América do Sul

Movido a mate, Plaza Colonia saiu de candidato a rebaixado a campeão do Clausura uruguaio

O Campeonato Uruguaio foi novamente muito disputado, como tem sido nos últimos anos, e mostrou uma enorme surpresa. Cotado para não cair no começo da temporada, os membros da comissão técnica até chegaram a fazer uma promessa de comer no centro do gramado do estádio Centenário se o time não fosse rebaixado. Neste domingo, o time não só estava salvo como ainda disputou com o Peñarol o título do Clausura. E conseguiu vencer por 2 a 1, mesmo no estádio Campeón del Siglo, dos rivais. Isso em sua primeira temporada na primeira divisão do país.

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Chegar ao título do Clausura já é um grande feito para o Plaza Colonia. Há um pouco mais de um ano, o time quase ficou fora da segunda divisão uruguaia por problemas financeiros. Os dirigentes ficaram a ponto de desistir do clube. Os resultados não vinham, então os dirigentes usaram uma última cartada. Chamaram Roberto “Chiqui” Garcia para comandar o futebol do clube. Foi ele que trouxe Carlos Manta, que tinha sido demitido do Miramar Misiones, que estava próximo de subir à primeira divisão, a duas rodadas do final.

Segundo García e Manta, o que colaborou foi o time estar a estar a 180 quilômetros de Montevidéu, e, assim, trabalhar tranquilo. E mais ainda: os dois dizem que um dos segredos do time é um algo muito simples: o mate. Sim, isso mesmo, aquela bebida muito comum tanto no sul do Brasil quanto no Uruguai e Argentina.

“Nos une”, disse Manta, gerente esportivo do Pata Branca, apelido do Plaza Colonia. Longe da capital, o time não é incomodado por empresários, nem gente interessada apenas em negócios, o que por vezes é nocivo ao clube. “Aqui vêm os vizinhos, os amigos, conversamos e tomamos mate”, diz ainda o técnico, que falou ao Ovación, do Uruguai.

“Eu disse que nos perguntaram uma vez e sigo sustentando porque o mate é como uma engrenagem que há entre todos e que levamos isto adiante. Quando nos reunimos com a direção, há mate, com a comissão técnica, a mesma coisa, sem falar nos jogadores. Há uma química impressionante e esta é uma das chaves”, continuou Manta.

O Plaza Colonia se faz com um orçamento baixo. São apenas US$ 65 mil por mês – o que significa, no câmbio atual, pouco mais de R$ 230 mil. “Pagamos salários mínimos porque não podemos pagar mais, o pressuposto se ajusta à nossa realidade”, afirmou Roberto García sobre os gastos com o elenco.

O presidente do clube é Sergio Fernández, que tem 42 anos e preside o clube desde os 38. Ele é amigo pessoal de Diego Lugano, zagueiro do São Paulo. O filho de Lugano, Nico, esteve com os dirigentes com a bandeira do clube quando ele se profissionalizou na segunda divisão e começou a caminhada que culmina, agora, com o título do Clausura.

Mais do que isso, se torna o primeiro clube a bater o Peñarol no seu estádio novo, o Campeón del Siglo. Logo em um jogo tão importante, que valia a taça do Clausura. Agora, o time terá pela frente a decisão do Campeonato Uruguaio (que reúne os campeões do Apertura e do Clausura). Seja qual for o resultado, o time já fez história.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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