No futuro, quando se montarem os melhores times de todos os tempos do Chelsea, dificilmente alguém se lembrará do nome de John Obi Mikel. Mas basta olhar para qualquer conquista registrada ao longo da última década que o nigeriano estará lá. Em 10 anos que defendeu os Blues, o meio-campista conquistou 11 títulos. E, mesmo como coadjuvante, foi parte importante na maioria deles. Chegou aos 19 anos, como uma aposta, trazido do futebol norueguês. Logo se tornou uma certeza de trabalho duro e dedicação para que os companheiros pudessem brilhar. Foram 374 jogos a serviço dos londrinos.

Nesta temporada, Mikel não estava mais nos planos de Antonio Conte. Por isso mesmo, sua transferência para o Tianjin Teda, da China, faz todo o sentido. E o volante demonstrou o seu carinho com os Blues na emotiva carta de despedida publicada nesta sexta. Aos 29 anos, vai ganhar os seus milhões no futebol chinês. Mas com a certeza de que o seu nome está gravado na história de Stamford Bridge:

“A minha família no Chelsea,

Depois de 10 anos, 374 partidas e 11 títulos, é hora de dizer adeus.

Por onde começo? Eu cheguei ao Chelsea como um garoto de 19 anos, vindo do Campeonato Norueguês, fazendo minha estreia na Community Shield. Eu me despeço como campeão inglês, campeão europeu e orgulhoso capitão de minha seleção.

Jogar na Premier League, a melhor do mundo, é a ambição de qualquer futebolista profissional. Mas jogar no Chelsea, se tornar parte da família do Chelsea, trabalhar com alguns dos melhores técnicos e jogadores do mundo, foi verdadeiramente uma honra.

Cada conquista que eu participei na minha passagem pelo Chelsea traz consigo uma memória especial: meu primeiro gol contra o Macclesfield em 2007 (embora existam apenas outros cinco além desse!), o final emocionante da temporada 2010, assegurando o título no último dia, marcando um recorde de 103 gols na campanha e conquistando a FA Cup uma semana depois. O gol de Didier na prorrogação contra o Manchester United na final da Copa da Inglaterra em 2007. Bater nossos dois maiores rivais de Londres em finais de Copa da Liga. Vencer a Liga Europa, em Amsterdã, com um dos meus últimos chutes no jogo.

E então há Munique. Nós estávamos desesperados para superar o desapontamento de 2008, mas perdendo a dois minutos do fim, contra o Bayern, na casa deles, parecia que outra vez a sorte estava contra nós. Mas, naquela noite, com leões em nosso peito e a torcida nos apoiando, nós lutamos. Apareceu Didier, o resto é história e, até hoje, continuamos orgulhosos por ser o único clube de Londres com uma Champions.

Nada disso seria possível sem um grande apoio do clube. Ao mister Abramovich, à comissão técnica e aos técnicos com quem joguei no Chelsea, queria dizer muito obrigado.

Mas o meu maior agradecimento precisa ir aos torcedores Blues. Vocês me trouxeram à família do Chelsea, cantaram meu nome e estiveram conosco a cada passo da caminhada. Obrigado pela torcida, em noites como a de Munique. Vocês fizeram possível o impossível.

Como vocês sabem, eu não joguei tanto nesta temporada quanto eu queria e, aos 29 anos, tenho uma carreira longa ainda pela frente. Com essa mentalidade, sinto que é tempo de procurar um novo desafio. Estou feliz em me juntar ao Tianjin Teda, em um momento no qual o Campeonato Chinês está decolando, e procurarei ajudá-los a crescer.

A cada um no Chelsea, adeus e obrigado. Vocês sempre serão parte do que eu sou e espero a melhor sorte possível. Não poderia estar mais feliz em me despedir quando o clube voltou ao lugar que é seu, o topo da liga.

Mantenham a bandeira azul voando alto!”.