América do Sul

Malvinas na Conmebol? Dirigente do San Lorenzo pediu, ao menos na nova logomarca

Três décadas e meia depois da Guerra das Malvinas, a posse do arquipélago no Oceano Atlântico continua gerando debate. Apesar da soberania britânica sobre Falkland, muitos argentinos clamam seu domínio sobre o território – mesmo que no último referendo, realizado em 2013, 99,8% dos moradores locais tenham votado favoravelmente ao vínculo com o Reino Unido. Ainda assim, o patriotismo dos argentinos continua sendo repetido costumeiramente, por vezes respingando no futebol. Na última semana, um dirigente do San Lorenzo solicitou a inclusão das ilhas na nova logomarca da Conmebol. Assim, a entidade continental apoiaria a concepção de seus membros sobre a questão.

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Segundo César Francis, advogado e jornalista que promete se candidatar à presidência do Ciclón, a identidade da América do Sul está incompleta sem a representação das Ilhas Falkland / Malvinas. Cabe notar que o desenho da Conmebol aborda apenas os 10 países ligados à federação. Há uma lacuna, por exemplo, ao norte do Brasil – onde deveriam estar Suriname, Guiana e Guiana Francesa. Além disso, não há qualquer alusão às demais ilhas pertencentes às nações sul-americanas, como Páscoa, Galápagos ou Fernando de Noronha. Ainda assim, o cartola quis aparecer e usou palavras fortes contra a entidade.

“Em minha condição de cidadão argentino, sul-americano e apaixonado por futebol, paixão que me levou a ser ao longo da minha vida torcedor, sócio e diretor do San Lorenzo, me sinto na obrigação moral de solicitar a incorporação das Ilhas Malvinas no novo logo da Conmebol, corrigindo uma incompreensível omissão e reparando um erro que o futebol da América do Sul não merece, já que as Malvinas formam parte do nosso território argentino e, portanto, sul-americano”, escreveu Francis. “A acolhida de vossa parte implicaria em uma reafirmação, através do futebol, da soberania da Argentina; honraria nossos ex-combatentes; e aperfeiçoaria a intenção da Conmebol sobre o que pretende refletir o logo, simbolizando todo o continente unido por uma impressão digital”.

A representatividade das Ilhas Falkland / Malvinas no futebol, aliás, é mínima. O esporte foi introduzido pelos britânicos em meados do Século XIX e o primeiro clube surgiu em 1916, dando origem depois à seleção local. Atualmente, a liga conta com sete equipes e serve como base às convocações. Mesmo sem ser reconhecida pela Fifa, a seleção disputa desde 2001 os Jogos das Ilhas – uma espécie de Olimpíada entre diversas ilhas ao redor do mundo. O torneio de futebol foi realizado em todas as edições dos Jogos.

Apesar da presença constante na competição desde o início do século, Falkland quase sempre faz figuração, caindo na fase de grupos. A exceção aconteceu em 2013, quando o arquipélago terminou com a medalha de bronze. Todavia, excepcionalmente quatro times entraram no torneio naquela ocasião. Em 1997, a seleção chegou a disputar alguns amistosos no Chile, vencendo a Universidad de Magallanes e conquistando um troféu. Já em 2005, fez uma partida contra a Ilha de Páscoa, goleada por 5 a 0. Vale lembrar que o governo chileno apoiou os britânicos durante a Guerra das Malvinas, motivo de contestação entre os argentinos.

Em 1976, quando se negociava a soberania das Ilhas Falkland / Malvinas, a seleção local disputou seu primeiro amistoso contra adversários argentinos. Venceu o time formado por funcionários da YPF, petrolífera estatal do país. Enquanto isso, um dos oponentes mais frequentes da equipe é o time da Base Aérea de Mount Pleasant, composto por militares da aeronáutica britânica.

De qualquer maneira, se há uma mudança palpável no mapa da Conmebol, esta aconteceria mais ao norte do território. Segundo a última edição da revista World Soccer, a Guiana Francesa almeja ser realocada. Em julho, a seleção disputará a Copa Ouro pela primeira vez em sua história. A ideia da federação é buscar a mudança para os meses seguintes à competição. O território ultramarino francês estaria de olho em um maior nível competitivo através da ampliação da Copa América e, quem sabe, caso buscassem a filiação à Fifa, no aumento das vagas à América do Sul para a Copa do Mundo a partir de 2022.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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