Adil Aouchiche viveu um 2019 especial. O meio-campista liderou a França no Europeu Sub-17, terminando como artilheiro da competição, e também acabou escolhido como o segundo melhor jogador do Mundial Sub-17, ao ser o protagonista dos Bleus na campanha até as semifinais. O garoto nascido em 2002 se tornou uma das promessas mais cotadas da Ligue 1 e exibia uma enorme dose de qualidade com as seleções de base. No entanto, diante da falta de espaço no Paris Saint-Germain, se tornou mais um prodígio a abandonar a capital. Nesta segunda-feira, o meia foi anunciado como reforço do Saint-Étienne. Chega com custos mínimos e assina um contrato de três anos, que deve se estender automaticamente até 2025.

A escolha de Aouchiche é natural. O meia não via perspectivas de ser titular no PSG e resolveu buscar um novo destino. Ele até chegou a ganhar alguns minutos na última edição da Ligue 1, participando de um duelo contra o Metz, e também foi utilizado na Copa da França. Pouco, a um jogador visto com tanto potencial, mas que dificilmente seria bancado dentro de um elenco cheio de astros.

O Saint-Étienne pode não ser o clube mais competitivo da França, mas vinha de uma temporada em que chegou à final da copa e possui uma tradição que fala por si. Aouchiche jogará para uma das torcidas mais apaixonadas do país e com a possibilidade de ser ídolo. Também terá sua dose de pressão, mas com ótimas condições para tomar um lugar entre os titulares e se desenvolver bastante. Não deve demorar para se estabelecer como uma figura importante aos Verts, considerando a habilidade que já demonstrou nas seleções de base.

O melhor ao Saint-Étienne é que Aouchiche desembarcou com custos mínimos ao clube. O meio-campista estava em fim de contrato com o PSG e recusou as propostas de renovação, exatamente porque desejava mais espaço. Pôde negociar em seus próprios termos com os Verts e aumentar as suas pedidas, com luvas de €4 milhões. Até existia a especulação de que o garoto poderia sair da França, com o interesse de clubes como o Arsenal, mas ele preferiu seguir no país antes de buscar passos maiores. Pior aos parisienses, que sequer poderão exercer uma cláusula de recompra e receberão apenas €1,2 milhão como clube formador.

Com o fim do contrato de Aouchiche, a saída do jogador vinha sendo comentada ao longo das últimas semanas. O técnico Thomas Tuchel afirmou que “não estava feliz, porque Adil tem muito talento”, mas que era “difícil encontrar um espaço para ele no meio-campo”. Já o diretor esportivo Leonardo preferiu reclamar dos termos impostos pela federação, que determina um contrato de no máximo três anos na primeira assinatura como profissional. “É terrível para os clubes, porque nos coloca em situações complexas nas quais só temos duas opções: ou deixamos eles saírem ou pagamos muito”, declarou o brasileiro.

Aouchiche, por sua vez, foi apresentado no Saint-Étienne dizendo que fez a “escolha certa”. Claramente aposta em seu potencial e, por aquilo que já apresentou, não é difícil imaginar que vingará. Ao PSG, mais do que reclamar da federação, cabe se adaptar à realidade. Os parisienses contam com ótimas categorias de base e um enorme celeiro à sua disposição em Paris. A saída de Aouchiche se dá justamente após um ano no qual poderia ganhar mais chances, mas apareceu somente três vezes em campo.