A frustração dos jogadores brasileiros quando o árbitro apitou o fim do jogo com a Nigéria, em um empate por 1 a 1, dá o tom do que foi a partida. A seleção brasileira não conseguiu jogar bem mais uma vez, como tem sido a marca. Pior do que isso, pouco mostrou de novidade, não houve testes, poucas alternativas de jogo e nem os jogadores que atuam no Brasil puderam ter um tempo razoável em campo, exceto por Daniel Alves, que já é titular há tempos. Foi um jogo difícil de entender o que Tite queria fazer.

O amistoso em Singapura teve pouco mais de 20 mil pessoas, muito menos que a capacidade do estádio, de 55 mil. Um festival de lugares vazios, mesmo com a organização do jogo tendo diminuído o preço do ingresso em relação ao jogo de quinta-feira contra Senegal e ainda ter distribuído ingressos em escolas locais.

Tite fez duas mudanças para o time titular em comparação ao jogo contra Senegal. Saíram Alex Sandro, na lateral esquerda, e Philippe Coutinho, no ataque, e entraram, respectivamente, Renan Lodi e Éverton Cebolinha. O lateral esquerdo do Atlético de Madrid foi um dos destaques do time em campo, jogando melhor que Alex Sandro.

O primeiro tempo teve pouco a ser relatado. O desempenho foi fraco, sem criação de muitas chances. O começo de jogo foi similar ao que aconteceu contra Senegal, com muita pressão alta e o time tentando recuperar bolas no campo de ataque. Mesmo assim, ofensivamente o time produziu poucas chances.

Piorou porque o craque do time, Neymar, teve que sair de campo cedo. Aos 10 minutos, ele sentiu uma lesão e foi substituído por Philippe Coutinho, aos 12. Parecia um jogo promissor, porque Neymar jogava atrás do centroavante Roberto Firmino, em uma lista com três meias, com Éverton pela esquerda e Gabriel Jesus pela direita. Mas a lesão impediu que esse posicionamento fosse mais visto. Uma substituição que, em si, já foi conservadora. Com as opções que tinha no banco para tentar algo diferente, como Gabriel Barbosa e Lucas Paquetá, Tite pareceu buscar os mesmos caminhos. E Coutinho, mais uma vez, fez um jogo apagado.

Neymar deixou o jogo logo no início, substituído por Philippe Coutinho (Pedro Martins / MoWA Press)

Aos 35 minutos, a Nigéria trabalhou a bola pela direita com Victor Osinhem, que saiu da marcação de Thiago Silva e cruzou para a área. Simon dominou e encontrou Aribo, que deu o drible em Marquinhos e finalizou forte para marcar 1 a 0. Foi o resultado do primeiro tempo.

Tite mexeu para o segundo tempo. No lado direito, Daniel Alves segurou um pouco as subidas ao ataque, enquanto Renan Lodi, ofensivamente muito forte, passou a ficar posicionado mais alto. Assim, na saída de bola, havia uma linha de três jogadores, não quatro. Lodi era quase um ponta, com Richarlison, que entrou no lugar de Everton no intervalo, indo muito para o meio. Na direita, Jesus era uma opção forte, com  Coutinho armando pelo meio.

O Brasil chegou ao empate nos primeiros minutos. Escanteio curto de Coutinho, Daniel Alves cruzou para Marquinhos, que tocou forte de cabeça, a bola tocou a trave e voltou para Casemiro. Ele dominou e finalizou para marcar e igualar o marcador: 1 a 1.

A postura do Brasil no segundo tempo era mais agressiva, com o time tentando mais as jogadas pelo lado do campo e tentando pressionar os nigerianos no seu campo. Gabriel Barbosa, o Gabigol, entrou no lugar de Roberto Firmino aos 16 minutos. Aos 27 minutos, Gabriel Jesus fez uma grande jogada como ponta na direita, cruzou rasteiro e Richarlison chegou para finalizar.

Gabigol, do Brasil, no meio da marcação da Nigéria (Pedro Martins / MoWA Press)

Sem conseguir entrar muito na área, o Brasil passou a usar mais ainda os lados do campo e tentar cruzamentos para a área. Terminou o jogo com 10 chutes, cinco deles no alvo. O futebol foi pequeno, Tite testou pouca coisa, sem colocar em campo muito tempo as novidades. Gabigol, o mais esperado dos convocados, jogou 30 minutos. Recebeu poucas vezes a bola, quase sempre muito marcado. Não houve jogadas trabalhadas, de maneira geral.

O que chama a atenção é que os amistosos da seleção brasileira é que os jogos sempre parecem uma burocracia, uma tarefa enfadonha que os jogadores precisam cumprir. Mesmo quando há um esforço dos jogadores, em determinado momento tudo parece que acaba. Os jogos entram em rotação baixa em algum momento e o jogo parece apenas isso: só um jogo, desimportante. E nos faz questionar ainda mais o número de amistosos que existem.

No fim, Marcinho e Rodrigo Caio, dois jogadores que vieram do futebol brasileiro, sequer entraram em campo. Viajaram até a Singapura para assistir ao jogo do banco de reservas. Se fosse em um jogo oficial, Eliminatórias da Copa, era compreensível. Como é amistoso e isso deveria pressupor testes, parece um desperdício de tempo e um desfalque desnecessário aos clubes brasileiros.

Se Tite queria resultado, por isso insistiu em jogadores que já conhece e sem testar demais o time, não conseguiu. E o pior é que o desempenho parece muito fraco para este momento do trabalho, assim como parece haver pouca abertura para testes em amistosos. As Eliminatórias da Copa do Mundo começam em março, no próximo ano, e os testes não poderão ser feitos. Será jogo valendo. E pior ainda, porque teremos mais uma Copa América. Com o desempenho fraco e a pressão que cresce, Tite deve acabar levando um time mais forte, o que significará, eventualmente, mais desfalques aos times brasileiros.

A preocupação é o desempenho. E em novembro, o Brasil terá a Argentina pela frente em um amistoso mais uma vez marcado em um local que faz pouco sentido esportivo, a Arábia Saudita, e depois a Coreia do Sul em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. Será que Tite desfalcará os times brasileiros novamente para não testar os jogadores? Veremos.