Por Leandro Iamin e Paulo Junior

O que a seleção brasileira está buscando nos Jogos do Rio não é um feito tão comum. Só três equipes masculinas de futebol conseguiram em toda a história, duas delas no tempo em que nem existia Copa do Mundo, vencer um torneio jogando em casa. Esta edição do podcast Meu Time de Botão conta a história da equipe espanhola que levou a medalha de ouro na Olimpíada de Barcelona, em 1992, aliás não só o último título, como última campanha relevante de um local na disputa.

LEIA TAMBÉM: Entidades místicas do futebol olímpico: a tão sonhada medalha de ouro

Nas disputas seguintes, já com a regra dos três atletas acima dos 23 anos (inaugurada em 1996), os anfitriões não tiveram grande sucesso: os Estados Unidos, com o goleiro Keller e o zagueiro Alexi Lalas, caíram na primeira fase em Atlanta-96; a Austrália, de jogadores em times importantes da Europa como Mark Viduka, do Leeds, perdeu as três partidas em Sidney-2000; a Grécia, com o atacante Papadopoulos recém-campeão europeu, saiu com só um ponto em Atenas-2004, assim como a China em Pequim-2008; por fim, a Grã-Bretanha improvisou uma seleção para Londres-2012 com Ryan Giggs como grande estrela e até foi às quartas de final, mas caiu para a Coreia do Sul nos pênaltis.

E se a Espanha é a última campeã no torneio masculino em casa, as outras duas conquistas semelhantes remetem ao início do século XX. Na Olimpíada de Londres, em 1908, a Grã-Bretanha venceu a Dinamarca na final disputada no White City Stadium, e nos Jogos de 1920, na Antuérpia, deu Bélgica, numa final que não terminou – revoltados com a expulsão de Steiner aos 39 do primeiro tempo e perdendo por 2-0, os jogadores da Tchecoslováquia abandonaram o campo de jogo em protesto contra o árbitro inglês John Lewis.

A Espanha-92

A seleção espanhola principal não passou da primeira fase na Eurocopa de 1988, caiu nas oitavas da Copa do Mundo de 1990 e não se classificou para a Euro de 1992. Não eram anos de grandes resultados, e receber os Jogos com uma boa geração de jovens jogadores gerou curiosidade no país que viu 11 times serem representados entre os 20 atletas chamados. Era o primeiro torneio olímpico com a regra sub-23, ainda sem a permissão da convocação de três jogadores acima da idade.

O Brasil ficou de fora, mesmo com a boa geração de Roberto Carlos e Dener, assim como a Argentina, também eliminada na primeira fase do pré-olímpico sul-americano. E jogando a primeira fase em Valencia, a Espanha passou tranquila por Colômbia, Egito e Catar.

O elenco tinha jogadores que depois viriam a atuar em Copas do Mundo. Os titulares Ferrer, Abelardo, Luis Enrique, Guardiola, Kiko e Alfonso, além do então goleiro reserva Canizares, defenderam a Fúria em Mundiais. Nas quartas de final, encontraram o primeiro rival de mais camisa, a Itália, comandada pelo técnico Cesare Maldini, e venceram por 1 a 0. Na semi, 2 a 0 em Gana, para garantir a medalha e fazer a final no Camp Nou.

E que final. Num grande jogo com o estádio lotado e a torcida participando ativamente da partida, a Polônia, que havia goleado Itália e Austrália, saiu na frente. Os espanhóis viraram o jogo, mas os poloneses deixaram tudo igual novamente. E um gol de Kiko, nos acréscimos do segundo tempo, deu o ouro aos donos da casa.

Este programa foi produzido na terça-feira, 9 de agosto de 2016, portanto 24 anos e um dia após a final olímpica de Barcelona, ou um dia antes do Brasil enfrentar a Dinamarca em Salvador pela terceira rodada da fase de grupos dos Jogos do Rio. Com dois empates frustrantes contra África do Sul e Iraque, a seleção verde e amarela precisa vencer para seguir na competição, já pressionada ainda antes do mata-mata. Para quem sabe ter no Maracanã a mesma lembrança do Camp Nou de 1992. Veremos.

Abaixo, vídeo do gol de Kiko na final e logo abaixo o programa para você ouvir completo.

TRIVELA FC: Que tal ganhar descontos em cervejas e camisas e ainda ajudar a Trivela? Seja sócio!