Libertadores

O Inter mal deixou a Católica respirar e começou a fase de grupos com uma vitória afirmativa

O Internacional avançou com uma campanha invicta nas preliminares da Libertadores, mas sofreu certo aperto. A equipe atravessa uma fase de desenvolvimento sob as ordens de Eduardo Coudet e não conseguiu impor o seu jogo de maneira tão fácil. Nesta terça-feira, em compensação, os colorados tiveram motivos para se empolgar no Beira-Rio. A abertura do Grupo E não poderia ser mais animadora ao Inter, que amassou a Universidad Católica. Contra um adversário teoricamente mais difícil, os gaúchos exibiram sua intensidade máxima e os chilenos mal puderam respirar. A vitória por 3 a 0 saiu barata, pela quantidade de chances criadas pelos anfitriões.

Era natural se esperar uma partida mais aberta no Beira-Rio. Eduardo Coudet e Ariel Holan são dois treinadores que possuem filosofias de jogo ofensivas, pautadas pelo toque de bola e pela marcação mais adiantada. Porém, quem seguiu à risca as ordens de seu treinador foi o Inter. Desde os primeiros minutos, a equipe da casa pressionou bastante a saída de bola da Católica. A formação mais leve ajudava, com a trinca de meias formada por Edenílson, Marcos Guilherme e Gabriel Boschilia, além de Thiago Galhardo no apoio a Paolo Guerrero na frente.

Ainda que a Católica tenha tentado sair ao ataque durante os primeiros instantes, forçando erros de Bruno Fuchs, o que se viu foi um bombardeio do Internacional. As chances perdidas se acumulavam. Antes dos dez minutos, foram quatro lances claros dos colorados. Marcos Guilherme foi o primeiro a assustar, mas bateu para fora. Thiago Galhardo depois tentaria de letra e quase marcou um golaço. Já aos nove, Uendel bateu para defesa do goleiro Matías Dituro, antes que a zaga afastasse o rebote de Galhardo em cima da linha. A movimentação do ataque gaúcho era ótima, sobretudo para roubar a bola no campo ofensivo e acelerar as jogadas.

O ritmo alucinante do Internacional não durou tanto tempo, mas a equipe seguia bloqueando a Universidad Católica com muito vigor na marcação adiantada. As melhores chances permaneciam com os colorados, que voltaram a assustar com Guerrero aos 24. Além disso, quem fazia ótima partida era Edenílson, garantindo a aceleração na faixa central. Os Cruzados tinham dificuldades em construir seus ataques e se limitaram a poucos contragolpes, sem testar Lomba. Apesar da pressão, o time de Ariel Holan não abria mão da saída de jogo de pé em pé. De problemas aos gaúchos, apenas a insatisfatória arbitragem do venezuelano Ángel Arteaga.

Na volta ao segundo tempo, o Inter pisou novamente no acelerador. Espremia a defesa da Católica para forçar os erros e as chances de gol voltaram a surgir. Aos sete minutos, Uendel cruzou para Galhardo e a marcação travou o atacante em cima da hora. Edenílson e o próprio Galhardo ainda tentaram aproveitar a sequência, sem sucesso. Rodinei também fez sua tentativa aos 13, ao buscar a jogada individual, mas falhou na finalização e mandou por cima do travessão. Todavia, o tento colorado amadurecia e saiu aos 16 minutos.

Guerrero sofreu falta na entrada da área, em ótima posição, e se preparou à cobrança. O artilheiro contou com um bocado de sorte, em chute que desviou na cabeça de Tomás Astaburuaga, antes de enganar o goleiro Dituro e morrer nas redes. A vantagem era mais do que merecida e abriu o caminho à vitória do Inter. Cinco minutos depois, já sairia o segundo. Galhardo aproveitou a saída de bola errada do goleiro Dituro e acionou Guerrero. De frente para o crime, o peruano não perdoou. Já aos 25, o Internacional guardou o terceiro. Após o avanço de Edenílson pela direita, Guerrero recebeu a bola e ajeitou para Marcos Guilherme completar livre no segundo pau.

Holan realizou três trocas na sequência, tentando mudar a Católica após os três gols em nove minutos. Porém, o jogo acabou de vez aos chilenos aos 31. Após uma linda troca de passes, Galhardo ia saindo de frente para o gol, mas foi derrubado na entrada da área por Valber Huerta. O chileno recebeu o vermelho direto. Diante do cenário favorável, o Inter pôde relaxar um pouco mais. O destaque na reta final ficou para a entrada do garoto Bruno Praxedes, em sua estreia na Libertadores. Revelado na Copinha, o meia demonstrou muita personalidade. Chegou a deixar Gustagol (outro a vir do banco) de frente com o goleiro, mas Dituro salvou. Edenílson ainda quase fez seu merecido gol nos acréscimos, caindo na hora da definição.

Durante a reta final da partida, o que valia era a festa no Beira-Rio. A torcida vibrou bastante não apenas com o resultado dilatado, mas também com a exibição do Internacional. Deu gosto de ver o time jogar, pela maneira como os colorados criaram ocasiões para um placar elástico e também por toda a fome de jogo apresentada na marcação. Foram 28 finalizações, contra apenas três dos oponentes. Parece uma formação mais próxima do ideal, apesar da falta de testes à retaguarda. Ainda assim, a equipe de Eduardo Coudet dá um passo firme antes do Gre-Nal da segunda rodada. A Arena pegará fogo na quinta-feira da próxima semana.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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