Um dos momentos mais chocantes desta temporada, interrompida pela pandemia da COVID-19, foi a lesão de André Gomes, do Everton. O português tomou uma entrada violenta do sul-coreano Son Heung-min, que imediatamente percebeu a gravidade do seu ato. O meio-campista português se diz honrado de ser jogador do Everton e credita ao clube, seus amigos e sua família por tornar a sua recuperação mais fácil.

O carrinho descuidado de Son acertou o tornozelo de André Gomes, que quebrou. O atacante do Tottenham ficou em lágrimas depois de ver a situação de Gomes, gritando de dor ao ser atendido. Foi no dia 3 de novembro e a lesão foi tão séria que não é exagero imaginar que gerou dúvidas sobre o seu retorno na plenitude.

Um dos aspectos mais complicados para a recuperação é o mental. André Gomes já disse que a pressão que sofria no clube o afetou psicologicamente. Em 2018, quando ainda estava no Barcelona, ele comentou sobre o assunto. Até por isso, ele fica feliz em ver que seu atual clube, o Everton, recebeu autorização para construir uma instituição de saúde mental, “The People’s Place”.

“É realmente uma boa notícia. Eu acho que é realmente importante, especialmente agora com a pandemia. As pessoas provavelmente têm mais problemas. Eu acho que é realmente bom”, afirmou o português em entrevista à Sky Sports. “É uma honra fazer parte deste clube. Um clube tão especial com todos esses tipos de oportunidades. Para mim, durante a minha reabilitação, foi importante ter os fisioterapeutas, o clube e as pessoas ao meu redor para me darem uma mão se eu precisasse de alguma coisa”.

André Gomes conseguiu se recuperar da lesão e, no dia 23 de fevereiro, entrou em campo contra o Arsenal. Foram menos de três meses desde a sua lesão no tornozelo, que precisou de uma cirurgia. A pandemia do coronavírus interrompeu o retorno do jogador, depois de ele ter sido titular nos jogos contra Manchester United e Chelsea. Ele estava de volta, definitivamente.

Aos 26 anos, o jogador perdeu 17 jogos durante a sua lesão. Mas o físico é só um dos pontos que é preciso se recuperar. A confiança é um aspecto muito importante para voltar a atuar em futebol de alto rendimento. “Para mim, foi horrível para as pessoas que viram a lesão. Minha lesão foi traumática. Eu levei um tempo para entender o que aconteceu quando eu queria me motivar a me esforçar mais na minha recuperação. Era importante ter pessoas ao meu redor para responder minhas perguntas”, contou o português.

“Eu não poderia fazer nada mais do que descansar. Eu tive algum estresse nos primeiros dois ou três dias, mas eu levei tempo para eu mesmo pensar no que aconteceu e como eu queria seguir com isso. Eu tive que fazer as coisas em pequenos passos. Tudo ficou mais fácil por causa das pessoas ao meu redor”, disse Gomes.

O meio-campista voltou a jogar saindo do banco no jogo contra o Arsenal, nos Emirates, em fevereiro, antes de voltar a jogar no lugar onde sua lesão aconteceu, o estádio do Everton, Goodison Park. Foi um empate por 1 a 1 com o Manchester United. “Eu estava sentindo falta dos meus companheiros. Estar ao redor deles em um hotel, relaxando e a atmosfera antes do jogo. Todo mundo foi inacreditável comigo, dos funcionários aos jogadores, todo mundo no clube e os torcedores do Everton também”, declarou ainda o meio-campista.

“Foi estranho voltar [ao Goodison Park]. Tive enormes boas vindas dos nossos torcedores. A última vez que eu tinha jogado em casa eu me machuquei. Estava na minha memória. Foi uma mistura de sentimentos de ‘estou de volta’, mas a última partida que tinha jogado em casa foi estranha. Eu me senti bem e eu estava tentando melhorar e então houve a parada”, contou ainda o jogador.