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Uma viagem pelas músicas que embalam o futebol de cada país da Copa América

Cumbia paraguaia, polca peruana, pop rock chileno e punk rock colombiano. Reggae, musica rancheira andina, murga uruguaia, hip hop, salsas e marchas aztecas…O cancioneiro histórico das seleções da Copa América é vasto, para todos os gostos, passos e estado de alma, ilustrando a história e a ideologia de ditas seleções nas ultimas décadas.

Argentina

“Vamos Vamos Argentina, Vamos Vamos a Ganar. Esta hinchada quilombera, no te deja, no te deja de alentar” a música composta para o disco oficial do mundial de 1978, segue no imaginário popular da torcida argentina em qualquer torneio esportivo no qual disputa. Composta por Nestor Rama, a melodia é uma adaptação de um hit do dueto romântico Barbara y Dick, de grande sucesso na Argentina nos anos 70.  Em 1986, Maradona foi flagrado puxando a música no vestiário após a vitória histórica frente aos ingleses no México.

Bolívia

Reservamos um empolgante Pout Pourri que empurrou a Bolívia para a classificação inédita ao Mundial de 1994. Da esperança de “Llego la hora, el mundial esta esperando nuestra clasificación” para “entonces vino el gol” em homenagem ao camisa 10 Marco Etcheverry , passando por “Bolívia gana y se va al mundial” e  ao derradeiro “el que no salta es brasileiro, el que no salta es uruguayo, el que no salta es venezolano, el que no salta es de Ecuador”. Uma justa seleção de canções rancheiras e cumbias andinas em lembrança ao timaço dirigido pelo espanhol Xavier Azkargorta.

Chile

O mito Carlos Caszely cantando El Hincha antes do mundial de 82, bem que poderia ilustrar eternamente o cancioneiro futebolístico chileno. O centroavante do Chile nos mundiais de 74 e 82, foi o grande símbolo da luta contra a ditadura de Pinochet, a quem evitou cumprimentar e fez campanha pelo NO, no recordado plebiscito que tirou o general do poder. No entanto, quando falamos da seleção nacional, ficamos com a versão de El Gol, hit de La Roja no mundial de 82, na versão atual de Cristóbal Briceño y Primavera de Praga. A composição original é do famoso compositor José Luis Fuentes. A campanha chilena naquele mundial foi pífia, com derrotas para Áustria, Alemanha e Argélia. Ironicamente, Carlos Caszely seria o vilão na Espanha, perdendo o pênalti na estreia contra a Áustria, gerando comoção nacional e negando o refrão “El gol, el gol, el ya va salir, el gol se ha de venir…”

Colômbia

Em terras cafeteiras nos encontramos com a banda punk 3 de Corazón. Torcedores fanáticos do Atlético Nacional de Medellín, o quarteto compôs inúmeras músicas ilustradando a paixão pelo futebol. No clipe “Dame una alegria” a banda da região de Antioquia reuniu grandes craques históricos da seleção:”Pibe”Valderrama, Asprilla, Aristzabal, “Chicho” Serna, Higuita e o treinador “Pacho” Maturana. Uma trama bem humorada que guiou a seleção de Pekerman na campanha exitosa no Mundial de 2014.

Equador

Delfin Quishpe é um sucesso mundial na internet, graças a tragicômica Torres Gemelas, uma homenagem extravagante aos compatriotas mortos no 11 de Setembro. Para as eliminatórias de 2014, Delfin “hasta el fin” destilou todo seu orgulho nacional com uma canção de apoio a seleção tricolor, então dirigida pelo treinador colombiano Reinaldo Rueda. O Equador se classificaria à seu terceiro mundial consecutivo para a alegria do cômico e folclórico cantor equatoriano.

Jamaica

Bob Marley, como todos sabem, era um grande apreciador do futebol. Infelizmente o mito do reggae mundial, não pôde desfrutar da fase dourada da seleção nacional. Em 1998, membros da nova safra da musica popular do país caribenho, se juntaram para celebrar a classificação histórica da seleção – então dirigida por René Simões – para o mundial de 98. Toots Hibbert, Diana King, Maxi Priest e Ziggy Marley cantam Rise Up!, a musica oficial dos Reggae Boys em seu única participação em Copas do Mundo.

México

Javier Aguirre, Hugo Sanchez, Tomás Boy,”el abuelo” Cruz e outros membros do elenco mexicano dos anos 80, são os interpretes da marcha “El equipo Tricolor”. A música peculiar, guiou a seleção mexicana no mundial de 86. A anfitriã “La tri” pararia na seleção alemã nas quartas de final, perdendo na decisão de pênaltis por 4 a 1 em Monterrey.”el equipo tricolor tiene mucho corazón y en la cancha lo demonstrará” .

Paraguai

Rojaiuju Paraguay do Grupo Oima é uma cumbia, tipicamente paraguaia, em apoio a seleção nacional para a disputa da Copa América de 2011. A letra é composta metade em guaraní, metade em castelhano. Pé quente, Rojaiuju Paraguay levou a seleção de Tata Martino até a finalíssima, passando pelo Brasil, mas perdendo o título para o Uruguai, por 3 a 0, no Monumental de Nuñez.

Peru

A seleção albiroja é representada pela polca “Peru Campeón” da mítica dupla Los Ases de Peru, de enorme sucesso, homenageando o time dirigido por Didi, que eliminou a Argentina em La Bombonera. La Franja encantaria o mundo, em 1970, com o belíssimo duelo frente ao Brasil nas quartas de final da Copa do México. Um a um, os heróis são escalados no verso principal da canção: “Rubiños en el arco, la defensa es colosal: Gonzalez, Orlando La Torre, Nicolás Fuentes y Chumpitaz; Chale, Mifflin y Cubillas, el gran Perico León; Baylon e Alberto Gallardo completan la selección. Com esta base, e a chegada de craques como Oblitas e Hugo Sotil, o Peru venceria a Copa América de 75, batendo a Colômbia no jogo desempate.

Uruguai

La Celeste não poderia esta melhor representada neste especial. Jaime Roos, um dos maiores ícones da musica popular uruguaia  contemporânea, homenageou a seleção em diversas oportunidades, ora em carreira solo, ora em dueto com o grande Washington Canario Luna. Torcedor reconhecido do Defensor Sporting, a lenda viva da murga charrua, compôs “Cuando Juega Uruguay”, em 1992. O clipe rodado no estádio Centenário, com participação do lendário Obdulio “el negro jefe” Varela, bem que se diga, não trouxe muita sorte. A Celeste ficaria de fora do mundial dos Estados Unidos, graças a atuação épica de Romário no Maracanã, em jogo decisivo das eliminatórias. A revanche viria em 1995, na final da Copa América, com o título diante do Brasil com a geração de Francescoli, Montero, Fonseca e Bengoechea

Venezuela

Após a histórica campanha da Copa América de 2011, quando a Venezuela chegou as semifinais da Copa Amperica na Argentina,  o rapper NK Profeta compôs “La Vinotinto”. “Se acabaron ya los tiempos que vestías de Amarillo… Con el Tricolor Guardao y Aplaudiendo a Ronaldinho” abre uma letra crítica ao passado de pouca estima pela seleção venezuelana. O MC segue relembrando o passado de derrotas: “Donde la inversión estaba en el beisebol y baloncesto. como el fútbol sin apoyo saldría del ultimo puesto?” celebrando por fim os novos tempos ao lado da lenda Luis “Mendocita” Mendoza, primeiro ídolo futebolístico da Vinotinto nos anos 60.

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