A data de início do Campeonato Indiano das estrelas decadentes é 12 de outubro, o que torna urgente a definição de elencos, treinadores e comissões técnicas pelos oito times participantes – até o fechamento desse texto, apenas o Chennai Titans não havia definido o treinador e o atleta-destaque, chamado de marquee player. Jogadores famosos no exterior resolveram deixar de lado a aposentadoria para entrar em campo entre meados de outubro e de dezembro, o que certamente trará os holofotes ao ainda desconhecido futebol indiano. No meio de tanta gente de qualidade, como Alessandro Del Piero (Delhi Dynamos), Roberts Pirès (FC Goa), Frederick Ljunberg (Mumbai City), Luis Garcia (Atlético Kolkata) e David Trezeguet (FC Pune City), Zico é o mais célebre entre os comandantes.

O treinador brasileiro é certamente o profissional mais tarimbado a trabalhar na Indian Super League, mas isso está longe de significar carreira sólida, seja em nível nacional ou no exterior. Ninguém duvida que Zico foi um grande jogador e dispensa comentários, mas com a prancheta nas mãos a realidade é bem diferente.

O contrato com o FC Goa é válido por quatro meses (período da competição) e a esperança de Zico é Robert Pirès, que foi um grande jogador nos tempos de Arsenal e seleção francesa, mas já tem 40 anos e não atuava desde 2011, quando deixou o Aston Villa para se aposentar. Os outros estrangeiros do elenco são completamente desconhecidos e oriundos de times sem importância.

Os jogadores indianos são jovens com pouca experiência nas seleções de base da Índia. Ninguém jogou fora do país e o único experiente, o lateral-esquerdo Clifford Miranda, 32 anos, só havia atuado no Dempo SC e tem quase 50 convocações pela seleção principal. Robert Pirès e Zico não parecem ter forças para levar a uma boa campanha o time do bilionário Venugopal Dhoot (que em 2013 tinha R$ 1,25 bilhão em patrimônio, o 38º homem mais rico do mundo, de acordo com a Forbes). Resta saber qual será o resultado do FC Goa dentro de campo. Será que Zico vai continuar mantendo o nível conhecido dos últimos trabalhos?

Sem sucesso

Seu primeiro cargo importante foi na seleção do Japão, com a qual teve bom retrospecto. Título da Copa da Ásia 2004 e a classificação para a Copa do Mundo 2006. Saindo do cargo com 52% de aproveitamento, apesar do desempenho abaixo do esperado no Mundial da Alemanha, Zico treinou times medianos na Europa.

Sem chance de conquistar algo nos torneios continentais, Zico venceu o Campeonato Turco 2006/07 com o Fenerbahçe e alcançou a melhor campanha da história do clube na Liga dos Campeões, caindo nas quartas de final.  Já na Rússia, não levou a liga nacional, mas faturou a copa e a supercopa. No Bunyodkor, uma liga local e a copa. E, no Olympiakos, o Galinho de Quintino até classificou a equipe aos mata-matas da Champions, mas terminou demitido após quatro meses, em face dos maus resultados na liga nacional.

Os trabalhos medianos na carreira de treinador não impediram que a mediana seleção do Iraque contratasse Zico, na esperança de o brasileiro repetir com os iraquianos o que fizera anos antes no Japão. Zico chegou na terceira fase e colocou o Iraque na etapa final das eliminatórias para o Mundial 2014, com uma derrota em seis jogos – os adversários foram China, Cingapura e Jordânia.

Na fase final, porém, o Iraque não teve forças para enfrentar Austrália, Japão, Omã e Jordânia, ficando na lanterna, com apenas cinco pontos em oito jogos (uma vitória). Zico, porém, abandonou a seleção após cinco rodadas, alegando que a federação iraquiana não havia cumprido alguns termos do contrato.

Após quase um ano sem trabalhar como técnico, Zico aceitou em agosto de 2013 a proposta do Al Gharafa (Catar), que tinha o segundo elenco mais caro do Campeonato Catariano, o que o colocava como um dos favoritos na briga pelo título. As expectativas de um grande trabalho existiam, mas Zico novamente não conseguiu bons resultados…

Em janeiro de 2014, a direção do Al Gharafa anunciou que havia terminado o vínculo com o treinador brasileiro em um acordo entre as partes, eufemismo para demissão em razão dos maus resultados. O Al Gharafa tinha apenas duas vitórias nos últimos oito jogos na época, estando na oitava posição – terminou no mesmo lugar, com 32 pontos, 21 atrás do campeão Lekhwiya. Muita badalação e poucos resultados recentes.

Curtas

– Até o fechamento desta coluna, o marquee player especulado no Chennai Titans é Ronaldinho Gaúcho. Prashant Agarwal, um dos donos da franquia, desmentiu que os salários oferecidos ao jogador de 34 anos beirem os três milhões de dólares. Há especulação de que Florent Malouda também possa pintar na Indian Super League.

– Os jogadores brasileiros que já estão confirmados em alguns dos oito times são desconhecidos. Todos são oriundos das divisões de base do Atlético Paranaense, que fez parceria com as empresas organizadoras do torneio visando a futuras negociações comerciais. Os cinco atletas são Bruno Pelissari (Chennai Titans), Erwin Spitzner e Pedro Gusmão (Kerala Blasters), Gustavo Marmentini (Delhi Dynamos) e Guilherme Batata (North East United).