entrada de Lestienne no fim do tempo regulamentar. Não aconteceu. A melhor chance veio em um chute de Guardado que saiu ao lado da meta de Oblak. O destino do jogo era mesmo as penalidades.

Na marca da cal, por fim, os batedores impressionaram pela precisão. Ou pela sorte, balançando as redes até mesmo quando Oblak e Zoet triscavam na bola. Após nove cobranças certas, Fernando Torres teve o peso da responsabilidade, mas bateu com leveza e manteve a disputa das alternadas. Na terceira série, Narsingh carimbou o travessão. E Juanfran pôde permitir ao Calderón cantar mais alto.

Apesar da decepção, o PSV pode deixar a Champions de cabeça erguida. Especialmente pela maneira como soube trabalhar o jogo nesta terça. O Atlético, por sua vez, sente o alívio pela classificação, mas recebe um aviso. Os colchoneros têm claras dificuldades para trabalhar em jogos nos quais são amplamente favoritos. E, quando o gol não sai, o apuro se evidencia. Ao menos, nas próximas etapas, as chances de pegar um adversário que fique com a bola e permita aos colchoneros imprimirem o seu estilo é maior. Ainda que não deva eximir a torcida de novos sofrimentos.