As quatro primeiras seleções classificadas à Euro 2020 não representam grandes surpresas. Itália e Bélgica tinham amplo favoritismo em suas chaves, enquanto Rússia e Polônia se mantêm competitivas durante os últimos anos. Já a quinta equipe confirmada corria por fora. A Ucrânia fez uma campanha fraquíssima na Euro 2016 e não conseguiu aparecer nem na repescagem rumo à Copa de 2018. Entretanto, com ares renovados sob as ordens de Andriy Shevchenko, a equipe dominou o Grupo B. Desbancou a concorrência e assegurou sua classificação com a emblemática vitória por 2 a 1 sobre Portugal, em Kiev. Será a terceira presença do país no torneio continental, após desempenhos modestos em 2012 e 2016.

A seleção da Ucrânia não apresenta grandes estrelas mundiais, mas reúne jogadores tarimbados que complementam uma geração renovada. Nomes como Andriy Pyatov, Yevhen Konoplyanka e Andriy Yarmolenko permanecem entre as referências da equipe. Possuem qualificadas companhias de jovens em ascensão, a exemplo de Oleksandr Zinchenko, Vitalii Mykolenko, Mykola Matviyenko, Viktor Tsyhankov e Roman Yaremchuk – todos abaixo dos 23 anos. E a presença dos naturalizados Marlos e Júnior Moraes aumenta a consistência do grupo. O que se nota é uma equipe organizada e que se vale das variações em sua linha de frente.

Contra Portugal, a Ucrânia aproveitou o bom início no Estádio Olímpico de Kiev para construir a vitória. A presença de Cristiano Ronaldo e Bernardo Silva não intimidou os anfitriões, que partiram para cima durante os primeiros minutos e abriram o placar logo aos seis. Após cobrança de escanteio, Rui Patrício fez uma defesaça para evitar o gol, mas Yaremchuk apareceu livre e completou o rebote.

A vantagem garantiu a tranquilidade dos ucranianos, muito seguros para conter os lusitanos e administrar a posse de bola quando a recuperavam. Ruslan Malinovskyi, em especial, fazia um importante trabalho na ligação. Já aos 27, viria o segundo tento da Ucrânia. A equipe da casa aproveitou o apagão da defesa portuguesa e o lateral esquerdo Mykolenko encontrou Yarmolenko totalmente livre dentro da área.

Portugal começou a esboçar sua reação no final do primeiro tempo e voltou à etapa complementar com mais ímpeto, mesmo exposta aos contra-ataques ucranianos. Cristiano Ronaldo era quem mais tentava e passou a contar com a ajuda de João Félix, que saiu do banco após o intervalo. Pyatov também aparecia e realizou boas defesas no duelo particular com CR7. Ainda assim, o gol português aconteceu graças a um lance discutível, aos 27 minutos. A bola bateu na perna de Taras Stepanenko, antes de resvalar em seu braço. O árbitro não apenas marcou o pênalti, como também expulsou o volante. Na cobrança, Ronaldo venceu Pyatov e anotou o gol 700 de sua carreira.

Com um jogador a mais, Portugal tentou aproveitar a vantagem, mas não conseguiu buscar o empate. Os ucranianos demonstravam sua solidez, diante de um adversário nervoso e que cometia muitos erros. Pyatov voltou a salvar a Ucrânia, com outras duas defesas decisivas para frustrar Ronaldo. Além disso, quando até Pepe já aparecia como centroavante, o goleiro ainda seria ajudado por suas traves. Danilo Pereira ficou a um triz do empate nos acréscimos, em bomba que bateu no poste. A suada vitória valoriza ainda mais o momento da Ucrânia.

Desde que assumiu a seleção, em 2016, Shevchenko manteve um aproveitamento de 66% dos pontos. A equipe caiu cedo nas Eliminatórias da Copa de 2018, dentro de uma chave bastante equilibrada, que ainda contava com Islândia, Croácia e Turquia. Recuperou-se com o acesso na Liga das Nações e a campanha firme rumo à Eurocopa. Os ucranianos sofreram apenas uma derrota em seus últimos 19 compromissos. No Grupo B, são seis vitórias e um empate em sete rodadas. O ataque anotou 15 gols e a defesa sofreu apenas dois. O único “tropeço” veio mesmo com o empate por 0 a 0 contra Portugal no Estádio da Luz, durante a primeira rodada. O time mostra margem de crescimento e pode ser um bom coadjuvante no torneio continental.

Enquanto isso, Portugal vê sua boa fase freada. O time pagou pelos erros de sua defesa e esbarrou no goleiro adversário em busca do resultado. Tentará manter a vantagem mínima nas duas últimas rodadas, para conquistar a classificação à Euro 2020. Os lusitanos têm 11 pontos, um a mais que a Sérvia. Não devem ter problemas nos reencontros com Lituânia e Luxemburgo, os mais fracos da chave. Mas desperdiçaram a gordura que tinham para queimar com a derrota em Kiev.

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