Somente a perda de Johan Cruyff já seria suficiente para transformar 2016 num ano de lembranças amargas no futebol holandês. Infelizmente, o falecimento do “Número 14” não foi a única razão de lamentações: a temporada 2015/16 do Campeonato Holandês está terminando com um grande ponto de interrogação. Após a comissão de licenças da KNVB, a federação holandesa, recomendar o rebaixamento do Twente à segunda divisão, ainda se espera qual será o veredito do Conselho Central de Jogadores, entidade independente da federação.

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Essa incerteza tanto pode manter o Twente na Eredivisie (e o clube ganhou o direito à manutenção dentro de campo, mesmo com as dívidas) quanto pode salvar o De Graafschap, rebaixado na repescagem (e que mereceria a “mãozinha”, pelas atuações razoáveis). Pior: seja lá qual for a decisão sobre a queda, o clube que cair certamente recorrerá à Justiça, levando a história às últimas consequências. Tal confusão, somada à melancólica ausência da seleção na Euro 2016, só aumenta o clima de depressão que toma conta do futebol holandês.

Pelo menos, a disputa foi equilibrada entre Willem II e Excelsior para escapar da repescagem contra o rebaixamento. E a coisa foi até mais animada na parte de cima da tabela. Sendo assim, ainda é possível achar ânimo para fazer a tradicional análise da temporada, dividida em duas partes. É o jeito.

NEC

Colocação final: 10º colocado, com 46 pontos (abaixo do Vitesse pelo menor saldo de gols)

Técnico: Ernest Faber

Maior vitória: NEC 4×1 ADO Den Haag (8ª rodada)

Maior derrota: NEC 0x3 AZ (21ª rodada) e NEC 0x3 PSV (23ª rodada)

Principal jogador: Christian Santos (atacante)

Artilheiro: Christian Santos (16 gols)

Quem mais partidas jogou: Navarone Foor (meio-campista), que jogou todas as 34 partidas

Copa nacional: eliminado nas quartas de final, pelo HHC Hardenberg (terceira divisão)

Competição continental: nenhuma

Conceito da temporada: regular

Se tivesse aguentado mais um pouco no returno, o NEC poderia muito bem ter estado no play-off por vaga na Liga Europa. O time da cidade de Nijmegen era promissor: firme na defesa, com bom poder de marcação no meio-campo (graças a Janio Bikel), e tinha um bom ataque: Anthony Limbombe era veloz com a bola nos pés, enquanto ao venezuelano Christian Santos cabiam os gols. E as atuações em casa davam esperança: o NEC foi o melhor time atuando em seus domínios, apenas abaixo do Trio de Ferro. Terminando em sexto lugar no turno, havia a esperança de lutar pela posição de “melhor do resto”.

Só que o returno trouxe vários problemas. O fracasso das negociações para vender Santos (o que levou o venezuelano até a ficar no banco de reservas, injustamente); as turbulências na defesa (enquanto o goleiro Brad Jones crescia, o miolo de zaga sofria); a incerteza sobre o técnico Ernest Faber (que anunciou, afinal, a saída no fim da temporada, rumo ao Groningen); a diferença gritante entre as atuações em casa (time foi o quarto melhor mandante do campeonato) e fora (foi o terceiro pior visitante); e, finalmente, duas sequências de maus resultados. Uma, com dois empates e duas derrotas entre a 21ª e a 24ª rodada, aprofundou uma crise que era pequena; depois, mesmo com uma reação, o péssimo fim de temporada (três derrotas nos três últimos jogos), destruindo a esperança de tentar vaga nas competições continentais. Resta remontar parte do elenco, sob o comando do alemão Peter Hyballa.

 ADO Den Haag

Colocação final: 11º colocado, com 43 pontos

Técnico: Henk Fräser

Maior vitória: Heerenveen 0x4 ADO Den Haag (17ª rodada)

Maior derrota: Ajax 4×0 ADO Den Haag (4ª rodada)

Principal jogador: Édouard Duplan (atacante)

Artilheiro: Mike Havenaar (16 gols)

Quem mais partidas jogou: Martin Hansen (goleiro) e Danny Bakker (meio-campista), ambos com 33 partidas

Copa nacional: eliminado na segunda fase, pelo SC Genemuiden (quarta divisão)

Competição continental: nenhuma

Conceito da temporada: regular

De certa forma, o marcante gol de calcanhar marcado pelo goleiro Martin Hansen, decretando o empate do Den Haag contra o PSV no último minuto do jogo de estreia pelo Holandês, indicou o que seria a temporada do clube auriverde: dificuldades, sim, mas a equipe sempre arranjava uma maneira de sair delas. A dificuldade, na verdade, foi uma só: a incerteza (ainda hoje existente, embora menor) sobre a viabilidade da parceria com a empresa chinesa United Vansen, do mecenas Hui Wang – que prometia mundos e fundos, mas demorava a aparecer. Só que o time conseguiu o respeitável feito de deixar os problemas fora de campo.

Durante toda a temporada, o trio de ataque teve ótimo desempenho: o japonês Mike Havenaar era garantia de bola na rede, e o francês Édouard Duplan ainda foi o jogador que mais assistências deu no campeonato (11). De quebra, trazer de volta o zagueiro Tom Beugelsdijk, adorado pela torcida, foi medida certeira para conter as críticas e fechar uma defesa que já era relativamente segura. A leve melhora no returno serviu para uma manutenção segura na divisão de elite. Segura e até surpreendentemente fácil, diante do que poderia ter sido a temporada. De quebra, Hui Wang até anda mais próximo do dia-a-dia do ADO Den Haag…

 Heerenveen

Colocação final: 12º colocado, com 42 pontos

Técnico: Dwight Lodeweges (até a 9ª rodada) e Foppe de Haan

Maior vitória:

Maior derrota: Heerenveen 0x4 ADO Den Haag (17ª rodada) e Heerenveen 0x4 Utrecht (26ª rodada)

Principal jogador: Sam Larsson (atacante)

Artilheiro: Mitchell te Vrede (10 gols)

Quem mais partidas jogou: Erwin Mulder (goleiro) e Sam Larsson (atacante), que jogaram todas as 34 partidas

Copa nacional: eliminado nas oitavas de final, pelo Roda JC

Competição continental: nenhuma

Conceito da temporada: regular

Se o ADO Den Haag terminou no meio de tabela, mas com a agradável impressão de ter superado os problemas internos que lhe afligiram, o Heerenveen não conseguiu escapar da montanha-russa. A inconstância dentro de campo foi a tônica do time da Frísia na Eredivisie. Podia ter sido pior, é verdade: o péssimo começo (uma vitória nas primeiras nove rodadas), somado à derrocada da diretoria anterior, foi suficiente para derrubar o técnico Dwight Lodeweges, que já começara a temporada pressionado. Restou chamar às pressas Foppe de Haan, ícone do clube, para que ele tentasse juntar os cacos ainda no começo.

Foppe fez o que pôde. Assim como os jogadores. No gol, recebendo a confiança plena após nunca ter a sequência que precisava (e até merecia) no Feyenoord, Erwin Mulder consolidou-se. E no ataque, se faltou a figura do “homem-gol”, habitual em Heerenveen (Mitchell te Vrede e Henk Veerman até marcaram, mas não com regularidade), o sueco Sam Larsson foi muito hábil pela esquerda, sabendo até jogar na área, enquanto Luciano Slagveer foi o azougue de sempre. Só que a irregularidade seguiu: o mesmo time que ficou sem perder para o PSV (dois empates em 1 a 1) levou dois 4 a 0 em casa. Pelo menos, o Fean manteve-se a uma distância segura da zona de repescagem/rebaixamento. Para 2016/17, formar um time mais constante é o desafio do novo técnico, Jurgen Streppel, vindo do Willem II.

Twente

 Colocação final: 13º colocado, com 40 pontos – pode ser rebaixado, de acordo com decisão do conselho central de jogadores atuando na Holanda, após recomendação da federação

Técnico: Alfred Schreuder (até a 4ª rodada) e René Hake

Maior vitória: Twente 4×0 Heracles Almelo (18ª rodada)

Maior derrota: Feyenoord 5×0 Twente (13ª rodada)

Principal jogador: Hakim Ziyech (meio-campista)

Artilheiro: Hakim Ziyech (17 gols)

Quem mais partidas jogou: Hakim Ziyech (meio-campista), com 33 partidas

Copa nacional: eliminado na segunda fase, pelo Groningen

Competição continental: nenhuma

Conceito da temporada: regular

Só de ver um empate e três derrotas nas quatro primeiras rodadas, já se sabia que a temporada do Twente neste Campeonato Holandês não seria para corações fracos. A primeira vítima foi Alfred Schreuder, que sucumbiu à pressão da torcida e foi demitido. Caberia a René Hake comandar uma equipe alquebrada, cheia de jovens. E a passagem pelo turno foi árdua: várias falhas na defesa, até causadas pela ingenuidade e pela indefinição sobre a dupla de zaga titular. No meio (e no ataque), só Hakim Ziyech salvava. Sem contar a aflitiva situação financeira, ainda sem influir em campo. Mas o resultado ao final das primeiras 17 rodadas era dramático: apenas 13 pontos e a penúltima posição. A queda parecia inevitável.

Mas veio a pausa de inverno. E logo na primeira rodada do returno, um elogiável 4 a 0 sobre o Heracles Almelo sinalizava: o Twente estava vivo. E assim seguiria. Após muitos problemas, Nick Marsman se consolidou no gol, Bruno Uvini e Joachim Andersen enfim entraram no time titular para não saírem mais… e Ziyech continuou chamando a responsabilidade de modo impressionante. Basta dizer: dos 49 gols que o Twente marcou na Eredivisie, o armador marroquino – nascido em Amsterdã – esteve envolvido em 27 (marcou 17, deu a assistência em 10). Aos poucos, o atacante Jerson Cabral também subiu de produção, e tornou-se bom coadjuvante para acompanhar o destaque supremo que era Ziyech.

Veio uma sequência de cinco vitórias seguidas, que praticamente afastou o perigo do rebaixamento direto. E mesmo com a penalidade da retirada de três pontos, pelas dívidas, o Twente conseguiu um feito: fez a quarta melhor campanha do returno, apenas abaixo de PSV, Ajax e AZ. Tivesse ficado com sua pontuação normal, e estaria em 11º lugar. Enfim: dentro de campo, os Tukkers fizeram campanha decente. Só que, ao final da temporada, veio a recomendação da federação, pedindo o rebaixamento à segunda divisão (sempre por causa da pindaíba financeira). Provavelmente, é o que ocorrerá – e a punição correta e legalista seria até mais drástica, com o cumprimento do regulamento e a perda da licença profissional. Mas repita-se: dentro de campo, o Twente cumpriu o seu papel. 

Roda JC 

Colocação final: 14º colocado, com 34 pontos

Técnico: Darije Kalezic

Maior vitória: Heracles Almelo 0x5 Roda JC (25ª rodada)

Maior derrota: Ajax 6×0 Roda JC (11ª rodada)

Principal jogador: Tom van Hyfte (meio-campista) e Rydell Poepon (atacante)

Artilheiro: Tom van Hyfte (8 gols)

Quem mais partidas jogou: Benjamin van Leer (goleiro), que jogou todas as 34 partidas

Copa nacional: eliminado nas quartas de final, pelo Feyenoord

Competição continental: nenhuma

Conceito da temporada: ruim

Na análise feita por esta coluna na pausa de inverno, falava-se que o Roda JC precisava conter a tendência de queda, indicada nas últimas rodadas do primeiro turno: foram quatro derrotas (incluindo um 6 a 0 sofrido para o Ajax) e três empates, que jogaram o time da cidade de Kerkrade numa situação de limite: era o 15º colocado, na primeira posição acima da zona de repescagem/rebaixamento. Era necessário mudar algo. E o Roda apostou numa solução costumeira nessas horas: saiu às compras na janela de transferências, trazendo um “pacotão” de jogadores. E deu certo.

Se antes apenas o australiano Tomi Juric era o responsável por colocar a bola nas redes (e raramente o fazia), foram Mike van Duinen e Rydell Poepon, que chegaram aos Koempels em janeiro, que começaram a salvar as coisas, com os gols. De quebra, o jovem belga Maecky Ngombo virou “talismã”: entrava no meio do jogo, e não raro deixava sua marca. No meio-campo, Tom van Hyfte seguiu como o grande destaque, mas teve mais gente a ajudá-lo no 4-4-2 “em losango” que começou a ser usado em campo: o espanhol Marcos Gullón, o cazaque Georgi Zhukov e o turco Ugur Inceman fixaram-se e entrosaram-se rapidamente no meio, após também virem em janeiro. Assim, mesmo com uma campanha ruim, o Roda JC manteve-se fora da zona de perigo. Fosse por mérito próprio ou demérito dos rivais, entrou na 14ª posição a partir da 23ª rodada e de lá não saiu. Ganhou mais uma temporada na Eredivisie. Se os reforços do returno ficarem, quem sabe vire um time de meio de tabela. 

Excelsior 

Colocação final: 15º colocado, com 30 pontos

Técnico: Alfons “Fons” Groenendijk

Maior vitória: Excelsior 3×0 De Graafschap (4ª rodada)

Maior derrota: Excelsior 1×4 Cambuur (17ª rodada) e Ajax 3×0 Excelsior (23ª rodada)

Principal jogador: Brandley Kuwas (atacante)

Artilheiro: Tom van Weert (11 gols)

Quem mais partidas jogou: Adil Auassar e Brandley Kuwas (atacantes), que jogaram todas as 34 partidas

Copa nacional: eliminado na terceira fase, pelo Excelsior ’31 (quarta divisão)

Competição continental: nenhuma

Conceito da temporada: ruim

O Excelsior, definitivamente, não aprendeu nada com o sufoco passado em 2014/15. De novo, ficou apenas uma posição acima da zona de repescagem/rebaixamento, exatamente como na temporada passada. De novo, passou muito perto dela: começou o returno com três derrotas, que o jogaram para a antepenúltima colocação do Campeonato Holandês, na qual ficou até a antepenúltima rodada. E de novo, revelava-se extremamente dependente de seus raríssimos talentos dentro de campo.

Pelo menos, na hora necessária, eles apareceram. No meio-campo, Jeff Stans e Rick Kruys (este, em sua última temporada como jogador profissional) continuaram segurando as pontas. E no ataque, sempre que podiam e tinham chance, Brandley Kuwas e Tom van Weert davam alguma pressão aos adversários. Nas últimas rodadas, Van Weert foi o “salvador”: marcou gols no empate por 2 a 2 com o Zwolle e, principalmente, na vitória por 2 a 0 sobre o já rebaixado Cambuur, na última rodada, que salvou de novo o Excelsior de uma repescagem que seria castigo merecido. Para a próxima temporada, o clube de Roterdã ficará sem Kuwas (já vendido ao Heracles) e Van Weert (transferência anunciada para o Groningen). E sabe que uma melhora urge, tanto que demitiu o técnico “Fons” Groenendijk. Será sob o comando de Mitchell van der Gaag que a equipe precisará se virar, para não passar outra temporada escapando de raspão. 

Willem II 

Colocação final: 16ª colocação, com 29 pontos – manteve-se na Eredivisie via repescagem

Técnico: Jurgen Streppel

Maior vitória: Willem II 3×0 Cambuur (15ª rodada)

Maior derrota: Willem II 0x4 Ajax (26ª rodada)

Principal jogador: Lucas Andersen (atacante)

Artilheiro: Erik Falkenburg (11 gols)

Quem mais partidas jogou: Kostas Lamprou (goleiro) e Erik Falkenburg (meio-campista), que jogaram todas as 34 partidas

Copa nacional: eliminado nas oitavas de final, pelo Feyenoord

Competição continental: nenhuma

Conceito da temporada: ruim

Talvez o fato do técnico Jurgen Streppel estar deixando o Willem II rumo a um clube mais estável no meio da tabela (o Heerenveen) indique a capacidade de Streppel fazer um bom trabalho. Como, aliás, fizera na temporada passada. Porque, nesta, pode-se dizer que o time da cidade de Tilburg decepcionou, antes de mais nada. E decepcionou principalmente no returno: fez a segunda pior campanha. E abusou dos empates: no início da segunda metade da temporada, chegou a ter uma sequência de cinco placares iguais.

Os Tricolores tinham uma equipe organizada, capaz de fazer melhor. Todavia, é preciso reconhecer que os reforços não funcionaram, e que o ataque muitas vezes sofreu com a falta de referência: excetuando-se Lucas Andersen e Erik Falkenburg (este, mais um meio-campo avançado do que um atacante de ofício), não havia muitos finalizadores no grupo de jogadores – e os que haviam, não tinham atuações satisfatórias. De quebra, na defesa, o goleiro Kostas Lamprou falhou demais, na parte final da temporada. Foi a diferença que salvou o Excelsior e forçou o Willem II a disputar a repescagem contra o rebaixamento.

A bem da verdade, a salvação já estava garantida, após a recomendação de rebaixar o Twente. Mas o time cumpriu sua tarefa dentro de campo: superou o NAC Breda, e garantiu a salvação de vez. Que tenha aprendido a lição. O Willem II não precisava disso. 

De Graafschap 

Colocação final: 17º colocado, com 23 pontos – foi rebaixado na repescagem, em teoria, mas pode manter-se na Eredivisie caso a decisão pelo rebaixamento do Twente seja confirmada

Técnico: Jan Vreman

Maior vitória: De Graafschap 3×0 Roda JC (27ª rodada)

Maior derrota: De Graafschap 3×6 PSV (11ª rodada)

Principais jogadores: Hidde Jurjus (goleiro), Andrew Driver (meio-campista) e Vincent Vermeij (atacante)

Artilheiro: Vincent Vermeij (9 gols)

Quem mais partidas jogou: Hidde Jurjus (goleiro), com 33 partidas

Copa nacional: eliminado na segunda fase, pelo Ajax

Competição continental: nenhuma

Conceito da temporada: regular

Quando o primeiro turno do Campeonato Holandês terminou, o De Graafschap parecia condenado ao rebaixamento. Tinha cinco pontos, oito abaixo do penúltimo colocado. E a análise da coluna para o desempenho dos Superboeren já dizia: uma campanha tão fraca não fazia jus ao claro esforço do time em campo. Mesmo fraco, o De Graafschap tinha alguns jogadores talentosos. Fazia partidas duras contra os times grandes. E recebia apoio incondicional da torcida.

Pois bem, o returno rendeu à equipe uma reação até admirável. Vieram algumas boas vitórias, a desvantagem na lanterna virou coisa do passado, os destaques continuaram aparecendo, houve a atuação fundamental para definir indiretamente o título holandês na última rodada… e o De Graafschap conseguiu ter uma “segunda chance” na repescagem. Fracassou contra o Go Ahead Eagles, e isso significa o rebaixamento imerecido. Mas o imbróglio causado pelos problemas entre federação e Twente pode manter o clube na Eredivisie da próxima temporada. Em meio à espera, alguns jogadores já obtêm transferências para clubes maiores. Com inteira justiça, já que, no mínimo, adiaram um rebaixamento que parecia inevitável. 

Cambuur 

Colocação final: 18º (e último) colocado, com 18 pontos

Técnico: Henk de Jong (até a 22ª rodada) e Marcel Keizer

Maior vitória: Excelsior 1×4 Cambuur (17ª rodada)

Maior derrota: Cambuur 0x6 PSV (5ª rodada)

Principal jogador: Jack Byrne (atacante)

Artilheiros: Jack Byrne, Sander van de Streek e Martijn Barto (todos com 4 gols)

Quem mais partidas jogou: Marvin Peersman (lateral esquerdo) e Sander van de Streek (meio-campista), ambos com 32 partidas

Copa nacional: eliminado na segunda fase, pelo PSV

Competição continental: nenhuma

Conceito da temporada: péssimo

O único destaque do Cambuur ao final do primeiro turno era o atacante nigeriano Bartholomew Ogbeche. E ele se transferiu para o Willem II, em janeiro. Por aí já se tem uma ideia do quão aflitiva era a qualidade técnica do elenco do Cambuur para o returno – a bem da verdade, em toda a temporada. Enquanto o De Graafschap se apoiava na relativa capacidade de alguns jogadores, animando-se para evitar a lanterna, o clube auriazul da cidade de Leeuwarden caía num desânimo assustador. Nem mesmo a troca de técnico deu o impulso necessário, e o retorno à segunda divisão logo se tornou uma certeza inegável e inescapável.

Também, pudera. Pior defesa (79 gols sofridos!), pior ataque (apenas 33 marcados), pior campanha da Eredivisie tanto em casa quanto fora… justificativas não faltam para o rebaixamento. No campo, o que se via era um time inábil ofensivamente, com o irlandês Jack Byrne como único destaque. E inseguro na defesa. Talvez a melhor prova disso tudo tenha vindo no jogo que sacramentou o descenso: o 6 a 2 sofrido para o PSV, na penúltima rodada. Byrne e Sander van de Streek até causaram perigo à defesa dos Eindhovenaren. Só que a defesa fraca do Cambuur possibilitou a goleada, apenas confirmando o que já se esperava desde o principio do returno, com sete derrotas seguidas. Tão fraco quanto o De Graafschap e sem o ânimo deste, o time de Leeuwarden não pode reclamar da sorte: mereceu cair.

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