Mesmo sem “grife”, Keylor Navas está na história do Real Madrid como um dos goleiros mais importantes que o clube já teve. O costarriquenho conquistou três títulos da Champions League e, muitas vezes, carregou o time em partidas difíceis. Apesar do grande papel desempenhado pelo arqueiro, Florentino Pérez não demonstrou tanta consideração por Navas durante as mudanças internas na temporada passada, ao fazer um negócio midiático e comprar Thibaut Courtois após a Copa do Mundo. O futuro do veterano parece incerto e uma mudança de clube poderia fazer bem, mas não há nada de concreto. Enquanto isso, ele continua trabalhando duro e tentando sua volta por cima. Nesta terça, a derrota do Real por 1 a 0 contra o Tottenham, pela Copa Audi, só não foi pior graças às defesas de Navas.

A recuperação de Navas aconteceu em meio às polêmicas ao redor de Courtois. Na última semana, o belga foi flagrado dizendo que “não havia dúvidas sobre o titular”. Terminou vaiado durante o amistoso contra o Atlético de Madrid, tomou cinco gols apenas no primeiro tempo e saiu lesionado. Navas sofreu dois tentos, mas também evitou um saldo pior e se manteve como titular diante da contusão do colega. Já nesta terça, terminou com sobras como o melhor do Real diante do Tottenham na Allianz Arena. Tomou um gol, é verdade, muito por culpa do erro inacreditável de Marcelo – em recuo de bola que deixou Harry Kane de frente para o gol. Em contrapartida, também acumulou várias defesas que evitaram um placar mais elástico. Foram sete intervenções no total.

Neste momento, a maior esperança do Real Madrid se concentra nos novatos. Rodrygo começou como titular e levou certo perigo com suas arrancadas pela esquerda. Vinícius Júnior saiu do banco e entrou também pelo lado esquerdo do ataque, contribuindo com igual rapidez. E outro que não deve demorar a cair nas graças da torcida é Takefusa Kubo. Muito elogiado nesta pré-temporada, o japonês já deixou boa impressão em meros minutos em campo. Apesar disso, o momento parece realmente valioso a Navas. Seja para se colocar outra vez como candidato à titularidade, seja para descolar uma hipotética mudança nos dias finais da janela.

Aos 32 anos, a tendência é que Keylor Navas não demore a enfrentar o declínio de sua carreira, sobretudo pelo estilo explosivo sob as traves. Apesar de algumas falhas mais frequentes antes de ser preterido por Courtois, o costarriquenho não dava sinais concretos para se cravar se este era um mau momento ou realmente o início do ostracismo. Ao menos o retorno de Zinedine Zidane pode ser importante para o arqueiro garantir os créditos necessários e, quem sabe, ganhar um pouco mais de respeito por sua história. Qualidades não faltam, o que reluz exatamente em meio à crise dos madridistas.