Por Felipe Bigliazzi Dominguez

La Copa se mira! se mira…pero no se toca! Como sabemos de antemão, apenas uma torcida deixará o tradicional lamento copero para tocar a sonhada Copa Libertadores. Deixamos de lado as previsões transloucadas, o discurso ensaiado, e fugimos de uma análise que deixe brasileiros e argentinos como candidatos absolutos para alcançar a glória máxima na Pátria Grande. Convidamos a todos para tentar esmiuçar os trunfos e esquema táticos dos 16 sobreviventes da atual edição da Libertadores.

LEIA MAIS: E se os 16 jogos da rodada final da Libertadores acontecessem juntos? Nós simulamos o drama

Independiente Santa Fé

independiente

Los Cardenales encararam o grupo 1 com muita pompa e a coroa de campeão colombiano. O treinador argentino Gustavo Costas, de grande passado como zagueiro do Racing no final dos anos 80, tem em seu cartel títulos nacionais em quatro diferentes países do continente – 2003 e 2004 com Alianza Lima, 2005 com Cerro Porteño, 2012 com Barcelona de Guayaquil e 2014 com Independiente Santa Fé. Costas arma o conjunto de Bogotá no 4-3-1-2 tipicamente argentino, priorizando o talento do veterano Omar “el Pelado” Pérez. O enganche e principal condutor do Santa Fé já venceu três campeonatos da liga colombiana e duas Copas da Colômbia. Um craque elegante, que saiu do Boca Juniors para brilhar em terras cafeteiras. Daniel Torres, o cão de guarda, e a dupla Juan David Roa e Luis Arias completam o meio campo. O clube teve a baixa do arqueiro Camilo Vargas, símbolo do clube, que foi para o Nacional de Medellín. A defesa é jovem e conta com os zagueiros Yerry Mina e Francisco Meza; Dairon Mosquera e Yulian Anchico fecham a defesa pelas laterais.

O Santa Fé sofreu 5 gols na primeira fase. O ataque, que anotou 10 gols até aqui, conta com os velozes Luiz Páez e Wilson Morelo. Terminou na liderança do grupo 1 com quatro vitórias diante de Colo Colo e Atlas e outras duas derrotas contra o Galo. Anchico, Daniel Torres e Omar Pérez fizeram parte deste ciclo vitorioso em âmbito nacional, no qual disputa a hegemonia com o Nacional de Medellín ja há três temporadas. O León de Santa fé gosta do jogo de posse de bola e se faz valer no estádio El Campín em Bogotá.

Atlético Mineiro

atletico mineiro

O Galo começou o ano com a sentida partida de Diego Tardelli para a China, agravada pela notória dificuldade de criação que resultou em duas derrotas contra Colo Colo e Atlas nos jogos iniciais da Libertadores. Levir Culpi decidiu manter a estrutura do 4-2-3-1 com Jesus Dátolo assumindo a posição de armador centralizado. Carlos e Luan são os homens de velocidade pelos flancos. O argentino Lucas Pratto é a grande aposta goleadora, já demonstrada nos principais confrontos desse semestre. Rafael Carioca, o herói da classificação contra o Colo Colo, desprende-se da linha de volantes, fazendo o esquema flutuar para o 4-1-4-1, e deixa apenas Leandro Donizete na contenção. Levir tem boas opões para a linha de armadores com Guilherme e o colombiano Sherman Cárdenas. O Atlético precisa melhorar seu desempenho ofensivo contra o Internacional. Foram apenas cinco gols anotados na primeira fase, enquanto a defesa liderada por Leonardo Silva e Jemerson sofreu apenas três tentos até aqui. A vitória contra o Cruzeiro na semifinal do Campeonato Mineiro mostra o poder de decisão desse grupo que tenta ainda buscar sua melhor versão na reta final da Libertadores.

Corinthians

corinthians

O Corinthians começou o ano voando, acenando com uma trajetória linear e sem sobressaltos. Tite, após seu ano sabático, implantou o 4-1-4-1 que prima pela pressão constante em campo rival. A estrategia consiste em deixar Ralf ainda mais preso na contenção, liberando Elias para a linha de armação. Jadson, outro contestado na era Mano Meneses, se encontrou pela ponta direita, somando três assistências e dois gols na atual edição da Libertadores. Emerson Sheik faz a mesma função pelo lado oposto duelando contra os laterais rivais com toda a sua astúcia e experiência. Paolo Guerrero ainda é a grande arma ofensiva do timão – como pudemos constatar durante sua ausência nas últimas partidas. O peruano anotou 4 dos 9 gols alvinegros no torneio e não tem substitutos à altura para manter a intensidade no ataque. Danilo e Renato Augusto já foram improvisados como falsos camisas nove, já que Vagner Love segue em má forma física. O sistema de Tite faz com o Corinthians se defenda no 4-4-1-1, com o recuo de Jadson e Emerson para a linha de volantes ao lado de Ralf e Elias – configurando assim o ponto forte de um time que sofreu apenas três gols e tem repertório ofensivo para brigar pelo título.

São Paulo

são paulo

Brigas políticas, elenco descompromissado e atuações abaixo da crítica desnudam um time fora de órbita em 2015. Muricy parece ter ficado refém do previsível e espaçado 4-4-2. que deu frutos apenas em momentos do segundo semestre de 2014. Determinou o final de seu terceiro ciclo no Morumbi. Milton Cruz manteve a estrutura do time como interino, testando algumas variações: o 4-1-4-1 com Wesley nos duelos eliminatórios pelo Campeonato Paulista e o 4-4-1-1 contra o Corinthians pela Libertadores. Sua grande intervenção se deu ao adiantar Paulo Henrique Ganso para atuar como segundo atacante ao lado de Alexandre Pato. Hudson, com muita garra, assumiu o posto de meia aberto pela direita, enquanto Michel Bastos, o grande nome tricolor no ano, aportava velocidade pelo flanco esquerdo. Denilson e Souza, ambos em má fase, formam a dupla de volantes para desgosto da exigente torcida tricolor. A defesa é o ponto crítico do time com Rafael Toloi e Dória longe de um claro entrosamento. Nas laterais, Carlinhos, Reinaldo, Bruno e Paulo Miranda se revezam sem convencer ninguém. O trunfo do São Paulo é o bom retrospecto no Morumbi, onde terminou a primeira fase com três vitórias e nenhum gol sofrido. O São Paulo anotou nove gols e sofreu outros três, em uma campanha cheia de sobressaltos que clama por rápida melhora e a definição imediata de um novo treinador.

Cruzeiro

cruzeiro

Marcelo Oliveira viu o bicampeão nacional se esvair na janela de transferências com a partida de Lucas Silva, Éverton Ribeiro e Ricardo Goulart. O Cruzeiro começou a temporada no mesmo 4-2-3-1 com Willians, recém contratado junto ao Internacional, formando a dupla de volantes ao lado de Henrique. A linha de armadores conta com o talento do uruguaio Giorgian De Arrascaeta, grande referência técnica que brilhou na temporada passada pelo Defensor Sporting. Pelos lados, Willian e Alisson aportam velocidade. Leandro Damião, em baixa no Santos, reencontrou o seu futebol em Minas Gerais, anotando três dos oito gols do Cruzeiro na primeira fase. A defesa sofreu três gols, todos contra o Huracán em Parque Patricios na penúltima rodada. Paulo André retornou da China para liderar a zaga ao lado de Léo. O chileno Eugenio Mena, titular na Roja de Sampaoli, assumiu a titularidade na lateral esquerda. Três vitórias, dois empates e a derrota contra o Huracán é o resumo do Cruzeiro no frágil grupo 3 da Libertadores. A derrota na semifinal do Mineiro contra o Galo acendeu o sinal de alerta para um time ainda em formação.

Universitario de Sucre

universitario sucre

O Universitario de Sucre é o representante solitário da Bolívia nas oitavas da Libertadores. O time dirigido por Julio César Baldivieso tenta repetir a trajetória do Bolívar. Vale lembrar que o conjunto paceño chegou até a semifinal do ano passado, parando somente no campeão San Lorenzo. O ex-meia da seleção, que era uma das referências da equipe que disputou a Copa de 1994 sob o comando de Xabier Azkargota, apostou pelo sistema 5-4-1, talvez inspirado no sucesso da Costa Rica no último mundial. O ferrolho deu resultado, já que o conjunto de Sucre sofreu apenas três gols na primeira fase. A linha de cinco defensores é formada por jogadores experientes, casos do argentino Ezequiel Filippetto e do uruguaio Jorge González. A linha do meio campo conta com Ramiro Ballivian ao lado de Rolando Ribera na contenção. O espanhol Ruben De La Cuesta e o intrépido Miguel Suárez fecham a segunda linha pelos flancos. David Leonardo Castro é o único homem de ataque. O time anotou apenas quatro gols na competição, sendo dois de Castro e dois de Suárez. Além do bom sistema defensivo, os 2.800 metros de altura se fazem sentir e serão claramente um obstaculo para o Tigres. Em casa, o conjunto de Sucre segurou Cruzeiro e Huracán sem sofrer gols.

Internacional

internacional

Diego Aguirre – vice-campeão em 2011 dirigindo o Peñarol – foi o escolhido para resolver os problemas defensivos do Internacional. O treinador uruguaio iniciou o seu ciclo apostando em um trio de zagueiros, com a chegada de Réver. A derrota na estreia em La Paz, o péssimo desempenho dos meias e a falta de vibração rugiram nos primeiros jogos do Beira Rio. Pouco a pouco, Aguirre foi ajustando o time no 4-2-3-1, apesar das lesões e problemas físicos dos recém contratados. O jovem Geferson, de apenas 20 anos,  assumiu o posto de Fabricio na lateral esquerda. Na vitória contra o The Strongest que assegurou a vaga nas oitavas, Aguirre fechou a linha defensiva com Ernando na lateral direita. A dupla de zaga foi composta por Paulão e Juan. Com a volta de Réver, a defesa ganha em experiência e altura.

O Inter sofreu sete gols na primeira fase. Charles Aránguiz foi recuado para a cabeça de área ao lado do jovem Rodrigo Dourado. Nilton, regressando de lesão, deve ser o cão de guarda à frente da zaga. Andrés D’Alessandro, que na última temporada atuou aberto na linha de armadores, regressou para a posição de enganche, ao passo que Jorge Henrique, Eduardo Sasha, Valdivia e Vitinho constituem boas opções pelos lados do campo. Nilmar, voltando a encontrar o bom futebol e a forma física, talvez seja a grande notícias para os Colorados em 2015 . O Internacional terminou a primeira fase com quatro vitórias, um empate e a derrota na estreia em terras paceñas. O ataque anotou 13 gols, dando alento para Aguirre no confronto contra o Atlético Mineiro.

Emelec

emelec

O Emelec constitui o típico projeto de longo prazo que pode dar frutos nessa atual edição da Libertadores. O treinador argentino Gustavo Quinteros, após três temporadas de protagonismo no futebol equatoriano, deixou o cargo para assumir a seleção tricolor que se prepara para a Copa América. Para seu lugar chegou o argentino Omar De Felippe, um ex-combatente na Guerra das Malvinas que em seu último trabalho conduziu o Independiente de Avellaneda em seu retorno para a primeira divisão. O esquema tático está consolidado no imutável 4-4-2. O goleiro Esteban Dreer é uma das referências desse ciclo. A defesa conta com três jogadores da seleção equatoriana: os zagueiros Jorge Guagua e Gabriel Achilier, além do lateral Oscar Bagüi. Outra característica do Emelec é o jogo brusco. Pedro Quiñonez e Osbaldo Lastra fazem uma dupla de volantes de muito ímpeto na marcação. O grande trunfo de Los Electricos atende pela dupla Angel Mena e Miller Bolaños que juntos anotaram sete dos nove gols do Emelec nessa primeira fase. Mena atua aberto pela direita na linha de meio campo; o paraguaio Fernando Gimenez fecha pelo lado oposto. Miller Bolaños vem se convertendo em um dos atacantes mais perigosos do futebol sul-americano anotando quatro gols e dando três assistências na atual edição da Libertadores.

Boca Juniors

boca juniors

O Boca chega afiado, com seis vitórias e um elenco sólido comandado por El Vasco Arruabarrena. Palestino, Wanderers e Zamora serviram de sparring na primeira fase. O saldo diz tudo: 19 gols marcados e dois sofridos. O esquema tático é o mesmo 4-1-4-1 do ano passado. As chegadas de Lodeiro e Osvaldo deram ainda mais qualidade a um elenco vasto, que cresce desde 2014. A defesa tem boas opções tanto nas laterais quanto no miolo de zaga. Leandro Marín e Gino Peruzzi disputam uma vaga na lateral direita. Pelo lado oposto, Nicolas Colazo ganhou a sombra de Fabián Monzón  – campeão da Libertadores de 2007 e Olímpico de 2008 – que retornou a La Boca em janeiro. Cata Díaz, Guillermo Burdisso e Marco Torsiglieri brigam por duas vagas na zaga.

O grande desfalque é o volante Pichi Erbes, que segue lesionado. No entanto, Fernando Gago, o cabeça pensante do meio campo, voltou contra o Palestino após cinco semanas inativas por uma lesão. El Pintita deverá formar um tripé de volantes ao lado de Meli e Nicolás Lodeiro. O uruguaio já jogou – aberto pela direita na linha de armadores, mas deverá começar centralizado ao lado de Gago, com Meli como primeiro volante. Nas pontas, Arruabarrena tem 3 boas opções: Andres Chavez, Pati Carrizo e Juan Manuel “El burrito” Martínez, com clara vantagem para os jovens atacantes.  Para o comando do ataque, o fanfarrão Daniel Osvaldo tenta justificar suas polemicas midiáticas com gols e muita provocação.

Montevideo Wanderers

montevideo wanderers

O Montevideo Wanderers chega às oitavas de final fiel a sua tradição de revelar jovens promessas – de onde saíram nomes como Obdulio Varella, Enzo Francescoli e Pablo Bengoechea. Alfredo Arias, que assumiu as cantera bohemia em 2011, armou um time com seus pupilos e conquistou o Clausura 2014 e o vice da temporada uruguaia. O esquema tático é o 4-2-3-1. A defesa sofreu oito gols na primeira fase e conta com a linha formada por Alex Silva, Gaston Bueno, Paulo Lima e Maximiliano Oliveira. A dupla de volantes conta com Santiago Martínez e Matias Santos. A linha de armadores é veloz, com destaque para o canhoto Nicolas Albarracín, que já anotou dois gols e assistiu seus companheiros em três oportunidades. Joaquín Verges e Gastón Rodríguez completam o meio. No comando de ataque o ex- Nacional Juan Mascia disputa a posição com Leandro Reymundez.

El Bohemio fez uma campanha aceitável. Perdeu apenas para o Boca Juniors. No Campeonato Uruguaio, o Wanderers faz campanha decepcionante, com nove pontos em nove rodadas. O time de Alfredo Arias venceu o duelo particular pela segunda vaga contra o Palestino, batendo os chilenos no Gran Parque Central e arrancando um empate em Santiago. O Wanderers chega para o confronto contra o Racing como francoatirador, apostando pelo ímpeto jovem e o entrosamento natural de um time feito quase inteiramente no inesgotável celeiro do bairro do Prado.

Tigres

 

tigres

O Tigres de Monterrey tem a segunda melhor campanha geral da primeira fase, atrás apenas do Boca Juniors. Foram quatro vitórias e dois empates frente ao River. Um time repleto de estrelas, conduzido pelo brasileiro Ricardo “Tuca” Ferretti. O goleiro Nahuel Guzmán goza da confiança de Gerardo Martino desde os tempos de Newell’s Old Boys, devendo rubricar a boa fase com a convocação para a Copa América. Na cabeça de área, o uruguaio Areválo Rios lidera  o meio campo com todo seu ímpeto e experiência. O ataque é o grande trunfo de um time que fez 16 gols na primeira fase. Joffre Guerrón é o destaque individual pela ponta direita, onde já anotou quatro gols e deu três assistências. Pelo lado esquerdo, Daniel Alvarez se converteu em outra boa arma ofensiva com duas assistências. A dupla de ataque é composta por Rafael Sobis e Enrique Esqueda. Sobis vem atuando em uma nova função, recuado para a linha de armadores do 4-2-3-1 de Tuca Ferretti. O ex-colorado já deu duas assistências. Esqueda anotou três gols, sendo o protagonista da classificação do River Plate no confronto derradeiro contra o Juan Aurich no norte do Peru.

River Plate

river plate

Não há adjetivos para sintetizar a atuação do River na primeira fase. Marcelo “el Muñeco” Gallardo manteve o 4-3-1-2, esquema que parece estar escrito na cartilha oficial do clube desde os anos 90 – com Gabriel Mercado e Vangioni nas laterais. A defesa, que foi o ponto fraco da campanha, segue com problemas já que Éder Álvarez Balanta sentiu uma nova lesão. Jonatan Maidana é o único confirmado no miolo da zaga. O River sofreu sete gols até aqui na Libertadores e outros 12 pelo torneio local. Ramiro Funes Mori e German Pezzella disputam a última vaga pelo setor esquerdo da defesa. O meio campo é o mesmo da Sul-Americana: Matias Kranevitter, Carlos Sanchez, Ariel Rojas e Pisculichi. O jovem Kranevitter segue como cão de guarda, sem substituto após a lesão de Ponzio. Carlos Sánchez é o único que manteve o nível do ano passado, sendo o motor pelo lado direito.No flanco oposto, Ariel Rojas vem em baixa. Pity Martínez, oriundo das canteras do Huracán, chegou em janeiro e vem pedindo cancha com grandes atuações. Na armação segue Pisculichi, apesar da notável queda de rendimento.

O River, ao contrário de seu rival de toda la vida, possuí um elenco enxuto, repleto de jovens, o que faz de Pisculichi o enganche. O uruguaio Mayada faz sombra num eventual sistema alternativo (no confronto derradeiro contra o San José, Marcelo Gallardo provou um inusual 3-5-2). No ataque, Teofilo Gutiérrez busca reencontrar seu melhor futebol. O colombiano, com seu temperamento indecifrável, irritou os torcedores com muita indolência e pouca efetividade. Coube ao uruguaio Rodrigo Mora vestir o traje de herói com gols decisivos e liderando um ataque inoperante.

Atlético Nacional

atletico nacional

O Atlético Nacional de Medellín é o time com maior variação tática na América do Sul. O estrategista Juan Carlos Osorio arma seu time de acordo com o adversário. O 4-3-3 que varia para o 4-3-1-2 com o recuo do centroavante Luis Ruiz é o mais usual, porém em muitos confrontos vimos o conjunto Verdolaga com linha de três defensores – Najera, Murillo e Henriquez – quatro meio campistas, dois ponteiros e um centroavante. O ciclo de Osorio rendeu três títulos nacionais e duas Copas da Colômbia. Para esta temporada, El Profe Osorio perdeu seus três principais jogadores: Edwin Cardona, Alexander Mejia e Sherman Cárdenas. Para piorar, o lateral Daniel Bocanegra teve uma grave lesão no joelho e está fora da Libertadores.

O grande destaque do time é o centroavante Luis Carlos Ruiz, que já anotou quatro gols e deu três assistências. O jovem Yulia Mejia, junto de Alejandro Bernal, tem a responsabilidade de conduzir um meio campo que troca passes com paciência e desenvoltura. Os ponteiros Orlando Berrio e Jonathan Copete dão amplitude com velocidade pelos flancos, duelando com os alas Juan David Valencia e Alejandro Guerra. Para esta temporada, o quadro antioqueño contratou o goleiro Camilo Vargas, que foi reserva de Ospina na Copa do Mundo. Assim, o argentino Franco Armani, apesar de ser uma referência do elenco, perdeu a posição e rendeu polêmicas no vestiário. O Nacional de Medellín liderou o grupo 7 com três vitórias, dois empates e uma derrota. O vistoso time de Osorio anotou 12 gols e sofreu outros sete.

Estudiantes

estudiantes

O Estudiantes chega baqueado para as oitavas após a demissão de Mauricio Pellegrino. Gabriel Milito – que compartiu o plantel da seleção argentina com o atual presidente Juan Sebastián Verón – assumiu o comando antes do jogo decisivo contra o Barcelona em Guayaquil. O time vinha atuando no 4-4-2 pragmático, porém ordenado. O Pincha contou com a chegada do experiente zagueiro Sebá Dominguez, que forma um ríspido miolo de zaga ao lado de Leandro Desábato. Os uruguaios Matias Aguirregaray e Álvaro Pereira completam uma sólida defesa nas laterais. Gabriel Milito, amigo confidencial de Pep Guardiola, logo em sua estreia mudou o esquema tático, apostando pelo 4-3-3 – com variação para o 4-2-3-1 – tipicamente culé. Israel Damonte faz o papel de único volante central, dando liberdade para Leonardo Gil e Luciano Acosta. Ezequiel Cerutti, que vinha atuando como centroavante, foi puxado para fechar a ponta esquerda, enquanto Carlos Auzqui faz a mesma função pelo flanco oposto. A grande aposta ofensiva do Estudiantes esta em Guido Carrillo. O jovem centroavante é o vice-artilheiro da Libertadores com cinco gols.

Racing

racing

O campeão argentino começou a Libertadores de forma arrebatadora com as goleadas frente ao Táchira, na Venezuela, e contra o Guaraní, no Cilindro de Avellaneda. No returno o conjunto blanquiceleste perdeu o ritmo após as lesões de Luciano Lollo e Luciano Aued, forçando Diego Cocca a mudar o sistema tático em busca de solidez. O Racing atua desde o começo do ciclo Cocca no 4-4-2. Sebastián “Chino” Saja é o ponto central do elenco, graças a seu temperamento e liderança nata. A defesa conta os esforçados  Leandro Grimi e Ivan Pillud nas laterais. A defesa sentiu muito a ausência de Luciano Lollo. O ríspido zagueiro que veio do Belgrano de Córdoba lidera o miolo de zaga ao lado do jovem Yonathan Cabral. Na cabeça de área, Ezequiel Videla se converteu em ídolo em sua primeira temporada graças a entrega e a inteligência tática. Luciano Aued é o responsável pela saída de bola. Um dos problemas do time é a falta de um jogador incisivo pelos lados do campo. Após a saída de Centurión, Diego Cocca apostou pelo uruguaio Washington Camacho, a quem Cocca conhecia desde os tempos de Defensa y Justicia. Para o flanco oposto, o Racing foi buscar o paraguaio Oscar Romero – que por ora não deslanchou.

Para as oitavas de final, o mais provável é que Facundo Castillón comece como titular pelo flanco direito. O ponto forte do Racing esta na dupla de ataque formada por Diego Milito e Gustavo Mou. Juntos, fizeram 11 dos 15 gols de La Acade na primeira fase. Milito, mais veterano e menos goleador, prepara mais as jogadas como pivô, enquanto Bou é puro ímpeto veloz e goleador. Gustavo Bou é o artilheiro da Libertadores com sete gols, além de dar três assistências para seus companheiros.

Guaraní-PAR

guaraní-PAR

O tradicional Guaraní de Assunção  venceu o duelo pela segunda vaga do Grupo 8 contra o Sporting Cristal, então campeão peruano. O time comandado pelo espanhol Fernando Jubero se destaca pelo poder ofensivo imposto por este treinador que teve passagem como formador de jovens jogadores do F.C Barcelona. Apesar de ter perdido o título nacional para o Libertad, o conjunto aurinegro teve o ataque mais positivo da temporada no Paraguai. Na Libertadores foram duas vitórias, três empates e a derrota para o Racing em Avellaneda. Na reta final, Jubero sacou Fernando Fernández – artilheiro e melhor jogador da última temporada paraguaia – deixando apenas Federico Santander como referência de ataque. No 5-4-1 bateu o Racing no Defensores del Chaco e arrancou um empate contra o Sporting Cristal em Lima.

Possivelmente será com essa estratégia que o Guaraní enfrentará o Corinthians. A zaga conta com a liderança do líbero Julio Cesar Cáceres, veterano com passagens por Atlético Mineiro, seleção paraguaia e Boca Juniors. A defesa repleta de veteranos – Eduardo Filippini, Ruben Maldonado, Luis Cabral e Tomas Bartomeus – é o setor mais frágil do quadro aurinegro. O Guaraní  sofreu 10 gols na primeira fase O meio campo é combativo, no melhor estilo paraguaio, com a dupla Marcelo Palau e Jorge Mendoza de muita firmeza. A fonte criativa está nos pés de Julián Benitez. O ponteiro esquerdo foi vice-campeão da Libertadores com o Nacional Querido e já tem três assistências na atual edição.