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No único Brasil x Uruguai no Mineirão, o Palmeiras venceu

Brasil entrou em campo apenas uma vez com o Uruguai no Mineirão. Tinha um técnico estrangeiro, o único de toda a sua história, e todos os jogadores eram do mesmo clube, o Palmeiras. Foi também a primeira vez que a Seleção Brasileira jogou no mais tradicional estádio de Minas Gerais. Foi também parte das festividades de inauguração do Mineirão. E tudo isso aconteceu há quase 48 anos.

A CBD (Confederação Brasileira de Desportos, predecessora da CBF) indicou o Palmeiras para representá-la. O jogo contra o Uruguai foi o segundo do estádio, dois dias depois do primeiro jogo, entre seleção mineira e River Plate – os mineiros venceram por 1 a 0. Só que se o Brasil não levou o seu principal time para o jogo, o Uruguai também não. Os clubes do país vizinho não queriam liberar seus jogadores porque o Campeonato Uruguaio estava em andamento. Então, veio uma seleção desfalcada para enfrentar o Brasil em meio às festividades.

O time era dirigido por Filpo Núñez, argentino, era um dos responsáveis pelo timaço que o Palmeiras tinha, chamado, justamente, de Academia. Talvez não imaginasse que seria o único técnico estrangeiro da seleção brasileira, mesmo depois de 47 anos e alguns meses daquele 7 de setembro, dia da independência do Brasil – a coincidência da data ser a única vez que o time foi dirigido por um estrangeiro não deixa de ser uma curiosa ironia.

Rinaldo, cobrando pênalti, marcou o primeiro gol do jogo aos 27 minutos do primeiro tempo, depois que o árbitro marcou toque de mão de Cincunegui dentro da área. A seleção uruguaia reclamou, e muito, do pênalti marcado. Não adiantou. Era bola na rede e 1 a 0 para o Brasil. O segundo gol teve também polêmica. Rinaldo, autor do primeiro gol, cruzou para a área. Tupãzinho caiu sobre a área e tocou com o braço na bola. Seguiu, se levantou e mandou para as redes. Os uruguaios reclamaram novamente, sem êxito. No segundo tempo, mesmo com vários reservas em campo e sem o mesmo ritmo da etapa inicial, o Palmeiras aumentou o placar. Desta vez, Germano acertou um chute de longe. Ele era afeito a chutes de todas as distâncias, e costumava ser preciso mesmo quando estava muito longe do gol. Foi o caso daquele dia no Mineirão.

O Palmeiras, ou melhor, a Seleção Brasileira venceu por 3 a 0, com certa tranquilidade. Depois do jogo, o zagueiro Manicera e o jornalista Juarez Soares, avaliaram a atuação e deram um conselho. “Se vocês brasileiros quiseram ganhar a Copa na Inglaterra,é só colocar esse time aí. Ninguém vai aguentá-los. Ah, e reforça com o Pelé, claro. Mas não tira nunca esse Ademir do time”. O relato está no Blog do mestre Mauro Beting e você pode ler mais sobre esse time lá.

O troféu dado naquele jogo amistoso ficou na posse da CBD por 23 anos, mas atualmente está em poder do Palmeiras, que o exibe na sua sala de troféus, conforme relata o site do Palmeiras. É de lá também que tiramos a ficha técnica do jogo, a seguir:

Ficha Técnica

BRASIL 3 x 0 URUGUAI

Brasil
Valdir de Moraes (Picasso); Djalma Santos, Djalma Dias e Ferrari; Dudu (Zequinha) e Valdemar (Procópio); Julinho (Germano), Servílio, Tupãzinho (Ademar Pantera), Ademir da Guia e Rinaldo (Dario).

Uruguai
Taibo (Fogni); Cincunegui (Brito), Manciera e Caetano; Nuñes (Lorda) e Varela; Franco, Silva (Vingile), Salva, Dorksas e Espárrago (Morales).

Árbitro: Eunápio de Queiroz
Data: 07/09/1965
Local: Estádio Magalhães Pinto (Mineirão), em Belo Horizonte (MG)
Público: aproximadamente 80.000 pagantes
Renda: Cr$ 49.163.125,00
Gols: Rinaldo, aos 27, e Tupãzinho, aos 35 minutos do primeiro tempo. Germano, aos 29 da etapa final.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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