Por @CeciliaQuevedo_ do @JogaMiga

Nesta terça-feira (08) a Federação Paulista de Futebol organizou uma coletiva online com Aline Pellegrino (agora ex-diretora de futebol feminino da FPF), Ana Lorena Marche (atual diretora de futebol feminino) e Mauro Silva (vice-presidente da Federação). A nova responsável pelo futebol feminino na FPF elogiou o trabalho da antecessora e falou sobre os planos para a continuidade do trabalho, com foco em formar bem os profissionais de educação física, um aspecto fundamental na sua visão para o desenvolvimento da modalidade.

Legado de Pelle

Aline foi anunciada na última sexta-feira como a nova Coordenadora de Competições de futebol feminino da CBF. Portanto, teve que deixar a Federação Paulista, onde trabalhou nos últimos 4 anos e provocou mudanças profundas. Com a Aline, a FPF organizou sua primeira peneira de futebol e feminino, e o primeiro campeonato feminino de base de todo país, o Campeonato Paulista sub-17.

Com Aline, o Campeonato Paulista Feminino bateu recordes de público e audiência: foram mais de 28 mil torcedores acompanhando o jogo de volta final de 2019 no estádio e mais de 370 mil visualizações no vídeo do YouTube do jogo de ida.

“O que eu admiro na Aline é o pensar o todo, é o estratégico. Ela pensa fora da caixinha. O futebol feminino é um produto que deve ser pensado de forma diferente e ela consegue ter ideias diferentes. Como foi o caso da peneira, que é algo que não faz muito sentido no futebol masculino, mas funciona no feminino neste momento que estamos vivendo. Eu admiro muito isso”, revelou sua sucessora Ana Lorena Marche.

Continuidade do trabalho e novos começos

Marche não é desconhecida no meio do futebol. Ela trabalhou como diretora do futebol feminino da Ferroviária desde 2017. No clube de Araraquara, ajudou a levar a equipe à elite do futebol feminino e conquistar sete títulos: Campeonato Brasileiro (2019), dois Jogos Abertos (2017 e 2019), Festival Feminino Sub-14 (2019) e dois Jogos da Juventude (2018 e 2019).

Lorena assumiu agora como coordenadora, mas já estava na Federação desde dezembro do ano passado observando o funcionamento do futebol ao nível estadual. Ana Lorena afirmou que já existem marcas interessadas em investir na modalidade, o que ajudaria bastante a desenvolver a modalidade. Segundo a nova coordenadora, para apresentar um planejamento comercial para os patrocinadores, é preciso haver um plano sustentável a longo prazo. Este plano, segundo ela, inclui diversas áreas de desenvolvimento.

“Nós precisamos pensar em projetos sociais, em massificar. Precisamos capacitar os educadores físicos, porque eles são fundamentais na transformação da percepção do futebol feminino. Temos que pensar em um futebol de alto rendimento, mas para que isso seja sustentável temos que pensar em cada vez mais meninas praticando”, disse a nova coordenadora em coletiva.

Expectativas para o trabalho na CBF

Aline Pellegrino deixa a FPF para assumir cargo na CBF (Divulgação/FPF)

Durante a coletiva, Aline falou sobre suas ideias e expectativas para o trabalho agora ao nível nacional: “O desafio aumentou, agora além de olhar para uma federação, vou olhar para 27. Devemos dividir essas federações, mapear bem, entender em que momento cada uma está. É preciso pensar uma estratégia entendendo cada situação, pensar juntos. Se cada uma avançar no que tem de melhor, o todo avança”, declarou Pelle.

Aline enfatizou que esse será o momento de ouvir. Ouvir dos clubes e das federações suas demandas, dificuldades e também fortalezas, para melhor integrar e desenvolver o futebol feminino no Brasil. Ela também falou sobre a integração das atletas, ex-atletas e pioneiras no futebol feminino.

“Eu acredito que no futebol feminino temos essa vantagem que está se desenvolvendo com todos os agentes que fazem parte dele, desde a base até as pioneiras. Esse passo mais sólido para o desenvolvimento será feito com todas. É importante que todos se vejam como agentes transformadores nesse momento de desenvolvimento. Cada uma viveu uma etapa. Nós precisamos reconhecer e dar reconhecimento de que cada uma é importante para o desenvolvimento”, concluiu a nova coordenadora de competições da CBF.