América do SulBrasilSul-Americana

Um torcedor do Coritiba escreveu bela carta ao Belgrano sobre as marcas deixadas no Couto

A passagem do Belgrano por Curitiba, durante a última Copa Sul-Americana, foi marcante. Milhares de fanáticos celestes invadiram o Couto Pereira e pareciam mesmo se sentir em casa, tamanha potência que exibiam nas arquibancadas. Espetáculo que rendeu uma grande vitória dos Piratas, apesar da eliminação em Córdoba durante o segundo jogo entre as equipes. De qualquer maneira, aquela noite delirante no Alto da Glória fincou raízes. É o que demonstra um torcedor do Coxa que, meses depois, enviou uma carta ao próprio Belgrano, comentando sua experiência e as consequências. Abaixo, traduzimos a publicação do site oficial do clube argentino:

*****

Nunca pisei em Córdoba. Vivo em Curitiba. Na Argentina, estive somente em Buenos Aires, há alguns anos. A paixão do povo argentino pelo futebol sempre me encantou, mas nunca pude, ao vivo, assistir às festas de suas torcidas. Um dia, entretanto, isso mudou. Era setembro de 2016, em uma noite fria da minha cidade, quando me encontrei com quatro mil argentinos descontrolados dentro do estádio. Durante todo o dia, torcedores azuis caminhavam pelas ruas curitibanas cantando e fazendo uma grande festa. Depois daquela partida pela Copa Sul-Americana, de uma maneira inexplicável, parte do meu coração também ganhou cores celestes

Club Atlético Belgrano. Antes, conhecia-o somente por duas coisas: clube em que já havia jogado Sergio Escudero (ex-jogador do Coritiba) e que levo o River Plate ao rebaixamento. Nada mais. Estava equivocado. Eu mal sabia que, algum tempo depois, me identificaria muito com a equipe celeste da cidade de Córdoba. A primeira barra argentina, fazendo todo aquele carnaval no Couto Pereira, me levou a pensar e recordar o que realmente me encanta no futebol

No Brasil, meu time tem apenas um título nacional, já foi rebaixado quatro vezes e vive uma crise há cinco anos. Em 2009, ano do centenário do clube, caímos à segunda divisão e vivemos um dos piores momentos de nossa história. Se a razão de tudo fossem conquistas e múltiplas glórias, um torcedor do Coritiba teria poucos motivos para ir ao campo e apoiar. Contudo, nossa paixão vai além de tudo isso. História, tradição e um sentimento incondicional mantêm vivo em nós o desejo intenso de gritar, cantar e saltar por um clube de futebol.

É esse o mesmo sentimento que moveu milhares de piratas até Curitiba. Superaram fronteiras, distâncias e custos financeiros. Todos por uma paixão, e é exatamente isso que nos une. Nenhum torcedor de um grande clube de Buenos Aires, de São Paulo ou do Rio de Janeiro sentirá um dia o que sentem os torcedores do Belgrano ou do Coritiba. Para os demais, somos insignificantes. Mas somos nós que sabemos o que é ter esperança quando já não nos sobra nada. Nosso amor não depende de títulos, tampouco de vitórias. Na debilidade, somos fortes e vencemos qualquer obstáculo.

Desde aquela partida, em que meu time perdia para o Belgrano, não sou mais o mesmo. Não é possível continuar o mesmo depois de conhecer a ‘loucura que não tem cura’ dos piratas. Na verdade, vocês nos trouxeram ânimo para continuarmos fortes. Vocês são fortes. Eu pertenco à maior paixão do Paraná. Não obstante, agora também pertenço a outra nação. Hoje, integro a maior paixão de Córdoba. Não importa o que digam: não se compara”

Curitiba, Brasil
Lohan Ribeiro Couto

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo