Um ano após o caso envolvendo John Terry, Anton e Rio Ferdinand emitiram uma carta esclarecendo seu posicionamento sobre o racismo no futebol inglês. No último final de semana, os irmãos se recusaram a vestir camisetas da campanha “Kick It Out”, que combate o preconceito na Premier League.

“Já faz um ano desde o incidente em Loftus Road. Durante este tempo, algumas das divisões mais profundas que existem no futebol foram expostas. Nos próximos meses existirão discussões, nós estamos certos, para avançar na questão. Queremos participar deste momento, junto com inúmeros atletas e ex-atletas de todas as raças, com a comunidade do futebol como um todo”, declararam.

No dia 23 de outubro de 2011, Terry se referiu a Anton Ferdinand com palavras racistas durante a partida entre Queens Park Rangers e Chelsea, pela Premier League. Pelo caso, o zagueiro do Chelsea foi punido com quatro jogos de suspensão e multa de € 264 mil pela Football Association, mas foi absolvido por um tribunal civil. Além disso, o jogador perdeu a braçadeira da seleção inglesa e, por conta das rusgas com a FA, decidiu se aposentar do English Team em setembro.

Anton e Rio também comentaram as ações feitas pela Kick It Out: “Sobre a questão da Kick It Out, gostaríamos de falar sobre o trabalho fantástico de educação e conscientização que fizeram no passado. No entanto, os tempos mudam e as organizações precisam mudar com eles. Estamos felizes em entrar nesta discussão, em particular, para fazer o Kick It Out mais relevante na luta contra o racismo no futebol”.

A dupla garantiu que não comentará mais o caso: “Embora tenhamos ficado decepcionados com as ações da FA e da PFA no último ano, continuaremos comprometidos a trabalhar com as entidades existentes para a melhoria do jogo. Gostaríamos agradecer ao apoio do QPR e do Manchester United em um ano difícil, agradecendo Sir Alex Ferguson e Mark Hughes. Não vamos discutir publicamente quaisquer questões relacionadas ao caso. Estamos concentrados em jogar futebol”.

PFA anuncia ações contra o racismo

Além dos irmãos Ferdinand, outros 13 jogadores se recusaram a vestir a camisa da “Kick It Out” no final de semana. Atacante do Reading e membro da gestão da PFA, entidade que representa os jogadores profissionais no país, Jason Roberts manifestou sua frustração com a falta de cumprimento das recomendações contra o preconceito.

Também nesta terça, chefe-executivo da PFA, Gordon Taylor anunciou um plano com seis ações para lidar com o racismo no futebol. Taylor pediu por punições mais duras contra ofensas racistas, bem como a obrigatoriedade de os culpados frequentarem programas de conscientização e maior agilidade no julgamento de processos do tipo.

Sem citar nomes, Taylor criticou a postura independente de alguns jogadores: “Se eles querem seu grupo particular, sentindo que podem influenciar mais que a PFA, diria que estão completamente enganados. Se não tivermos cuidado, regrediremos ao passado, tanto no jogo quanto na iniciativa antirracismo”.

Quanto aos clubes, a PFA orientou que racismo se tornasse uma cláusula contratual, que permitisse a demissão de técnicos e jogadores. Taylor também citou o exemplo da “Regra Rooney”, implantada na NFL em 2003 e que poderia ser aplicada na Inglaterra. A medida tenta garantir uma proporção igualitária de técnicos negros.