A participação da Atalanta na Liga dos Campeões rendeu uma novela um tanto quanto desnecessária. Diante da reforma do Estádio Atleti Azzurri d’Italia, os Orobici não poderiam jogar em sua casa durante a estreia na competição continental, já que não atenderiam todos os parâmetros da Uefa. Até aí, tudo bem. O San Siro tornou-se uma possibilidade para a Dea, sobretudo pela proximidade entre Bérgamo e Milão. Porém, grupos de torcedores do Milan (principalmente) e da Internazionale manifestaram o seu desagrado. A situação se arrastou, mas não adiantou bater o pé. A Atalanta realmente jogará no San Siro durante a fase de grupos, o que garantiu o expresso agradecimento do clube.

Jogar longe de casa nas competições europeias não é exatamente uma novidade à Atalanta. Também por conta da adequação do Atleti Azzurri d’Italia, o clube mandou suas partidas recentes na Liga Europa dentro do Estádio Mapei, casa do Sassuolo. Não havia qualquer resistência. A Champions, em contrapartida, exigia uma casa mais grandiosa para aproveitar a mobilização dos torcedores nerazzurri. O San Siro parecia mesmo a melhor escolha. E não será surpresa se o estádio se encher nas três partidas da fase de grupos. Contudo, os forasteiros precisariam de uma permissão para atuar no histórico estádio.

O prefeito de Milão foi o primeiro a dar boas vindas à Atalanta. A decisão, ainda assim, caberia a Milan e Inter. A torcida milanista, com quem os orobici não têm uma boa relação, tentou fazer resistência e o clube pareceu levar em consideração a insatisfação num primeiro momento. Todavia, logo cederia e daria a autorização. “Acreditamos que essa oportunidade é benéfica não apenas para a Atalanta, mas também para todo o futebol italiano, inspirada em valores como a hospitalidade, o respeito e o fair play”, declarou o time, à agência ANSA, no fim da semana.

A notícia foi muito bem recebida pela Atalanta, obviamente. Presidente do clube, Antonio Percassi escreveu uma carta de agradecimento: “Gostaria de agradecer a Inter, Milan e seus donos por essa oportunidade prestigiosa que nos foi concedida. Poder jogar no Giuseppe Meazza em nossa primeira participação na Champions nos enche de alegria e é uma enorme fonte de orgulho. Ser capaz de disputar a competição mais importante no San Siro representa algo realmente histórico à Atalanta. Faremos isso tentando honrar a oportunidade da melhor maneira e, acima de tudo, com um grande e sincero respeito pelos dois clubes e suas respectivas torcidas que, neste estádio, foram capazes de fazer história no futebol italiano e mundial”.

“Nossos sinceros agradecimentos também vão para a prefeitura da cidade de Milão e para o seu prefeito, Giuseppe Sala, que imediatamente aceitou nosso requerimento com grande esportividade. Finalmente, nosso obrigado se destina ao Sassuolo e seus donos, bem como à cidade de Reggio Emilia. Nas últimas duas temporadas, eles nos apoiaram com amizade, dando a nós a chance de jogar a Liga Europa no Estádio Mapei, sempre nos fazendo sentir em casa. Muito obrigado”, complementou o dirigente.

A resistência permanece entre os ultras de Milan e Inter. Mais do que a insatisfação de ver antigos rivais atuando em seu “templo”, a notícia vem dias depois do anúncio da demolição do estádio, algo que também incomodou a muitos. As duas curvas emitiram notas depois do anúncio. Enquanto os rossoneri apontaram que o pedido “ofendia os torcedores do clube”, os nerazzurri avaliaram que a escolha é “ditada por interesses e que atropela toda a lógica”.

Segundo pesquisa conduzida pela Gazzetta dello Sport, o percentual de milanistas contrários à decisão é três vezes maior que o de interistas – e, mesmo assim, uma minoria no geral. É ver como será a reação, especialmente quando boa parte dos 120 mil habitantes de Bérgamo pegar os 60 km de estrada até Milão e encher os 80 mil lugares disponíveis no San Siro.

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