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Os 75 anos de Pepé Santoro, o goleiro que mais vezes conquistou a Libertadores

Nenhum outro clube conquistou mais vezes a Libertadores do que o Independiente. O Rojo pode dizer de boca cheia que é o ‘Rei de Copas’. E, entre suas sete taças, eternizou diversos jogadores fundamentais na história da competição. Entre eles, o goleiro Miguel Ángel Santoro. O camisa 1 pode não ser tão célebre quanto alguns de seus compatriotas, mas sua trajetória em Avellaneda é irretocável. Liderou o time em quatro finais continentais, fundamental em diversos momentos dos títulos. Como titular, ergueu o troféu mais vezes do que qualquer outro em sua posição. Ídolo rojo, que completa 75 anos nesta segunda-feira e merece as devidas lembranças.

Nascido em Sarandí, Pepé Santoro teve no pai um espelho. Mecânico, também atuava sob as traves em competições amadoras. O garoto começou no Belgrano, antes de ser levado pelo Independiente. E sua carreira decolou justamente em anos gloriosos para o Rojo. Sua primeira temporada completa no elenco profissional foi em 1963, quando o clube conquistou o Campeonato Argentino. Já no ano seguinte, como terceira opção no elenco, passou momentos difíceis ao precisar operar os joelhos. Contudo, a sorte sorriria ao jovem de 22 anos. O Independiente decolava na Libertadores de 1964. Eliminou o bicampeão Santos, garantindo a vaga inédita na decisão. Só que, às vésperas do primeiro duelo com o Nacional de Montevidéu, o arqueiro titular sentia dores nas costelas e a oportunidade caiu no colo de Santoro. Não decepcionou: fechou o gol diante dos uruguaios, para iniciar a história grandiosa de seu clube na copa.

A partir de então, Santoro se transformou em uma lenda no Independiente. Conquistou o bicampeonato da Libertadores em 1965, batendo o Peñarol no jogo extra em Santiago. E experimentava também as glórias domésticas. Em 1967, sob o comando de Oswaldo Brandão, o Rojo faturaram o Campeonato Argentino de maneira irretocável. A equipe sofreu apenas uma derrota e acumulou 12 vitórias em 15 rodadas. Anotou incríveis 43 gols e só sofreu 12. Coroação em grande estilo. Já entre 1970 e 1971, Santoro e seus companheiros celebrariam o bicampeonato nacional, algo que o clube não desfrutava desde a década de 1930.

O grande momento dentro do país precedeu a dominância do Independiente na Libertadores. A equipe conquistou quatro edições consecutivas, entre 1972 e 1975.  Santoro defendeu a meta nas duas primeiras campanhas, capitão naqueles últimos anos. Derrotou o Universitario, base da seleção peruana, em 1972, antes de bater em jogos duríssimos o ofensivo time do Colo-Colo, que também predominava nas convocações de seu país, em 1973. Em novembro deste mesmo ano, faturou o Mundial Interclubes sobre a Juventus, com o famoso gol de Ricardo Bochini no Estádio Olímpico de Roma – naquele que o camisa 1 considera ser seu maior título. O goleiro, todavia, não seguiu em Avellaneda. Preferiu se aventurar na Espanha, aceitando proposta do Hércules. De longe, viu os companheiros completando o tetracampeonato continental. Deixou o clube com 394 partidas oficiais, quarta maior marca da história. Além disso, teve a oportunidade de disputar a Copa do Mundo de 1974, reserva de Daniel Carnevali na Alemanha Ocidental.

Em 1977, Santoro chegou a retornar ao Independiente, mas um desentendimento nos bastidores o levou a encerrar a carreira. Apesar disso, não ficou a mágoa. O goleiro teve outras tantas passagens pelo Rojo durante as últimas décadas – como treinador de goleiros, técnico nas categorias de base e até mesmo interino na equipe principal em diferentes ocasiões. Ao mesmo tempo, permaneceu reverenciado pelos torcedores, conscientes da importância do homem que os ajudou a alcançar o topo do continente por quatro vezes.

Vale conferir também o especial dos amigos do Futebol Portenho sobre Santoro.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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