Mauricio Pochettino faz um excelente trabalho no Tottenham não é de hoje. Entretanto, a passagem do treinador por White Hart Lane registrou sua atuação mais impressionante neste domingo, contra o Manchester City. Nem tanto pelo placar, para quem bateu o campeão Chelsea por 5 a 3 em 2014/15 ou goleou os próprios Citizens por 4 a 1 em setembro do ano passado. A exaltação se deve mais à forma como a vitória por 2 a 0 sobre os mancunianos se deu em Londres. Os Spurs não apenas pressionaram o City, mas renderam o time de Pep Guardiola em seu próprio campo. Mal deixaram os adversários saírem para o jogo, em uma tarde de pura intensidade. E que deu resultado, com os golpes fatais que desembocaram no triunfo dos londrinos.

O resultado em White Hart Lane, que quebrou a invencibilidade do City, foi conquistado muito graças às ideias do treinador e à capacidade de seus jogadores em cumprirem elas. Óbvio, os visitantes também tiveram uma ou outra chance em Londres, a maior parte só depois que o placar já estava estabelecido. No entanto, fica difícil apontar um comandado de Pochettino que não tenha se saído bem por seu empenho em campo. Taticamente, o Tottenham beirou a perfeição. E conquistou um resultado para ratificar ao menos sua capacidade de brigar com os principais adversários na Premier League.

Em um time tão sólido, a peça-chave foi Victor Wanyama, excelente na proteção à frente da zaga. Mas não dá para não elogiar a marcação cerrada de Heung-Min Son, dificultando a saída de bola, mais do que o simples protagonista do ataque nas últimas semanas. Ou a presença física de Moussa Sissoko, trancando o lado direito do campo. Ou a entrega de Dele Alli, também invertendo o posicionamento com Son e bagunçando a defesa adversária. Ou o trabalho de Christian Eriksen, na organização, assim como para cortar as linhas de passe dos Citizens. O tempo de bola de Vertonghen, a entrada providencial de Dier, as defesas de Lloris. Todos e tudo se saíram muito bem.

Pochettino venceu o xadrez contra Guardiola com certas sobras. A posse de bola do Manchester City se restringiu em grande parte ao próprio campo, com incomuns chutões distribuídos a torto pelos pupilos do catalão. A velocidade nas ações dos Spurs impediu que os visitantes pensassem o jogo como costumam. E o placar ficou até barato, considerando o pênalti que Claudio Bravo defendeu. Kevin de Bruyne pode ter feito falta aos Citizens, mas sua ausência não é explicação suficiente para o resultado. Mesmo porque David Silva, tão bem neste início de temporada, teve poucos espaços para mostrar o seu jogo.

O Tottenham não conta com um elenco tão estrelado quanto os concorrentes. Mesmo o mercado desta janela de transferências não pareceu tão promissor assim, com poucos nomes de real impacto. Contudo, os londrinos contam com uma equipe bastante uniforme, tanto na qualidade quanto no encaixe ao estilo proposto por Pochettino. Faz do conjunto a força. Pois mesmo as ausências de Harry Kane e Moussa Dembélé não foram tão sentidas assim no domingo.

Talvez falte profundidade para os momentos mais frenéticos da temporada, como dezembro. Por enquanto, baterias carregadas de quem acabou de sair de férias, o desempenho na Premier League é muito bom. Existiram vitórias sofridas, a exemplo da arrancada ante o Middlesbrough, e os tropeços contra a dupla de Liverpool. De qualquer maneira, a vice-liderança e a invencibilidade ratificam a fase positiva – que, não fosse o tropeço na estreia da Champions contra o Monaco, com a equipe meio perdida em Wembley, poderia deixar uma impressão ainda melhor.

É muito cedo para se cravar qualquer coisa. Mas, outra vez, o Tottenham se desponta como um time a se observar. O grupo cheio de gás empolga pela maneira como atua – algo que já acontecia desde a última temporada, quando, por bola, foi para muitos o time mais vistoso da Premier League. Além disso, possui uma defesa muito bem estruturada, algo fundamental a qualquer campeão. É ver como os Spurs manterão a regularidade ao longo do campeonato, especialmente contra equipes que exigem menos ímpeto e mais concentração para arrancar a vitória. A maturidade que eles ganharam em 2015/16 é importante, sobretudo para um elenco tão jovem. Neste ponto, se mostram preparados para subir mais um degrau. A evolução acontece, em diversos aspectos. Inclusive o coletivo, o que parece ser mesmo a grande virtude neste momento.

Chamada Trivela FC 640X63