A disputa para sediar a Copa do Mundo em 2023 estava acirrada. O sucesso da Copa em 2019, na França, com altos índices de audiência mundial para o futebol feminino, despertaram o interesse de muitos países. Brasil e Japão já tinham desistido e a Colômbia ganhou apoio da Uefa nos últimos dias, mas não teve jeito: Austrália e Nova Zelândia, favorita e candidatura melhor avaliada pela Fifa, venceu a disputa e receberá o Mundial Feminino. Será a primeira vez que a Oceania receberá uma Copa do Mundo de categoria principal – já recebeu competições mundiais de base no masculino.

Quatro candidaturas oficializaram o interesse em sediar o evento, depois de uma Copa do Mundo de 2019 que foi um sucesso em audiência e em repercussão, inclusive com ações de marketing. A Nike, por exemplo, teve um aumento de 200% nas vendas das camisas femininas. Com tudo isso, Japão, Brasil, Colômbia e Austrália/Nova Zelândia queriam receber a próxima edição do evento. Aos poucos, porém, a disputa se polarizou.

O Brasil foi o primeiro país a desistir por não ter garantias financeiras do governo federal. Depois, foi a vez do Japão desistir, entre outras coisas, porque viu que o Brasil – e a Conmebol como um todo – passou a apoiar a candidatura colombiana. Os sul-americanos eram claramente zebras diante do favoritismo de Austrália/Nova Zelândia. Ainda mais com o relatório da Fifa que os apontava como mais fortes candidatos a vencer a disputa.

A votação para a escolha da sede da Copa do Mundo Feminina é feita com votos do Conselho da Fifa, composto por 37 membros. Dois deles não puderam votar, por estarem diretamente envolvidos na disputa: Johanna Wood, da Nova Zelândia; e Ramón Jesurún, da Colômbia. O total de votos, portanto, era de 35.

Tudo indicava que a candidatura neozelandesa e australiana levaria com sobras a disputa. Só que nos últimos dias, o cenário mudou. Delegados da Uefa que fazem parte do Conselho da Fifa pareceram dar força para a candidatura colombiana depois que dois deles criticaram o relatório técnico da Fifa. No documento, a entidade máxima do futebol deu nota 4,1 de um total de 5 para a Nova Zelândia/Austrália e 2,8 para a Colômbia. Além disso, os membros da Uefa argumentaram que a Copa do Mundo Feminina, por ser considerado um “torneio de desenvolvimento”, deveria ir para a Colômbia.

A Austrália começou a sua campanha para sediar o evento no dia 8 de julho de 2019, um dia depois da final da Copa do Mundo na França. A Nova Zelândia se juntou à candidatura em dezembro. O planejamento conjunto criou uma candidatura robusta, mas que tinha como ponto negativo nunca ter recebido um evento desta magnitude. Os dois países já receberam competições de base. A Austrália sediou a Copa da Ásia Masculina.

As nações vizinhas fizeram uma campanha bem-sucedida que envolveu o recrutamento de 800 mil apoiadores públicos para a sua equipe, o que mostrava um apoio das pessoas para receber o evento. Além disso, foi enviada uma carta conjunta ao Conselho da Fifa assinada pelo primeiro-ministro da Austrália, Scott Morrison, e da primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Adern, dois dias antes da votação. Os dois políticos prometeram “criar um legado profundo e duradouro para o futuro do futebol feminino na região e fora dela”.

Na hora da votação, como era esperado, Conmebol e Uefa se uniram e votaram na Colômbia. Aqui é importante lembrar que as duas confederações possuem um acordo de troca de conhecimento, que envolve o futebol feminino. Só que a Confederação Asiática de Futebol (AFC), da qual a Austrália faz parte, apoiou publicamente a candidatura de australianos e neozelandeses. Com sete dos 35 votos, já foi um salto em vantagem.

Com o apoio de todos os membros da Confederação Africana de Futebol (CAF), que totaliza sete votos, e da Concacaf, com cinco, a vantagem já parecia grande demais. Os dois votos da Oceania, claro, se somaram a estes, totalizando 21. O presidente da Fifa, Gianni Infantini, engrossou a votação, chegando a 22. Somados, Uefa e Conmebol tinham 13 votos. Não foi suficiente. Austrália e Nova Zelândia, assim, venceram a disputa e receberão, pela primeira vez, uma Copa do Mundo principal, seja masculina ou feminina.

Por enquanto, fica para 2027 o sonho de receber uma Copa do Mundo Feminina na América do Sul. Mas isso ainda está muito distante para planejar.

Como votaram os membros do Conselho da Fifa

Dados extraídos do documento da entidade

Gianni Infantino (Suíça, presidente da Fifa): Austrália/Nova Zelândia

Salman Bin Ibrahim Al-Khalifa (Bahrein, AFC): Austrália/Nova Zelândia
Saud Abdulaziz Al Mohannadi (Catar, AFC): Austrália/Nova Zelândia
Mahfuza Akhter (Bangladesh, AFC): Austrália/Nova Zelândia
Mariano Araneta (Filipinas, AFC): Austrália/Nova Zelândia
Praful Patel (Índia, AFC): Austrália/Nova Zelândia
Du Zhaocai (China, AFC): Austrália/Nova Zelândia
Kozo Tashima (Japão, AFC): Austrália/Nova Zelândia

Aleksander Ceferin (Eslovênia, Uefa): Colômbia
Greg Clarke (Inglaterra, Uefa): Colômbia
Sándor Csányi (Hungria, Uefa): Colômbia
Evelina Christillin (Itália, Uefa): Colômbia
Fernando Gomes (Portugal, Uefa): Colômbia
Georgios Koumas (Grécia, Uefa): Colômbia
Noël Le Graët (França, Uefa): Colômbia
Dejan Savićević (Montenegro, Uefa): Colômbia
Alexey Sorokin (Rússia, Uefa): Colombia

Ahmad Ahmad (Madagascar, CAF): Austrália/Nova Zelândia
Tarek Bouchamaoui (Tunísia, CAF): Austrália/Nova Zelândia
Almamy Kabele Camara (Guiné, CAF): Austrália/Nova Zelândia
Lydia Nsekera (Burundi, CAF): Austrália/Nova Zelândia
Walter Nyamilandu (Malawi, CAF): Austrália/Nova Zelândia
Constant Omari (República do Congo, CAF): Austrália/Nova Zelândia
Hany Abo Rida (Egito, CAF): Austrália/Nova Zelândia

Victor Montagliani (Canadá, Concacaf): Austrália/Nova Zelândia
Sonia Bien-Aime (Ilhas Turcos e Caicos, Concacaf): Austrália/Nova Zelândia
Pedro Chaluja (Panamá, Concacaf): Austrália/Nova Zelândia
Sunil Gulati (Estados Unidos, Concacaf): Austrália/Nova Zelândia
Luis Hernandez (Cuba, Concacaf): Austrália/Nova Zelândia

Alejandro Domínguez (Paraguai, Conmebol): Colômbia
Ramón Jesurún (Colômbia, Conmebol): IMPEDIDA DE VOTAR
Maria Sol Muñoz (Equador, Conmebol): Colômbia
Fernando Sarney (Brasil, Conmebol): Colômbia
Ignacio Alonso (Uruguai, Conmebol): Colômbia

Lambert Maltock (Vanuatu, OFC): Austrália/Nova Zelândia
Rajesh Patel (Fiji, OFC): Austrália/Nova Zelândia
Johanna Wood (Nova Zelândia, OFC): IMPEDIDA DE VOTAR

Fifa aumenta orçamento do futebol feminino

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, também anunciou um aumento do orçamento para melhorar o futebol feminino. “Nós decidimos colocar US$ 1 bilhão para o desenvolvimento do futebol feminino nos próximos quatro anos”, afirmou o dirigente. “Nós vivemos uma Copa do Mundo Feminina fantástica no ano passado. Quebrou todos os recordes. Isso trouxe o futebol feminino a um cenário verdadeiramente global”.

Estádios a serem utilizados

Os dirigentes de Austrália e Nova Zelândia mostraram satisfação com o resultado do processo de escolha. “Não será apenas a primeira Copa do Mundo Fifa dividida em duas confederações e a primeira Copa do Mundo na região Ásia-Pacífico, mas nós iremos desbloquear o enorme potencial para crescimento no futebol feminino na região da Ásia-Pacífico”, afirmou Chris Nikou, presidente da Federação de Futebol da Austrália (FFA).

“Nós acreditamos que nos deram um tesouro e nós iremos atrás deste tesouro. Nós iremos trabalhar para colocar o futebol feminino ainda mais à frente e ainda mais no centro do cenário mundial”, declarou a presidente da Federação Neozelandesa de Futebol, Johanna Wood.

 

São oito estádios na Austrália:

  • Stadium Australia, Sydney (final), capacidade: 70.000
  • Sydney Football Stadium, capacidade: 42.512
  • Melbourne Rectangular Stadium, capacidade: 30.052
  • Brisbane Stadium, capacidade: 52.263
  • Perth Rectangular Stadium, capacidade: 22.225
  • Hindmarsh Stadium, Adelaide, capacidade: 18.435
  • Newcastle Stadium, capacidade: 25.945
  • York Park, Launceston, Tasmania, capacidade: 22.065

Serão outros cinco estádios na Nova Zelândia:

  • Eden Park, Auckland (abertura), capacidade: 48.276
  • Wellington Stadium, capacidade: 39.000
  • Christchurch Stadium, capacidade: 22.556
  • Waikato Stadium, Hamilton, capacidade: 25.111
  • Dunedin Stadium, capacidade: 28.744