A vitória por 3 a 0 do Brasil sobre a Rússia trouxe mais alívio do que alegria a Tite. O jogo no estádio Luzhniki, que será o da final da Copa, teve todos os elementos que o treinador brasileiro queria: uma defesa marcando com cinco jogadores na primeira linha de marcação e um meio-campo congestionado. Diante desse desafio, o Brasil teve muita dificuldade e não conseguiu superar. Os gols vieram em duas bolas paradas no segundo tempo e, o terceiro, quando a defesa russa já estava desmontada. Como teste, valeu muito para o Brasil, justamente porque deixa um alerta sobre um problema que o time ainda não resolveu.

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Se a defesa com cinco jogadores atrás ainda preocupa muito Tite, houve algo de positivo: Douglas Costa. O jogador da Juventus teve uma ótima atuação, mostrando a qualidade que o colocava como um possível companheiro de Neymar no pós-Copa 2014. As lesões que o impediram de fazer parte do time de Tite e a inconstância até se encontrar na Juventus também foram dificuldades. Mas Douglas Costa mostrou a Tite que é uma ótima opção de jogo para o lugar de Neymar e até possivelmente do outro lado, na ponta direita. Ganhou pontos com o treinador.

Como esperado, a Rússia se defendia fortemente com cinco jogadores em linha atrás. Não dava espaços para o Brasil trocar passes perigosos na intermediária ofensiva. Não por acaso, poucas chances de gols na primeira etapa e muita, muita dificuldade. O Brasil teve duas chances de gols, e nenhuma delas clara. Gabriel Jesus foi lançado na área e finalizou fraco, para defesa do goleiro. Coutinho, em um chute característico da esquerda para o meio, também arriscou, mas não conseguiu levar perigo.

No início do segundo tempo, Douglas Costa recebeu bola recuperada, em um raro contra-ataque do Brasil no jogo, e avançou pela ponta esquerda, virou para a direita com Willian, que rolou para o meio para a chegada de Paulinho. O volante brasileiro finalizou em cima de Akinfeev, que fez a defesa. Uma grande chance perdida.

Antes dos 10 minutos, outra finalização perigosa do Brasil. Gabriel Jesus avançou pela direita e cruzou para Willian, que chegou chutando. A bola desviou na defesa russa e Akinfeev fez boa defesa, mandando para escanteio. Na cobrança de escanteio, o gol brasileiro. Thiago Silva subiu de cabeça, cabeceou e Akinfeev rebateu, mas Miranda estava lá para mandar para a rede: 1 a 0.

O Brasil jogava melhor e, aos 14 minutos, não chegou ao terceiro gol por mais uma chance perdida por Paulinho. Coutinho fez uma grande jogada pela direita, limpou o lance e chutou forte, cruzado. Paulinho, embaixo do gol, tocou torto e não mandou para o gol, acabou tirando a bola.

Logo em seguida, Paulinho estava em posição de novamente marcar o gol. Foi lançado nas costas da defesa e acabou puxado por Glushakov. Pênalti que Coutinho cobrou com categoria para marcar 2 a 0, aos 17 minutos.

O jogo já tinha mudado completamente a essa altura. A Rússia passou a errar muito e dar muito mais espaços. Assim, o Brasil, que já dominava a posse de bola, passou a ser muito mais perigoso nos ataques.

A Rússia teve uma grande chance aos 23 minutos. Depois de uma ótima jogada pela esquerda, Dzagoev, que tinha entrado pouco antes, recebeu no centro da área e finalizou para fora, desperdiçando a oportunidade.

Chegar ao terceiro gol pareceu até natural para o Brasil, porque a Rússia desmontou seu sistema defensivo com linha de cinco atrás. Willian fez boa jogada pela direita e cruzou para o meio onde Paulinho, totalmente livre e sem goleiro, quase embaixo do gol, cabeceou para as redes. Gol do 3 a 0.

Depois disso, o Brasil mudou o ritmo e o time. O que vimos depois foi a Rússia pressionar mais e quase chegou ao gol aos 31 minutos. Em um cruzamento para a área, Alisson saiu mal e Anton Miranchuk tocou por cima do goleiro, mas Thiago Silva estava quase em cima da linha para tirar. A bola ainda voltou para Zabolotnyi, que não conseguiu finalizar.

Os últimos minutos da partida serviram para os técnicos fazerem alterações. Tite, por exemplo, colocou em campo Renato Augusto, Fred, Taison, Firmino e Fagner. Todos eles tiveram pouco tempo para fazer algo em campo. Com isso, o jogo passou a ter pouco importante.

A conclusão que podemos tirar do jogo é preocupante. O Brasil deve enfrentar defesas tão fechadas quanto a da Rússia na Copa, talvez até com mais qualidade e mais organização. Nos dois testes contra equipes europeias com essa postura, o Brasil sofreu. Contra a Inglaterra, fez um jogo ruim. Contra a Rússia, fez uma partida melhor, mas o primeiro tempo foi de poucas chances, nenhuma clara e um jogo que teve o adversário bloqueando as ações brasileiras. Com espaço, no segundo tempo, conseguiu os gols. Muito pelo primeiro gol, em um escanteio. O time precisa produzir mais e melhor para não depender disso.

O Brasil fará um jogo completamente diferente com a Alemanha, na próxima terça-feira, em Berlim. Desta vez, não enfrentará a famosa linha de cinco defensores e, mais do que isso, terá um cachorro grande do outro lado. Com isso, o jogo tende a ser mais aberto. Um outro tipo de dificuldade. A defesa brasileira, pouco testada, deve ter mais trabalho. Além disso, o meio-campo terá mais batalhas pela bola, já que contra a Rússia isso não aconteceu.

FICHA TÉCNICA

Rússia 0x3 Brasil

Local: Estádio Luzhniki, em Moscou (RUS)
Árbitro: Aleksei Kulbakov (BLR)
Gols: Miranda, 7’/2T (Brasil)
Cartões Amarelos:
nenhum
Cartões Vermelhos:
nenhum

Rússia

Igor Akinfeev; Aleksandr Samedov (Igor Smolnikov aos 35’/2T), Vladimir Granat, Fyodor Kudryashov, Ilya Kutepov e Dmitri Kombarov (Yuri Zhirkov aos 31’/2T); Denis Glushakov (Anton Miranchuk aos 18’/2T), Roman Zobnin (Aleksandr Erokhin aos 40’/2T), Aleksey Miranchuk (Alan Dzagoev aos 8’/2T) e Aleksandr Golovin; Fedor Smolov (Anton Zabolotny aos 27’/2T). Técnico:

Brasil

Alisson; Daniel Alves (Fagner, 38’/2T), Thiago Silva, Miranda (Geromel, 40’/2T) e Marcelo; Casemiro, Paulinho (Renato Augusto, 26’/2T) e Philippe Coutinho (Fred, 36’/2T); Willian (Taison, 35’/2T), Gabriel Jesus (Roberto Firmino, 20’/2T) e Douglas Costa. Técnico: Tite