O suíço Gianni Infantino pinta como um dos principais candidatos à presidência da Fifa, em eleição que acontecerá no dia 26 de fevereiro. Nesta terça, quem anunciou apoio a Infantino, atual secretário-geral da Uefa, foi a ECA (European Club Association, Associação de Clubes Europeus em português). E está uma responsabilidade grande para o candidato, porque os clubes estão, há muito tempo, em cabo de guerra com as seleções.

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A ECA é uma das entidades mais fortes da Europa. Representa mais de 200 clubes, entre eles todos os mais poderosos do continente, como Real Madrid, Barcelona, Bayern de Munique, Juventus e tantos outros. Se fala, por exemplo, em uma Super Liga de Clubes da Europa, uma ameaça que já aconteceu no final dos anos 1990 e resultou em uma expansão da Championjs League.

“Nós conhecemos Gianni muito bem. Ele tem sido instrumental na criação de um relacionamento entre Uefa e ECA”, afirmou o vice-presidente da ECA, Umberto Gandini, que também é diretor do Milan. “Nós vemos a sua candidatura como uma boa oportunidade para ele, que esperamos que irá beneficiar o futebol no mundo todo. Ele tem as habilidades para ter um bom desempenho”, continuou o dirigente.

Além da ideia de fortalecer uma competição com os grandes clubes, há também reclamações sobre os jogos de seleções. O presidente da Juventus, Andrea Agnelli, que é também membro da diretoria da ECA, foi um dos que falou sobre isso. Ele reclamou que os jogadores passam tempo demais jogando pelas suas seleções ao longo do ano. A ECA, como entidade, não apoiou as afirmações de Agnelli, mas disse que esse deve ser um dos assuntos em discussão nas reuniões da entidade.

A ECA também se pronunciou em dezembro sobre as ideias de uma possível expansão da Copa do Mundo, ideia que o próprio Infantino chegou a cogitar. A entidade declarou em notas ter ficado insatisfeita por não ter sido convidada a participar do processo de reforma da Fifa. Por isso, os comunicados sobre o assunto divulgados pela ECA foram bastante críticos em relação à reforma da Fifa, dizendo que “não acredita que o processo seria capaz de criar um modelo de governança sustentável que se encaixe no século 21”. A ideia de 40 seleções na Copa desagrada aos clubes.

Com todo esse contexto é que precisamos olhar para o apoio da ECA a Infantino. A entidade de clubes irá continuar pressionando por menos jogos de seleções, por mais poder (e dinheiro) aos clubes. E muitas das lutas da ECA são justas, mas, claro, ela irá sempre puxar para beneficiar mais e mais os clubes e menos as seleções. O apoio a Infantino tem a ver com isso. E pode ter certeza que se o suíço for eleito, essa será uma cobrança.

Vale lembrar também que o apoio da ECA é simbólico, porque os clubes não têm poder de voto na eleição da entidade. Só as 209 federações nacionais votam. Seja como for, a voz da ECA ecoa forte no mundo.

Além de Infantino, concorrem ao cargo de presidente da Fifa o presidente da AFC, xeique Salman Bin Ebrahim Al Khalifa, do Bahrein; o príncipe da Jordânia, Ali Bin Al Hussein, também presidente da federação da Jordânia; o ex-secretário-geral da Fifa, Jérôme Champagne; e o empresário sul-africano Tokyo Sexwale, ex-prisioneiro político no Aparthaid da África do Sul.