América do Sul

O Chile receberá o verdadeiro torneio de raiz do continente: a Copa América dos Povos Indígenas

A Copa América ainda não teve fim. Na verdade, a versão mais “raiz” do torneio ainda nem começou. Aproveitando o término do torneio sul-americano, o governo chileno e o Mercosul organizarão a primeira edição da Copa América dos Povos Indígenas. A competição acontecerá entre os dias 16 e 30 de julho, com partidas realizadas nas cidades de Arica e Santiago. Oito seleções estarão representadas na disputa: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, México, Paraguai e Peru.

As equipes nacionais contarão apenas com jogadores amadores e maiores de 18 anos. Eles não podem ter atuado como profissionais nos últimos cinco anos. Além, é claro, de terem raízes indígenas e ligação com algum dos povos nativos do continente. Durante o lançamento oficial do torneio, em junho, estiveram presentes no Palácio de La Moneda (sede oficial do governo chileno) representantes dos mapuches e dos aimarás, duas das principais culturas indígenas da América do Sul.

VEJA TAMBÉM: Um título que honra a história da seleção chilena e significa muito para o Chile como país

Seis dos países participantes da Copa América dos Povos Indígenas hoje comportam territórios do antigo Império Inca. Além disso, também disputam México e Paraguai, de porcentagens significativas de suas populações com origens nativas. Já o Brasil, apesar das centenas de comunidades indígenas, não participará do torneio. Vale lembrar que, em outubro, a cidade de Palmas sediará a primeira edição dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas. O futebol de campo é uma das modalidades, assim como o Xikunahati (uma ancestral indígena do futebol).

Durante o lançamento da Copa América dos Povos Indígenas, a presidente do Chile, Michelle Bachelet, discursou sobre o simbolismo do evento: “O torneio nos permitirá conhecer mais sobre os povos indígenas do continente, reconhecendo também a nossa identidade e a diversidade latino-americana. Assumimos que ainda estamos em dívida com os povos indígenas e reafirmamos nosso compromisso com uma política pública que é central para combater a desigualdade e avançar em um Chile para todos”.

PASSADO INDÍGENA: Pelo sangue e pela cultura, Peru e Bolívia fazem um clássico entre irmãos

O Chile será o cabeça de chave de um dos grupos, enfrentando Peru, Paraguai e México. Já o Grupo B contará com Argentina, Colômbia, Equador e Bolívia. Desde 2012, os chilenos já realizam o Campeonato Nacional de Povos Originários, que tem os mapuches como atuais campeões – e, pelo título, a equipe terá o direito de representar a seleção. Já outra atração da Copa América será a Colômbia, que contará com Carlos Valderrama como técnico.

Como evento, a Copa América dos Povos Indígenas será importante para a integração de diferentes povos das Américas. Ainda que a própria Copa América já tenha servido para evidenciar um pouco essas raízes, a partir de destaques como Paolo Guerrero e Alexis Sánchez – ambos com antepassados nativos. Afinal, de Maradona a Garrincha, o sangue indígena também contribuiu bastante para a construção da identidade do futebol sul-americano. E marcou sua história.

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo