Há poucos meses no PSG, depois de passar cinco anos no Manchester United, Ander Herrera concedeu entrevista à revista francesa So Foot dando a entender que a impressão externa que se tem do clube inglês nos últimos anos é ao menos em parte verdade. A experiência do espanhol na Inglaterra lhe revelou, por vezes, um clube em que o futebol não parecia ser a maior prioridade.

O que começou como um elogio ao PSG acabou se desenrolando em uma crítica ao seu ex-clube. Ele disse não poder opinar sobre como eram as coisas no time parisiense antes da sua chegada, mas que, desde que passou a defender a equipe, o que vê é que está em um clube que pensa exclusivamente em futebol. “E digo isso sinceramente, porque, às vezes, vendo de fora, o PSG pode ter um lado glamouroso que pode irritar alguns. Mas, aqui, nós suamos, treinamos e trabalhamos”, contou o meia à So Foot.

“Quando chego no centro de treinamento, os fisioterapeutas, o podólogo e os treinadores físicos já estão trabalhando. Futebol, futebol, futebol… O Leonardo está lá todos os dias”, completou, em referência ao brasileiro que assumiu nesta temporada como diretor de futebol do PSG.

Evidentemente, as palavras de Herrera levaram o entrevistador a perguntar ao espanhol se o futebol não era uma prioridade no Manchester United. Primeiro o jogador exalta a equipe, mas acaba deixando escapar sua sensação.

“Fui muito feliz naquele clube incrível. Sou muito grato aos torcedores. Sinceramente, fui imensamente feliz em Manchester, mas, no clube, houve vezes em que senti que o futebol não era considerado a coisa mais importante.”

O que era então? O lado dos negócios?

“Não vou dizer. Isso não está saindo da minha boca. Não sei, mas o futebol não era a coisa mais importante em Manchester. Não quero comparar. Tudo o que sei é que aqui eu sinto como se estivesse respirando futebol em todos os lados. E eu gosto disso.”

O que diz e também insinua Herrera vai ao encontro da narrativa que se formou na opinião pública e entre muitos torcedores de que a família Glazer, proprietária do clube, e Ed Woodward, vice-presidente executivo do United, não dão a atenção devida ao lado esportivo, focando excessivamente o sucesso comercial.

Woodward, vale apontar, comanda o futebol dos mancunianos com basicamente todo o poder de decisão desde a saída de Alex Ferguson – apesar de sua formação como banqueiro e de sua falta de experiência prévia significativa no futebol.