Aníbal Ruiz possui uma história riquíssima no futebol latino-americano. Como jogador, um modesto meio-campista, rodou por cinco países diferentes. No entanto, sua trajetória ficou marcada mesmo à beira do campo. Pupilo de Luis Cubilla, ajudou o Olimpia a conquistar sua primeira Libertadores, em 1979. Dirigiu clubes de nove nações, sobretudo no Paraguai e no México. Em terras guaranis, levou a Albirroja à Copa do Mundo de 2006. Já na América do Norte, faleceu em pleno exercício do trabalho. Assistente do Puebla, o veterano passou mal durante o reconhecimento do gramado. Não resistiu a um infarto fulminante, aos 74 anos. Vida dedicada ao futebol.

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A fatalidade com Ruiz aconteceu na última sexta-feira. O Puebla se preparava para o duelo contra o Veracruz, pelo Campeonato Mexicano – em partida que acabou adiada, diante de greve de árbitros no país. A equipe treinava no gramado do Estádio Luis “Pirata” Fuente quando o veterano começou a passar mal. Assistente de José Saturnino Cardozo, seu comandado nos tempos de seleção paraguaia, Ruiz foi atendido no local e encaminhado ao hospital pela ambulância de plantão à beira do campo. Contudo, os médicos não puderam evitar o óbito.

Nascido em Salto, no Uruguai, o meio-campista iniciou a carreira no Danubio, durante o início da década de 1960. Atuou em Montevideo Wanderers, Miramar Misiones e Sud América em seu país. Já no exterior, defendeu Cúcuta (Colômbia), Deportivo Anzoátegui (Venezuela), Union Tumán (Peru) e Ramonense (Costa Rica). Pendurou as chuteiras em 1976 e a experiência o ajudou a logo conquistar seu espaço como assistente técnico.

Ruiz passou por Nacional, Danubio e Defensor, até iniciar sua relação com o Paraguai. Juntou-se a Luis Cubilla no Olimpia, para quebrarem o domínio do “trio de ferro” na Libertadores, erguendo a taça em 1979: foi o primeiro clube de fora de Argentina, Brasil ou Uruguai a se sagrar campeão. E a parceria se manteve além de Assunção, se firmando também em Newell’s Old Boys, Peñarol, River Plate e Atlético Nacional. Em 1985, Ruiz voltou ao Olimpia, agora para iniciar sua carreira como treinador principal. Logo faturou o Campeonato Paraguaio naquele ano.

“Maño”, como era conhecido, dirigiu ainda Atlético Nacional e Montevideo Wanderers naquela década. Já nos anos 1990, atravessou boa parte do tempo no México, trabalhando em clubes como o Necaxa e o Puebla. Em 2000, retornou ao Paraguai e, depois de treinar Guaraní e Olimpia, assumiu a seleção. Chegou como interino, efetivado após a vitória sobre o Brasil em agosto de 2002, no primeiro amistoso após a conquista do penta. Foram quatro anos no controle da Albirroja, classificando o time à Copa de 2006, quando caiu na primeira fase. Passou por outras equipes, como Emelec e Universidad de San Martín, antes de retornar ao posto de assistente em 2015, servindo de braço direito a Cardozo no futebol mexicano.

As condolências se espalharam pela América Latina durante o final de semana, em especial pelo Paraguai. Vários ídolos da Albirroja se despediram do “professor”, conhecido pela voz mansa e pelo companheirismo no trato com seus elencos. Além disso, tinha como virtude a aplicação tática de suas equipes, especialmente no equilíbrio entre ataque e defesa. Por mais de três décadas, ofereceu seus ensinamentos ao futebol. Até o último dia de sua vida.