O São Paulo arrancou mais uma vitória improvável no Campeonato Brasileiro. Na difícil sequência que tinha depois da Copa, venceu três dos seus quatro jogos – Flamengo, Corinthians e agora o Cruzeiro. Perdeu apenas do Grêmio, fora de casa. Aliás, duas das três vitórias foram fora de casa. Neste domingo, o time do técnico Diego Aguirre fez o que tem sido sua característica: se defende muito e faz uma transição sempre muito rápida da defesa para o ataque. É um time que tenta aproveitar ao máximo as chances. Venceu o Cruzeiro por 2 a 0, mesmo com o time mineiro ficando mais tempo no ataque, chutando mais a gol e tendo mais posse de bola.

LEIA TAMBÉM: Com mais movimentação e aproximação dos jogadores, Flamengo teve volume ofensivo para golear Sport

No posicionamento médio, só três jogadores do Cruzeiro ficaram atrás do meio-campo: o goleiro Fábio e os zagueiros Léo e Dedé. Edilson, Henrique, Ariel Cabral e Egídio ficaram, na média no meio-campo. Todos os demais estavam posicionados mais à frente. No São Paulo, o contrário: só três jogadores tiveram posicionamento médio à frente do meio-campo: Rojas, Nenê e Diego Souza. Mesmo Éverton, teoricamente o ponta esquerda, na média estava na linha do meio-campo.

O São Paulo se defende com a defesa bem atrás, chamando o adversário para criar espaço para os contra-ataques rápidos que o time tenta fazer. O time teve dois contra-ataques no jogo, os dois convertidos em gol. No total, foram 14 chutes a gol do Cruzeiro contra nove do São Paulo. A diferença não é bem o volume, é a eficácia. Os cruzeirenses só acertaram três chutes no alvo. Os são-paulinos acertaram quatro, com bem menos chutes. Além dos gols de Diego Souza, no primeiro tempo, e Éverton, no segundo, Reinaldo também acertou o gol – justamente no lance do segundo gol, quando ele chuta, pega o rebote e toca para Éverton. Anderson Martins também acertou uma finalização no alvo.

O Cruzeiro teve chances para marcar até mais de um gol. A mais óbvia era o pênalti, que Hernán Barcos chutou na trave. Giorgian De Arrascaeta foi quem mais tentou: cinco chutes, com dois deles no alvo, exigindo defesas de Sidão. O goleiro fez três defesas ao longo do jogo. Na defesa do São Paulo, vale destacar Reinaldo. O lateral fez quatro desarmes, Bruno Alves, substituto de Arboleda, fez três, e Anderson Martins fez dois. Rojas, atacante, fez outros dois.

A defesa do São Paulo conseguiu importantes interceptações ao longo do jogo, quesito onde Bruno Alves se destacou, com seis. Ele interrompeu ataques importantes do Cruzeiro, o que foi importante para o time. Os dois zagueiros estiveram muito bem também em bolas afastadas. Bruno Alves afastou sete, Anderson Martins afastou oito. Reinaldo E Araruna, os dois laterais, fizeram quatro cada.

No sistema de jogo do São Paulo, o time pode cometer poucos erros, sejam defensivos, sejam ofensivos. O time corre riscos e permite que o adversário troque muitos passes. Foram 510 passes do Cruzeiro no jogo, contra 387 do São Paulo. Ofensivamente, o São Paulo precisa ser muito mais efetivo do que a média para poder ter sucesso. E isso foi possível porque Reinaldo esteve muito bem. No primeiro gol, é ele quem puxa o contra-ataque, limpa a marcação e faz uma inversão longa para Rojas. O equatoriano tocou para Éverton e recebeu na frente, cruzando para Diego Souza marcar. No segundo gol, Rojas foi quem avançou pela direita, abriu para Reinaldo chutar, Fábio defender e Reinaldo, no rebote, rolar para Éverton marcar.

Assim como foi contra o Flamengo, o São Paulo consegue uma vitória fora de casa importante, mesmo cedendo chances para o rival. Foi muito eficiente, sai de campo com os três pontos e tem o que comemorar. Se contra o Grêmio faltou um pouco de equilíbrio ao sofrer o gol de empate, desta vez conseguiu alcança-lo. Em parte, graças a Éverton, que faz o equilíbrio defensivo muito bem pelo lado esquerdo, e Rojas, que torna o time muito perigoso a cada recuperação de bola.

O Cruzeiro não fez uma partida ruim, mas ofensivamente é o contrário do São Paulo em termos de eficiência. O São Paulo precisa de poucas chances para alcançar o gol, enquanto o Cruzeiro, mesmo com muitas chances, raramente consegue marcar. Defensivamente, o Cruzeiro é, junto com o Grêmio, o time que menos permite chutes do adversário, 9,7 em média por jogo. Ficou na média nesse jogo, sofrendo nove chutes.

O São Paulo é o sétimo nesse quesito, permitindo, em média, 11,9 por jogo. Desta vez, permitiu mais que a média, com 14. Curiosamente, o São Paulo é também quem tem uma média baixa de chutes a gol, 11,5 por jogo. Melhor apenas que Corinthians (10,7) e Chapecoense (11,3). O São Paulo é o segundo time que menos fica com a bola no Brasileiro, com 45,8% de posse de bola em média. Só fica acima do América Mineiro, por pouco (45,2%). Uma das poucas estatísticas que o time do São Paulo é líder é em duelos aéreos vencidos (21,6 em média por jogo).

Para ser campeão, provavelmente o São Paulo precisará melhorar também a forma como controla o jogo, mas tem conseguido um bom desempenho, mesmo ficando pouco com a bola. Éverton e Rojas ajudaram o time a chegar a um equilíbrio importante, que faltou ao time em Porto Alegre, na derrota para o Grêmio, quando o time buscou se defender muito, mas tinha pouquíssima saída para ao ataque. Eventualmente, terá um adversário que consiga furar o bloqueio, como Éverton fez pelo Grêmio. Desta vez, contra o Cruzeiro, pareceu mais pronto para atacar. Precisará melhorar ainda mais nesse aspecto.

Por um lado, o Cruzeiro precisa aumentar muito a sua eficiência em campo, especialmente no ataque. Por outro, o São Paulo precisa criar mais chances para não precisar de um índice de eficiência tão alto. Seja como for, o São Paulo de Diego Aguirre é um time, o que é uma evolução muito grande em relação ao que se viu nos últimos anos. Para as expectativas que o São Paulo tinha, brigar pelo título já é um grande avanço. Para o Cruzeiro, com dois anos de Mano Menezes, é preciso melhorar, mas o time está longe de jogar mal. Resta afinar o taco para conseguir marcar mais gols. O ataque celeste é muito ruim para o time do seu potencial.


Os comentários estão desativados.