Dando seqüência ao árduo – porém proveitoso – trabalho de analisar as 20 equipes da Série A, a coluna chega aos seis residentes no meio da tabela. Clubes que, já na reta final, não puderam ambicionar a classificação para a Libertadores, mas não estiveram sob o risco do rebaixamento.

Em 2008, a coluna promete esmiuçar as várias trocas de treinadores entre os grandes e médios clubes do país, assim como as respectivas ações no mercado de contratações. Por ora, na última análise do ano, na próxima semana, estarão os sete últimos colocados.

8º Atlético Mineiro – 55 pontos
Média de público – 23.199 (5º do torneio)
Gols pró por jogo – 1,65
Gols contra por jogo – 1,34
Aproveitamento em casa – 56%
Aproveitamento fora – 40%
Posição no primeiro turno – 14º
Posição no segundo turno – 7º
Artilheiros – Éder Luís: 10 gols
Líder em assistências – Coelho e Marcinho: 7 passes
Quem mais jogou – Thiago Feltri, Marcos e Éder Luís: 34 gols
Quem foi bem – Coelho, Marcos, Leandro Almeida, Rafael Miranda, Danilinho e Éder Luís
Quem decepcionou – Edson, Bilu, Tchô e Galvão
Saíram durante o torneio – Diego, Lima, Rancharia, Luizinho Netto, Germano e Paulo Henrique
Treinadores – Tico dos Santos, Zetti e Emerson Leão

A ascensão na reta final e o fato de chegar da Série B e terminar em oitavo lugar, no Atlético Mineiro, passou a sensação de campanha muito boa. Ledo engano. A trajetória atleticana ao longo de 38 rodadas esteve longe de ser regular e estável, tendo o clube, muitas vezes, sido ameaçado razoavelmente pelo rebaixamento. O projeto pelo qual foi construído o plantel se mostrou insuficiente, assim como a escolha por Zetti, indiscutivelmente, foi um tiro n’água.

Resumir o clube a um balcão de negócios, por mais que se tenha equilibrado a complicada situação financeira do Atlético, nunca está perto do ideal. Vendas de jogadores importantes como Lima e, sobretudo Diego, abalaram o onze titular, que também sentiu, várias vezes, a falta de Rafael Miranda. Mas, no fim das contas, o Galo subiu e se manteve na elite, só que precisará muito mais para 2008.

9º Botafogo – 55 pontos
Média de público – 17.774 (9º do torneio)
Gols pró por jogo – 1,63
Gols contra por jogo – 1,52
Aproveitamento em casa – 59%
Aproveitamento fora – 36%
Posição no primeiro turno – 2º
Posição no segundo turno – 16º
Artilheiro – Dodô: 15 gols
Líderes em assistências – Jorge Henrique e Lúcio Flávio: 7 passes
Quem mais jogou – Lúcio Flávio: 34 jogos
Quem foi bem – Joílson, Juninho, Luciano Almeida, Leandro Guerreiro e Dodô
Quem decepcionou – Alex, Renato Silva, Marcos Leandro, Athirson e Reinaldo
Saíram durante o torneio – Iran, Athirson, Asprilla, Juca, Ricardinho e André Lima
Treinadores – Cuca e Mário Sérgio

O Botafogo teve, de longe, a trajetória mais instável de todos os 20 clubes da Série A. Segundo melhor colocado no primeiro turno, o time de Cuca liderou a competição por dez rodadas, mas não se mostrou pronto para carregar tal fardo. Mostrou estar desestabilizado emocionalmente, em especial no jogo contra o São Paulo, além do fatídico jogo contra o River Plate, pela Copa Sul-Americana.

Além de não estar preparado para vencer um torneio como o Brasileiro, o clube também se mostrou incapaz de absorver suas próprias instabilidades. Assim, perdeu vários jogadores tidos como importantes, entre eles Dodô, Juninho, Joílson e Zé Roberto. Dessa forma, precisará reconstruir seu elenco e encontrar novas referências, o que nunca é fácil, sobretudo pela delicada situação financeira em comum dos principais clubes do país

10º Vasco – 54 pontos
Média de público –15.143 (12º do torneio)
Gols pró por jogo – 1,52
Gols contra por jogo – 1,23
Aproveitamento em casa – 63%
Aproveitamento fora – 31%
Posição no primeiro turno – 4º
Posição no segundo turno – 15º
Artilheiro – Leandro Amaral: 14 gols
Líder em assistências – Conca: 7 passes
Quem mais jogou – Jorge Luiz: 35 jogos
Quem foi bem – Wagner Diniz, Jorge Luiz, Perdigão, Leandro Amaral, Alan Kardec, Conca e Marcelinho
Quem decepcionou – Sílvio Luiz, Dudar, Romário, Morais e Enílton
Saíram durante o torneio – Renato, Abedi, André Dias, Fábio Braz e Martín Garcia
Treinadores – Celso Roth e Valdir Espinoza

Assim como com o Botafogo, a nau vascaína se mostrou incapaz de manter terreno nas primeiras posições, morada segura ao longo do primeiro turno. O elenco era limitado e Celso Roth, mais uma vez, desceu a ladeira após um bom início. Ainda assim, a sensação geral era de que alguns jogadores viviam boas fases e o universo conspirava a favor. Nada mais.

A verdade é que a vida interna do Vasco, há algum tempo, é uma vergonha para um futebol que se aproxima cada dia mais do profissionalismo total. O clube só decolou quando Romário esteve distante e isso parece cada dia mais impossível, já que o Baixinho estará no comando técnico em 2008. Sinal de mais um ano perigoso em São Januário.

11º Internacional – 54 pontos
Média de público – 18.335 (8º do torneio)
Gols pró por jogo – 1,28
Gols contra por jogo – 1,15
Aproveitamento em casa – 66%
Aproveitamento fora – 26%
Posição no primeiro turno – 9º
Posição no segundo turno – 12º
Artilheiros – Fernandão e Adriano: 8 gols
Líder em assistências – Alex: 5 passes
Quem foi bem – Sidnei, Guiñazu, Fernandão, Alexandre Pato e Adriano
Quem decepcionou – Renan, Edinho, Christian e Élder Granja
Treinador – Gallo e Abel Braga

A forma com que o Internacional começou o ano significava uma série de expectativas. Campeão do mundo e em lua de mel com os torcedores, o Colorado tinha tudo para mais uma temporada de sucesso, sobretudo porque surgia um fenômeno chamado Alexandre Pato, moldado para ser o maior nome do futebol brasileiro. De fora da semifinal do estadual, das oitavas da Libertadores e com uma campanha insossa no Brasileirão, o Inter viu seu planejamento fracassar.

A escolha por Gallo se mostrou equivocada, e no meio disso o clube precisou fazer uma sensível reformulação de elenco. O processo, sempre incapaz de render frutos imediatos, foi conduzido razoavelmente bem. Se tiver paz, paciência e contar com a plenitude física de Nilmar e Fernandão, o Inter pode voltar a ser, em 2008, um dos times mais fortes do continente. Mas, indubitavelmente, 2007 foi um tremendo fracasso.

12º Atlético Paranaense – 54 pontos
Média de público –12.508 (15º do torneio)
Gols pró por jogo – 1,34
Gols contra por jogo – 1,31
Aproveitamento em casa – 68%
Aproveitamento fora – 26%
Posição no primeiro turno – 17º
Posição no segundo turno – 5º
Artilheiro – Alex Mineiro: 9 gols
Líder em assistências – Ferreira: 5 passes
Quem foi bem – Rhodolfo, Danilo, Valencia, Ferreira e Netinho
Quem decepcionou – Nei, Edno, Dinei, Pedro Oldoni, Viáfara e Evandro
Treinadores – Osvaldo Alvarez, Antônio Lopes e Ney Franco

As campanhas atleticanas nos dois turnos, apresentadas nas linhas logo acima, deixam evidente a diferença do time quando com Antônio Lopes e Vadão, para o time que Ney Franco levou ao quinto lugar do segundo turno. Mas, perdas de jogadores importantes, atrasou a evolução do time, que definitivamente não decolou com Lopes.

Aliás, a demissão do treinador carioca, se realizada com mais antecedência, talvez permitisse uma posição ainda melhor ao rubro-negro paranaense. Com Ney Franco mantido e a possibilidade de segurar boa parte dos titulares, o Atlético começará 2008 com perspectivas bastante interessantes.

13º Figueirense –53 pontos
Média de público –8.903 (17º do torneio)
Gols pró por jogo – 1,5
Gols contra por jogo – 1,47
Aproveitamento em casa – 61%
Aproveitamento fora – 31%
Posição no primeiro turno – 16º
Posição no segundo turno – 9º
Artilheiros – Chicão: 10 gols
Líder em assistências – Diogo: 7 passes
Quem foi bem – Wilson, Chicão, Felipe Santana, Diogo, André Santos e Otacílio Neto
Quem decepcionou – Léo, Ramón, Frontini e Adriano Gabiru
Treinadores – Mário Sérgio e Alexandre Gallo

Com um time fortíssimo em 2006, o Figueirense levantou uma razoável quantidade de bons negócios, mas precisou, mais uma vez, recomeçar do zero. Mário Sérgio, mesmo com a ótima campanha do vice-campeonato na Copa do Brasil, deu mostras claras de insuficiência nos pontos corridos da Série A. Algo, aliás, que já havia ocorrido em âmbito estadual.

Com Gallo à frente do clube, foi encontrado um rumo para manter o Figueirense em posições intermediárias por mais algum tempo. Para isso, porém, será mais prudente planejar o elenco com atenção, pois em vários momentos o Figueira esteve próximo da zona de rebaixamento.

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Informações pendentes

A coluna pede desculpa aos leitores, pois não foi possível levantar, em tempo suficiente, algumas poucas informações sobre Atlético Paranaense, Figueirense e Internacional. Mas, o e-mail está à disposição para retirada de eventuais dúvidas que possam surgir.