A noite no Morumbi requeria discernimento. O São Paulo precisava perceber a seriedade da ocasião que enfrentava, diante do risco real de ser eliminado da Copa Libertadores. A ameaça continua. Mas os tricolores completaram a quarta partida na fase de grupos com o espírito revigorado. A vitória por 6 a 0 sobre o Trujillanos serve mais pela forma do que pelo conteúdo. Não pode enganar pelo adversário fraquíssimo que os são-paulinos enfrentaram. Ainda assim, deve motivar pelo ótimo futebol que o time de Edgardo Bauza apresentou. Depois de semanas difíceis, o clube tenta embalar. E a goleada serve como impulso para isso.

Os primeiros 25 minutos do São Paulo foram exemplares. Tudo bem que, diante de uma marcação tão inoperante, fica mais fácil de trabalhar. Mesmo assim, o Tricolor combinou bem as movimentações e os passes. A disposição de João Schmidt e Kelvin surpreenderam positivamente. Enquanto isso, Calleri desempenhou um excelente trabalho no comando do ataque, tanto para abrir espaços quanto para concluir. E Ganso, em mais uma boa atuação, ajudou a articular esse dinamismo. Arrancada que garantiu três gols de vantagem (com tentos de Calleri, Kelvin e João Schmidt) e reforçou a confiança do time. Já no segundo tempo, Calleri finalizou o show, com mais três tentos – um deles de pênalti, embora tenha perdido outro.

O desempenho esmagador do São Paulo mostra dois lados da moeda. Sim, o Trujillanos possui um dos piores times desta Libertadores. Mas os são-paulinos também foram incompetentes o suficiente para tropeçar na Venezuela. Por sorte, aquele empate não deixou tudo perdido. E a equipe percebeu a urgência de mostrar um futebol convincente. Conseguiu, mesmo que do outro lado o parâmetro seja baixíssimo. O placar elástico ajuda o saldo de gols dos brasileiros, ainda que o River Plate não deva fazer diferente na Argentina, depois de já ter enfiado quatro fora de casa. E também ressalta o potencial do ataque que não vinha sendo atingido, embora a defesa não tenha sido testada como precisa.

O São Paulo agora aguarda o resultado da visita do Strongest ao Monumental de Núñez, para saber o que necessita na sequência da campanha. Independente disso, se a torcida tricolor precisava de uma motivação para comparecer em massa no Morumbi no reencontro com o River Plate, ela está posta. A desenvoltura da equipe contribui para isso, por mais que, diante da ocasião fundamental e da partida de peso que se prometem, as arquibancadas devessem estar cheias de qualquer jeito. A pressão externa será importante contra os argentinos. Mas não mais que a qualidade e a energia demonstradas nesta terça, dentro de campo.